Um print revela o controle do tenente-coronel Geraldo Neto sobre as redes sociais da soldado Gisele Santana, adensando o mistério na investigação da morte da policial em São Paulo.
A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada sem vida com um tiro na cabeça em seu apartamento, no Brás.
Um novo e crucial elemento surgiu na apuração, um print de conversa que mostra o tenente-coronel da PM Geraldo Neto, marido da vítima, afirmando ter acesso e controle sobre as redes sociais de Gisele.
Esta evidência, obtida pela família da policial, intensifica as suspeitas de um relacionamento abusivo e de violência psicológica, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Prova do Controle e o Confronto Familiar
O print da conversa, agora em posse da família de Gisele Santana, expõe uma dinâmica de controle por parte do tenente-coronel Geraldo Neto. Na mensagem, o oficial teria usado o perfil da esposa para repreender um primo dela.
Ele teria afirmado que o familiar estava “conversando demais” com Gisele, uma atitude que o advogado dos familiares, José Miguel Silva, classifica como um claro indício de controle e violência psicológica.
O advogado detalhou ao g1 que, após uma resposta cordial do primo, que mencionou serem criados juntos e sugeriu um churrasco, o marido teria encerrado a conversa de forma ríspida com um “se orienta”.
Segundo a defesa da família, este material se soma a outros indícios de um relacionamento abusivo. Gisele era supostamente impedida de contatar familiares, usar maquiagem, frequentar academia e insistia na separação do tenente-coronel Geraldo Neto.
A Versão do Tenente-Coronel e as Contestações da Família
Inicialmente, o caso da morte de Gisele Santana foi registrado como suicídio. Em seu depoimento, o tenente-coronel Geraldo Neto alegou que discutiu com Gisele sobre separação e que, ao sair do banho, ouviu o disparo.
Ele afirmou ter encontrado a esposa caída na sala, ferida na cabeça e segurando uma arma dele. Imediatamente, ele teria acionado as autoridades para relatar o ocorrido e pedir ajuda.
Contudo, a família de Gisele sempre contestou essa versão. Parentes relataram à polícia que o relacionamento do casal era “tóxico” e que a mulher sofria violência psicológica.
Eles contaram que Geraldo a perseguia, proibindo-a de usar perfumes, batom e salto alto, além de permitir que ela fosse à academia somente acompanhada por ele. Essas informações foram registradas no 8º Distrito Policial (DP), no Brás.
Novas Evidências da Perícia Aprofundam o Mistério
A investigação da morte de Gisele Santana ganhou novos contornos com os resultados da perícia. A Polícia Técnico-Científica utilizou luminol e detectou a presença de sangue, ainda não identificado, no box do banheiro.
Este é o mesmo banheiro onde o tenente-coronel Geraldo Neto alegou ter tomado banho antes de ouvir o disparo. O laudo necroscópico, por sua vez, revelou que o tiro que vitimou Gisele foi dado com o cano da arma encostado do lado direito da cabeça.
Outro dado relevante é que o exame residuográfico, que busca resquícios de pólvora, deu negativo tanto para as mãos da soldado quanto para as do tenente-coronel Geraldo Neto. A Polícia Civil segue realizando exames para determinar quem apertou o gatilho.
Diante das incertezas, o 8º DP avalia a possibilidade de pedir a exumação do corpo de Gisele para esclarecer dúvidas sobre as circunstâncias de sua morte, o que dependeria de autorização judicial.
Afastamento e o Futuro da Investigação
O tenente-coronel Geraldo Neto pediu afastamento de suas funções na Polícia Militar, conforme comunicado pela corporação nesta terça-feira, 3 de março. A morte de Gisele Santana ocorreu em 18 de fevereiro.
Apesar das múltiplas evidências e do novo direcionamento da investigação, que passou de suicídio para morte suspeita, o tenente-coronel Geraldo Neto ainda não é formalmente considerado investigado pelas autoridades.
O casal vivia junto desde 2024, e a filha de Gisele, de sete anos, morava com eles, mas não estava no apartamento no momento do disparo. O coronel mencionou em boletim de ocorrência que as discussões eram motivadas por ciúmes dela.
Ele afirmou que surgiram boatos na Corregedoria da PM sobre ele ter amantes, e que o casal passou a dormir em quartos separados, guardando a arma em um armário de um dos cômodos.