Prisão de Filipe Martins: Entenda quem é o ex-assessor de Bolsonaro ligado à minuta do golpe e a polêmicas com o STF

A trajetória e as acusações que levaram Filipe Martins, ex-assessor especial de Jair Bolsonaro, a ser preso no Paraná após ordem do Supremo Tribunal Federal.

Filipe Martins, ex-assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro, foi detido no Paraná. A prisão cumpre uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), intensificando as investigações sobre sua participação em eventos cruciais da gestão anterior.

Ele é uma figura central em inquéritos que apuram tentativas de subverter a ordem democrática, incluindo a elaboração de um documento que ficou conhecido como a “minuta do golpe”. Sua detenção marca um novo capítulo nas apurações que envolvem o círculo mais próximo do ex-presidente.

A prisão de Filipe Martins reacende o debate sobre seu papel e influência no período, trazendo à tona detalhes de sua atuação e as diversas acusações que pesam contra ele, conforme informações divulgadas pelo g1.

Ascensão e papel no governo Bolsonaro

Nascido em Sorocaba, São Paulo, e com passagem por Votorantim, Filipe Garcia Martins Pereira iniciou sua jornada no governo Bolsonaro em janeiro de 2019. Sua nomeação como assessor especial para assuntos internacionais foi oficializada no Diário Oficial da União, logo no início do mandato do ex-presidente.

Martins é formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). No cargo, ele desempenhava um papel crucial como intermediário entre o então presidente e o Ministério das Relações Exteriores, atuando nos bastidores da diplomacia brasileira.

Além de sua função oficial, Filipe Martins também se apresentava nas redes sociais como professor de política internacional e analista político. Curiosamente, suas publicações cessaram após as últimas eleições presidenciais, com o último post datado de outubro de 2022.

O elo com a “minuta do golpe”

Uma das acusações mais graves contra Filipe Martins envolve sua suposta participação na elaboração da “minuta do golpe”. Segundo investigações da Polícia Federal, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid o apontou como o responsável por entregar a Bolsonaro o documento.

Este documento previa medidas de caráter inconstitucional, como a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a realização de novas eleições no país. Tais ações, na prática, configurariam um golpe de Estado, sem amparo legal.

A apuração da CPI revelou que Martins teria contado com assessoria jurídica de um professor de direito administrativo e constitucional para a confecção do texto. Bolsonaro, ao receber o documento das mãos de Filipe Martins, teria lido e solicitado alterações, decidindo manter apenas a prisão de Moraes e a convocação de um novo pleito eleitoral.

Polêmicas: Gesto racista e ocultação de presença

A trajetória de Filipe Martins também é marcada por outras controvérsias significativas. Em junho de 2021, ele foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) por um gesto que fez durante uma sessão no Senado, em março do mesmo ano.

O sinal de “OK” feito pelo ex-assessor foi interpretado como um símbolo utilizado por grupos extremistas e classificado como “uma verdadeira expressão da supremacia branca” pela Liga Antidifamação (ADL), uma organização norte-americana que monitora crimes de ódio.

O MPF-DF argumentou que Martins “agiu de forma intencional e tinha consciência do conteúdo, do significado e da ilicitude do seu gesto”, destacando ainda um “histórico de menções a símbolos de extrema-direita” por parte do ex-assessor.

Outra polêmica surgiu em 2021, quando a Polícia Federal informou ao STF sobre uma tentativa de ocultar a presença de Filipe Martins em depoimentos. Uma advogada teria tentado remover os registros oficiais de sua participação nas oitivas dos empresários norte-americanos Jason Miller, ex-assessor de Donald Trump, e Gerald Brant, amigo da família Bolsonaro, em um inquérito sobre milícias digitais.

Ideologia e alinhamento internacional

Filipe Martins era considerado parte da “ala ideológica” do governo Bolsonaro, com fortes laços com o escritor Olavo de Carvalho e gozando da confiança dos filhos do ex-presidente. Apesar de um momento em que sua exoneração foi considerada pelo Palácio do Planalto, ele permaneceu no cargo.

Ele era um fervoroso defensor de um alinhamento estratégico com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em 2019, Martins chegou a publicar uma foto ao lado de Trump, acompanhada da afirmação de que “uma aliança estratégica entre Brasil e EUA em torno de uma visão de mundo e de uma filosofia comuns será decisiva na defesa do Ocidente”.

Na mesma publicação, ele utilizou a expressão “Deus Vult!”, que significa “Deus quer”. Esta frase tem sido apropriada nos últimos anos por integrantes da extrema-direita, que a empregam para defender, entre outras coisas, a superioridade de grupos brancos, cristãos e conservadores em relação a outras comunidades, como os muçulmanos, inspirando-se em símbolos medievais e das cruzadas.

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