A saúde pública no Distrito Federal enfrenta um cenário preocupante, com a confirmação de que grandes projetos de infraestrutura não serão entregues conforme o prometido. A expectativa de ampliação da rede hospitalar, crucial para atender à demanda crescente, se transforma em frustração para milhares de cidadãos.
Cinco novos hospitais, que juntos somariam 704 leitos e representariam um investimento de mais de R$ 1,2 bilhão, não sairão do papel até o final do atual mandato. Essa realidade acende um alerta sobre o planejamento e a execução de políticas públicas essenciais para a capital.
Além dos hospitais, a situação das Unidades Básicas de Saúde, as UBSs, e das Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs, também é crítica, com poucas entregas e muitas obras atrasadas ou sequer iniciadas, conforme informações divulgadas pelo g1.
Onde Estão os Hospitais Prometidos? Um Cenário de Obras Paralisadas
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal admitiu que nenhum dos cinco hospitais prometidos pelo governador Ibaneis Rocha em 2022 será concluído até o fim de seu mandato. O custo total dessas obras ultrapassa R$ 1,2 bilhão, e a paralisação significa a perda de 704 novos leitos para a rede pública, um impacto significativo na capacidade de atendimento.
O Hospital do Recanto das Emas, por exemplo, teve apenas 3,09% de seu projeto executado, com um contrato de R$ 133,7 milhões. O governo aguarda a documentação técnica atualizada para prosseguir, mas o avanço é mínimo. A situação é similar para o Hospital Ortopédico do Guará, que está com apenas 2,19% do projeto concluído e um valor de contrato de R$ 174 milhões.
Outras três unidades sequer tiveram as obras iniciadas. O Hospital de São Sebastião, orçado em R$ 165,9 milhões, aguarda autorização da Caixa para a ordem de serviço. Já o Hospital Oncológico de Brasília Jofran Frejat, com um valor de licitação de R$ 374,1 milhões, tem a licitação prevista apenas para fevereiro de 2026, o que inviabiliza sua entrega no atual mandato.
Por fim, o Novo Hospital Regional do Gama, com valor estimado de R$ 360 milhões, também não foi iniciado e está na fase de elaboração da documentação técnica pela Novacap. A falta de progresso nessas construções dos hospitais prometidos por Ibaneis gera grande preocupação sobre a expansão da infraestrutura de saúde no DF.
A Promessa das UBSs e a Realidade das Entregas
O cenário de atrasos não se restringe apenas aos grandes hospitais. Das 18 Unidades Básicas de Saúde, as UBSs, prometidas para o segundo mandato de Ibaneis Rocha, apenas três foram entregues até o início de 2026.
As unidades concluídas são a UBS Tipo 2 de Santa Maria, com custo de R$ 10.614.613,54, a UBS Tipo 1 de Chapadinha, em Brazlândia, no valor de R$ 5.944.717,73, e a UBS Tipo 1 na Ponte Alta, que custou R$ 6.140.488,72. Essas entregas representam uma pequena parcela do que foi planejado, deixando muitas comunidades sem acesso facilitado à atenção primária.
Atualmente, apenas outras duas UBSs estão com obras em andamento: a UBS Tipo 2 no Incra 8, em Brazlândia, com 46,03% para conclusão e previsão para março de 2026, e a UBS Tipo 2 na Estrutural, com 73% para conclusão e previsão para maio de 2026. Os valores dessas obras são de R$ 11.995.160,89 e R$ 11.315.867,59, respectivamente.
Além disso, um número ainda maior, 19 UBSs, estão em fase de licitação ou documentação técnica, mas suas obras não foram iniciadas. Isso indica que a maioria das unidades prometidas permanece no papel, sem perspectiva de atendimento à população em curto prazo.
UPAs: Nenhuma Concluída no Segundo Mandato
A situação das Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs, também é preocupante. Nenhuma UPA foi concluída no segundo mandato do governador Ibaneis Rocha até o início de 2026. As últimas unidades entregues foram em 2021 e 2022, abrangendo Ceilândia II, Paranoá, Gama, Riacho Fundo II, Planaltina, Vicente Pires e Brazlândia.
No entanto, há seis UPAs atualmente em construção e uma em processo contratual. A UPA Águas Claras, com 78% para conclusão, e a UPA Água Quente, com 78,5% para conclusão, têm previsão de entrega para o segundo trimestre de 2026. A UPA Sol Nascente, com 84% para conclusão, e a UPA Estrutural, com 89% para conclusão, são esperadas para o primeiro semestre de 2026.
A UPA Guará, com 74% para conclusão, também tem previsão para o segundo trimestre de 2026. Já a UPA Taguatinga Sul, com 93,5% para conclusão, enfrenta paralisação devido a divergências de lote, com entrega prevista para o segundo semestre de 2026. A UPA Arapoanga, com obra ainda não iniciada e licitação em fase conclusiva, aguarda assinatura contratual.
Apesar de algumas estarem em estágios avançados, a ausência de novas entregas de UPAs no atual período de governo levanta questões sobre a capacidade de resposta emergencial à saúde no Distrito Federal, especialmente diante da demanda crescente por esses serviços.
"Apertar o Cinto" na Saúde em Meio a Atrasos Críticos
Em meio ao cenário de obras paralisadas e atrasos em **hospitais prometidos por Ibaneis**, UBSs e UPAs, o governador Ibaneis Rocha afirmou em janeiro que será necessário "manter o cinto apertado" nos gastos da Saúde neste ano. A declaração foi feita à TV Globo após questionamentos sobre o atraso no repasse de verbas para o Hospital da Criança, que chegou a fechar leitos de UTI e enfermaria em dezembro.
Ibaneis explicou que "o orçamento da Saúde não suportou todos os gastos", citando o uso da Fonte 100, dinheiro do orçamento que não estava inicialmente carimbado para a saúde. Ele também mencionou o aumento do preço de insumos e o desequilíbrio no contrato do IGES como fatores que contribuíram para a crise financeira na área.
Essa política de contenção de gastos, em um momento em que a rede de saúde pública necessita urgentemente de expansão e modernização, pode agravar ainda mais a situação. A população do Distrito Federal continua a aguardar as melhorias prometidas, enquanto a realidade mostra um panorama de desafios e promessas não cumpridas na infraestrutura de saúde.