A tragédia que tirou a vida da costureira Fabiana Cristina Lacerda Batista em Barrinha, SP
A cidade de Barrinha, no interior de São Paulo, foi palco de um crime que chocou a todos e colocou em evidência a fragilidade da proteção a mulheres vítimas de violência. No último sábado, dia 2 de março, Fabiana Cristina Lacerda Batista, uma costureira de 42 anos, foi brutalmente assassinada a tiros pelo ex-marido, Paulo Henrique Batista, da mesma idade.
A história de Fabiana, que havia se mudado para a cidade em busca de uma nova vida, é um retrato doloroso do feminicídio, um crime motivado pelo gênero que insiste em ceifar vidas de mulheres em todo o Brasil. Sua trajetória de luta, alegria e planos futuros foi interrompida de forma violenta, deixando amigos e familiares em luto profundo.
O caso, registrado como feminicídio e ameaça, está sendo investigado pela Delegacia Seccional de Sertãozinho, conforme informações divulgadas pelo g1.
Um recomeço cheio de planos e sorrisos, interrompido pela violência
Fabiana havia se mudado de Itaú de Minas (MG) para Barrinha há quase três meses, após a separação de Paulo, com quem foi casada por 25 anos. Segundo sua irmã Lorena, Fabiana vivia um dos momentos mais felizes de sua vida, cheia de planos e um sorriso constante.
“Não tinha um dia que ela não chegasse na minha casa sorrindo. Ela vinha na minha casa todo dia na hora do almoço e todo dia depois das 17h passava aqui. Sempre sorrindo, sempre sorrindo, sempre sorrindo diante de tudo que ela passou. E ela sempre falava que esses dois meses e meio estavam sendo os mais felizes da vida dela”, relatou Lorena à EPTV, afiliada da TV Globo.
A costureira estava reconstruindo sua vida, morando em uma casa com seu filho, trabalhando e planejando iniciar uma faculdade de educação física. Ela era uma pessoa ativa, que gostava muito de academia e sonhava com um futuro melhor, livre do relacionamento abusivo que a marcou por anos.
Histórico de violência e ameaças persistentes
Apesar de ter uma medida protetiva contra o ex-marido, o medo de Fabiana era constante. Paulo Henrique já havia sido preso por ameaçá-la com uma faca meses antes, mas foi solto um dia depois, em audiência de custódia. Essa decisão gerou na vítima um pavor de encontrá-lo nas ruas.
“Ela tinha esse medo, estava fazendo acompanhamento psiquiátrico, tomando medicação, tinha medo de andar em público, tinha crise de pânico no primeiro mês. Agora as coisas já estavam acalmando, estava com emprego, casa”, contou a irmã. Mesmo com a distância de 200 quilômetros entre as cidades, Paulo continuava a ameaçar Fabiana, enviando mensagens perturbadoras aos filhos do casal.
Em uma das mensagens, ele disse ao filho: “você não vai me ajudar a falar com a sua mãe? Você vai se arrepender do peso que você vai carregar o resto da sua vida, porque esse conto de fadas vai acabar. O final quem coloca sou eu, eu que sou o dono do meu destino, sou eu. Você vai ver o final épico que isso vai ter”. Essas palavras demonstram a premeditação e a violência psicológica que Fabiana enfrentava.
A emboscada fatal na noite de sábado
O crime aconteceu por volta das 20h de sábado, na Avenida Costa e Silva, no Jardim Paulista, em Barrinha. Fabiana acompanhava a irmã, que faria uma apresentação em um bar, quando foram abordadas por Paulo Henrique ainda dentro do carro. Câmeras de segurança flagraram o suspeito no local uma hora antes, indicando a premeditação do ataque.
Ele utilizava as redes sociais da irmã de Fabiana para monitorar seus passos. “Quando estacionei o carro, ele já veio em cima de mim, colocou a arma na minha cabeça, me agarrou pelos cabelos, me olhou com um olhar esbugalhado, me arrancou de dentro do carro, deu a volta do lado do passageiro pra tentar pegar ela, ela pulou pro meu lado, eu tenho a visão dela me olhando, um olhar de pavor. Enquanto ele atirava nela, gritava que a próxima era eu, a próxima era eu”, descreveu Lorena, em um relato angustiante.
Fabiana tentou se proteger, fechando a porta do carro por dentro, enquanto Lorena, em desespero, correu ao ouvir os tiros. A costureira foi atingida por pelo menos seis disparos e morreu no local. Paulo tentou fugir, mas foi impedido por pessoas que presenciaram o crime e o atropelaram. Ele foi encaminhado para a Santa Casa sob custódia, a arma do crime foi apreendida e o veículo periciado.
Luto e a busca por justiça
O corpo de Fabiana foi sepultado na segunda-feira, dia 4, em Itaú de Minas, sua cidade natal, sob forte comoção. A família e amigos clamam por justiça, esperando que o feminicídio de Fabiana não seja mais um caso de impunidade.
A história de Fabiana Cristina Lacerda Batista é um doloroso lembrete da urgência em proteger mulheres vítimas de violência e da necessidade de um sistema mais eficaz que garanta a segurança de quem busca um recomeço. Sua memória e seu sorriso, tão marcantes para quem a conhecia, permanecerão como um símbolo da luta contra a violência de gênero.