Detalhes da Operação Draft revelam a mecânica por trás da rachadinha que envolveu nomeação de assessores fantasmas e ocultação de bens.
A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou uma grande operação para desarticular um esquema de desvio de verbas públicas na Assembleia Legislativa do Estado, a Alepe. A investigação aponta para a prática de “rachadinha”, que resultou no desvio de impressionantes R$ 2,8 milhões de cofres públicos.
Este valor foi supostamente desviado entre os anos de 2015 e 2019, envolvendo a nomeação de assessores sem a devida prestação de serviços. Dois ex-deputados estão entre os envolvidos nas apurações, cujos nomes foram mantidos em sigilo para não comprometer o andamento das diligências.
Além dos desvios, a operação também resultou na apreensão de dinheiro em diferentes moedas e até barras de prata, além do bloqueio de bens e contas por determinação judicial, conforme informações divulgadas pelo G1.
Como Funcionava a “Rachadinha” na Alepe
A Polícia Civil detalhou o modus operandi do esquema, que se baseava na nomeação de assessores fantasmas para gabinetes na Alepe. Esses funcionários, que não prestavam serviço efetivo, eram obrigados a devolver a maior parte de seus salários ao grupo criminoso, caracterizando a prática ilícita da “rachadinha”.
De acordo com o delegado Juliano de Medeiros, responsável pela investigação, os salários desses assessores variavam entre R$ 6 mil e R$ 18 mil. Contudo, o acordo previa que os assessores fantasmas ficariam com apenas R$ 300.
O restante dos valores era repassado para os operadores do esquema. Essa engenharia financeira permitiu que os desvios chegassem à soma de R$ 2,8 milhões ao longo de quatro anos de atuação.
A Polícia Civil possui indícios de que os valores eram ocultados por meio de contas de laranjas. Isso incluía depósitos fracionados e operações financeiras simuladas, tudo para dificultar o rastreamento do dinheiro desviado.
A Operação Draft e as Provas Coletadas
Batizada de “Operação Draft”, a ação da Polícia Civil visa combater o peculato, que é o desvio de dinheiro público por funcionário que tem a posse ou acesso a ele. As investigações foram minuciosas, coletando provas robustas sobre a atuação do grupo criminoso no gabinete parlamentar da Alepe.
O delegado Juliano de Medeiros ressaltou a complexidade do caso, que exigiu um trabalho investigativo detalhado para desvendar as camadas de ocultação dos valores. A transparência das contas públicas foi comprometida por essas manobras, que lesaram o erário público de Pernambuco.
A não divulgação dos nomes dos envolvidos, incluindo os dois ex-deputados, faz parte da estratégia da polícia. O objetivo é garantir o sucesso das próximas etapas da investigação e assegurar que todos os responsáveis sejam devidamente processados e punidos pela justiça.
Apreensões e Ocultação de Valores
Durante a execução da Operação Draft, os policiais realizaram diversas apreensões que chamaram a atenção. Foram encontrados dinheiro em espécie em moeda estrangeira e, de forma incomum, barras de prata, indicando a tentativa de diversificar e ocultar o patrimônio ilícito.
O valor das barras de prata varia consideravelmente, com um quilo podendo custar entre R$ 10 mil e R$ 23 mil, conforme explicado pelo delegado Medeiros. Essas apreensões são cruciais, pois servem como evidências materiais do enriquecimento ilícito e da lavagem de dinheiro.
Todo esse patrimônio era proveniente da “rachadinha” na Alepe. Os bens e contas bloqueados por ordem judicial complementam a ação, impedindo que os envolvidos continuem a movimentar ou dissipar o dinheiro obtido ilegalmente. A investigação segue em frente, buscando identificar todos os elos da cadeia de desvio e ocultação de patrimônio.