Região de Campinas Alerta: Feminicídios Disparam em 2025, Superando Ano Anterior, e Especialistas Cobram Ações Urgentes de Prevenção e Educação

Com 23 vítimas em 2025, incluindo um caso recente em Indaiatuba, a escalada da violência contra a mulher exige mais que punição, mas um foco em conscientização e políticas públicas eficazes.

A região de Campinas enfrenta um cenário alarmante, com o número de feminicídios em 2025 já superando o total registrado em todo o ano anterior. Este aumento preocupante acende um alerta para a necessidade de ações mais robustas no combate à violência contra a mulher.

O assassinato de Vanessa dos Santos, ocorrido em Indaiatuba, que foi morta a facadas pelo ex-companheiro, marcou o 23º caso na área de cobertura do g1 Campinas neste ano, sendo que 11 desses crimes aconteceram nos últimos três meses.

A triste estatística revela uma escalada da violência que demanda atenção urgente e estratégias além do punitivismo, conforme informações divulgadas pelo g1 Campinas.

A escalada da violência e o apelo por prevenção

O 23º feminicídio na região de Campinas em 2025 já ultrapassa os 22 casos registrados em todo o ano de 2024. Para a advogada Jaqueline Gachet de Oliveira, especialista em defesa dos direitos das mulheres, esta realidade é diária e exige uma abordagem diferente.

Ela enfatiza que o punitivismo, por si só, não resolve o problema, pois “quando a gente está punindo alguém, é porque a sociedade já falhou. Uma mulher já morreu. A gente precisa se antecipar ao crime. Para isso, precisa de conscientização”.

A especialista defende que o trabalho essencial deve ser focado na educação das novas gerações e na conscientização das gerações atuais sobre o papel da mulher na sociedade, seus direitos e sua liberdade de escolha.

É crucial deixar claro que a busca por esses espaços não é uma afronta à posição masculina, mas sim a mulher ocupando o que lhe é de direito, sem julgamentos ou preconceitos.

Misoginia e o papel da educação

Jaqueline Gachet de Oliveira aponta um “retrocesso com relação ao comportamento dos homens para com as mulheres”, impulsionado pela disseminação de posicionamentos ultraconservadores e misóginos nas redes sociais. A misoginia, definida como atitude de desprezo e violência contra mulheres, manifesta-se em controle e humilhação.

A advogada defende a necessidade de políticas públicas voltadas para a educação, especialmente para uma geração que viveu a transição social. Ela ressalta que o machismo estrutural e a misoginia são carregados por gerações anteriores e fortalecidos por discursos nas redes sociais.

Para ela, seria fundamental criminalizar a misoginia, endurecendo o entendimento sobre a violência contra a mulher. “É um comportamento que tem que ser considerado crime antes mesmo da prática da violência em si”, explica a especialista.

Onde os crimes acontecem e o perfil das vítimas

Um levantamento realizado nas 31 cidades da área de cobertura do g1 Campinas mostra que dez delas registraram casos de feminicídio em 2025. A metrópole de Campinas lidera com oito vítimas, seguida por Mogi Guaçu (5) e Hortolândia (3).

Americana, Artur Nogueira, Indaiatuba, Itapira, Monte Mor, Paulínia e Serra Negra registraram um caso cada. Em 2024, Campinas também concentrou a maioria dos 22 casos em nove municípios, com nove vítimas.

As vítimas de feminicídio em 2025 na região tinham idades entre 15 e 74 anos. Em pelo menos 13 dos casos, os crimes ocorreram dentro de casa, como o de Vanessa, que foi atacada pelo ex-companheiro após deixar a filha na escola. O agressor, de 46 anos, não aceitava o fim do relacionamento.

Desafios e ações em Campinas

A advogada Jaqueline Gachet de Oliveira também destaca que, apesar de Campinas possuir uma rede de apoio às vítimas de violência, esta está concentrada na região central, “desamparando quem mora em regiões periféricas”.

Ela enfatiza que a cidade precisa expandir essa rede de proteção, considerando as diferentes realidades e classes sociais das mulheres. A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de Campinas, em nota, informou que está em articulação com a Secretaria de Saúde para ampliar os atendimentos do Centro de Referência e Apoio à Mulher (Ceamo) em postos de áreas com maior número de notificações.

A prefeitura também planeja implementar ações de conscientização nas escolas, com foco nos meninos, e abrir grupos de discussão para o público masculino em 2026. “O enfrentamento à violência contra a mulher exige a participação de toda a sociedade e estamos avançando de forma integrada, responsável e contínua para garantir proteção, conscientização e mudança cultural”, afirmou a nota.

Canais de denúncia e acolhimento

É fundamental que as vítimas de violência contra a mulher e seus familiares saibam onde buscar ajuda. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 190, da Polícia Militar, ou pelo 180, na Central de Atendimento à Mulher. A Guarda Municipal também oferece informações e apoio pelo 153.

Para atendimento presencial, as vítimas podem procurar as Delegacias da Mulher (DDM) de Campinas. A 1ª DDM, localizada na Av. Dr. Antônio Carlos Sáles Júnior, 310, Jardim Proença I, funciona das 9h às 17h. A 2ª DDM, na Rua Ferdinando Panattoni, 590, Jardim Pauliceia, está aberta 24 horas por dia.

Entre os serviços de acolhimento oferecidos pela prefeitura estão a Casa da Mulher Campineira, que oferece apoio psicossocial e orientação jurídica, e os Abrigos Sara-M e Santa Clara, espaços seguros para vítimas. O Ceamo é um centro especializado em acolhimento, e o Programa Guarda Amigo da Mulher (Gama) faz o acompanhamento de mulheres com medida protetiva. Há também o Botão SOS Gama, um aplicativo que permite acionar a Guarda em situações de risco, e a Sala Lilás, para acolhimento na base da Guarda Municipal.

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