Em Itararé, o descarte de caixões próximo à Estação de Tratamento de Água (ETA) gerou apreensão, porém a Sabesp garantiu que não há contaminação na água, enquanto o caso segue sob investigação.
A cidade de Itararé, no interior de São Paulo, foi palco de uma situação inusitada e alarmante recentemente. Moradores registraram em vídeos o descarte de caixões deteriorados em uma área próxima à Estação de Tratamento de Água (ETA) da Sabesp, levantando sérias preocupações sobre saúde pública e meio ambiente.
As imagens, que rapidamente circularam, mostram os resíduos funerários expostos ao ar livre, junto a peças de roupa e restos de poda de árvores. A proximidade com a ETA intensificou o temor de uma possível contaminação da água potável que abastece a região.
Diante da repercussão, a Sabesp, responsável pelo saneamento na cidade, veio a público para assegurar que o incidente não afetou a qualidade da água. O caso, conforme divulgado pelo g1, segue sob investigação da Prefeitura de Itararé e da Câmara Municipal.
A Descoberta Chocante e a Reação da População
Os vídeos que vieram à tona revelaram a gravidade do descarte de caixões, mostrando os itens cemiteriais em estado de decomposição, deixados sem qualquer tipo de proteção ou manejo adequado. A área onde o descarte ocorreu é sensível, dada sua proximidade com a infraestrutura de tratamento de água.
A administração municipal de Itararé, ao tomar conhecimento da situação, declarou que não compactua com o descarte irregular de itens funerários. Imediatamente, determinou a abertura de uma sindicância para apurar os fatos e identificar os responsáveis pela prática.
A Posição da Sabesp: Água Segura?
A principal preocupação dos moradores e das autoridades era a segurança da água. A Sabesp, em resposta às inquietações, afirmou categoricamente que o descarte de caixões não resultou em contaminação da água tratada na ETA de Itararé.
A empresa de saneamento busca tranquilizar a população, reforçando seu compromisso com a qualidade e a segurança do abastecimento. No entanto, a investigação em andamento é crucial para confirmar a ausência de riscos a longo prazo e garantir a conformidade com as normas sanitárias.
Investigações em Itararé: Prefeitura e Vereador em Ação
A Prefeitura de Itararé informou, ainda em janeiro, que o descarte de caixões foi realizado por um funcionário de uma empresa parceira da administração municipal, responsável por disponibilizar caçambas gratuitamente. Os resíduos foram colocados em uma caçamba lacrada, aguardando liberação para um aterro sanitário em Iperó (SP).
Contudo, o vereador Filipe Martins dos Santos (PSD) protocolou um pedido de abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara. Ele questiona a falta de um contrato específico entre a administração e uma empresa para a retirada desses materiais, levantando dúvidas sobre a legalidade do procedimento.
A prefeitura, por sua vez, esclareceu que a retirada dos caixões faz parte de uma prática rotineira para abrir espaço a novos sepultamentos. Segundo o município, as exumações ocorrem com autorização familiar ou judicial, e os ossos são devidamente identificados e encaminhados ao ossário.
Medidas Futuras e Segurança Ambiental
Para evitar superlotação no Cemitério Municipal e garantir a organização, a administração informou que adota um protocolo de notificação para famílias com túmulos abandonados ou com taxas pendentes. A medida visa otimizar os espaços e permitir novos sepultamentos.
Adicionalmente, a Secretaria de Meio Ambiente de Itararé está elaborando um protocolo de exumação. O objetivo é assegurar que o descarte de caixões e outros itens cemiteriais seja feito de forma adequada, seguindo as rigorosas normas sanitárias, ambientais e contratuais.
Caso a sindicância confirme irregularidades no processo de descarte, a prefeitura garantiu que serão adotadas as providências legais e administrativas cabíveis, reforçando a importância da conformidade com as regulamentações vigentes para a proteção da saúde pública e do meio ambiente.