Silvinei Vasques: Ex-Diretor da PRF Preso no Paraguai Após Condenação do STF por 5 Crimes de Tentativa de Golpe

A prisão de Silvinei Vasques no Paraguai interrompe sua fuga para El Salvador, enquanto o ex-diretor da PRF enfrenta uma condenação de mais de 24 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por crimes relacionados à tentativa de golpe de 2022.

O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso nesta sexta-feira (26) no Paraguai, ao tentar embarcar para El Salvador. A detenção ocorre após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 24 anos e 6 meses de prisão.

A condenação se deu por sua participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, evidenciando o envolvimento de Silvinei Vasques em ações que visavam subverter o resultado democrático do pleito.

A fuga de Silvinei Vasques, que incluiu o rompimento de sua tornozeleira eletrônica e a saída do Brasil sem autorização judicial, foi detalhada pelo diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, conforme informações divulgadas pelo g1.

A Prisão e a Tentativa de Fuga

Silvinei Vasques foi detido durante a madrugada no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, capital paraguaia. O destino final de sua viagem seria El Salvador, mas a ação rápida das autoridades frustrou a tentativa de evasão.

A Polícia Federal confirmou que o ex-diretor da PRF rompeu a tornozeleira eletrônica que utilizava, uma das medidas cautelares impostas a ele. Esta atitude, somada à saída do país sem permissão judicial, configurou uma clara violação das determinações da Justiça.

A prisão de Silvinei Vasques no Paraguai destaca a atuação contínua das forças de segurança para garantir o cumprimento das decisões judiciais, mesmo quando há tentativas de fuga internacional.

A Condenação no STF e os Cinco Crimes

A condenação de Silvinei Vasques pelo STF ocorreu em 16 de dezembro, como parte do julgamento do chamado núcleo 2 da organização criminosa que atuou na tentativa de golpe. A decisão unânime considerou sua culpabilidade em cinco crimes graves.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo penal, votou pela condenação de Silvinei Vasques e outros três réus. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e organização criminosa.

As investigações e o julgamento apontaram que Silvinei Vasques atuou de forma decisiva para monitorar autoridades e, principalmente, impedir a votação de eleitores no Nordeste. Ele utilizou operações da PRF no segundo turno das eleições de 2022 com fins políticos, buscando interferir no resultado do pleito.

As Penas e Outras Sanções Determinadas

Além da pena de 24 anos e 6 meses de prisão, em regime inicial fechado, e 120 dias-multa, Silvinei Vasques e os demais condenados receberam outras sanções significativas. Foi determinado o pagamento de uma indenização por danos coletivos de R$ 30 milhões, de forma solidária entre todos os réus.

A condenação por organização criminosa também resultou na inelegibilidade dos réus, com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sendo oficiado para as providências cabíveis. Para Silvinei Vasques, a decisão implicou ainda na perda do cargo público na PRF.

Outras determinações incluíram a comunicação ao Ministério Público Militar e ao Superior Tribunal Militar para iniciar o procedimento de declaração de indignidade para o oficialato de Mario Fernandes e Marcelo Câmara, além da suspensão dos direitos políticos enquanto durarem os efeitos da condenação.

Condenação Anterior por Improbidade

Antes do julgamento no STF, Silvinei Vasques já havia sido condenado na Justiça Federal do Rio de Janeiro. A condenação anterior se deu por uso político da estrutura da PRF durante a campanha eleitoral de 2022, em uma ação movida pelo Ministério Público Federal.

A Justiça reconheceu que ele utilizou símbolos, recursos e a visibilidade institucional da corporação para promover a candidatura do então presidente Jair Bolsonaro à reeleição. Essa conduta resultou em uma multa superior a R$ 500 mil, além de outras sanções cíveis.

Em 2023, Silvinei Vasques chegou a ser preso, mas foi solto posteriormente mediante medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, que ele viria a romper. Em dezembro de 2025, no mesmo dia em que o STF concluiu o julgamento da ação penal, ele pediu exoneração do cargo de secretário que ocupava em uma prefeitura de Santa Catarina.

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