A suspensão da linha de ônibus entre Petrolina e Juazeiro pegou usuários de surpresa, forçando gastos extras e a ANTT já identificou uma grave transferência irregular entre empresas.
A rotina de milhares de estudantes e trabalhadores que dependem da linha de ônibus entre Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia, foi abruptamente interrompida. Desde o dia 19 de janeiro, os veículos pararam de circular, deixando os passageiros sem aviso prévio e sem opções de transporte público.
A paralisação inesperada forçou muitos a recorrer a alternativas mais caras, como o transporte por aplicativo, gerando um impacto financeiro significativo e incerteza sobre a continuidade de seus compromissos. A situação tem gerado grande preocupação na região.
Diante do cenário, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) se manifestou, confirmando que a linha está regularmente autorizada para uma empresa, mas identificou uma transferência irregular da operação sem sua devida anuência, conforme informações divulgadas pelo g1.
Usuários Relatam Impacto Direto na Rotina e Orçamento
A interrupção da linha de ônibus tem causado transtornos diários para quem vive em uma cidade e trabalha ou estuda na outra. O estudante Igor Leonardo, morador do bairro Piranga, em Juazeiro, e aluno do IFSertãoPE em Petrolina, relata o choque ao tentar voltar para casa.
“Não teve aviso, eles cortaram o ônibus e não avisaram em lugar nenhum”, afirmou Igor, destacando a falta de comunicação. Ele precisou dividir um transporte por aplicativo com amigos para conseguir retornar, algo que não estava em seu orçamento.
Maria Clara Cruz, também estudante do IFSertãoPE e residente em Juazeiro, compartilha da mesma dificuldade. Para não perder as aulas, ela agora depende de aplicativos, elevando consideravelmente seus gastos diários.
“Ontem, para voltar para casa, foi R$ 19 e, às vezes, quando a gente é liberado mais cedo, a gente tem que pegar um ônibus de Petrolina e atravessar a ponte e eu ainda pego um ônibus do bairro. Fica muito puxado, porque é cansativo”, desabafou Maria Clara, evidenciando o cansaço e o custo.
A estudante Kathleen Torres expressa a preocupação crescente com o futuro. “O valor que eu gastava em um mês, eu estou gastando em uma semana. Mas, vai chegar um momento que vai estar fora do meu orçamento e eu não sei se eu vou conseguir vir ou se eu vou ter que atravessar a ponte a pé e estar pegando ônibus em Petrolina”, disse ela, mostrando a incerteza.
ANTT Aponta Transferência Irregular e Adota Medidas
Em nota oficial, a ANTT esclareceu que a linha interestadual entre Petrolina e Juazeiro está regularmente autorizada para operação pela empresa Joafra. No entanto, a agência não concedeu qualquer autorização para a empresa Atlântico Transportes operar essa mesma linha.
A ANTT informou que identificou uma ocorrência de transferência irregular entre as duas empresas, realizada sem a devida comunicação, anuência ou regularização junto à agência. Essa ação está em desacordo com a legislação vigente para o transporte de passageiros.
A agência garantiu que já adotou as providências necessárias para a apuração das responsabilidades. Além disso, medidas administrativas pertinentes serão tomadas para resolver a situação e restabelecer a regularidade do serviço, fundamental para a população.
Vale lembrar que, no início de dezembro de 2023, a Atlântico Transportes chegou a anunciar uma parceria com a Joafra para operar a linha. Na ocasião, houve um reajuste da tarifa, que passou a custar cinco reais, antes da atual suspensão de linha de ônibus Petrolina Juazeiro.
Empresas Envolvidas Permanecem em Silêncio
Até o momento, as empresas Atlântico Transportes e Joafra não se posicionaram publicamente sobre a transferência irregular da linha de ônibus mencionada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. A falta de comunicação aumenta a angústia dos usuários.
A comunidade local aguarda ansiosamente por uma solução para a suspensão da linha de ônibus Petrolina Juazeiro, que é vital para o deslocamento diário e a economia das duas cidades. A expectativa é que as autoridades e as empresas resolvam a questão o mais rápido possível.