Tarcísio de Freitas alerta: Fim da escala 6×1 sem apoio a empresas ameaça renda e formalidade do trabalhador, diz governador de SP ao G1

Governador de São Paulo alerta para os riscos do fim da escala 6×1, defendendo o equilíbrio entre direitos do trabalhador e a viabilidade econômica das empresas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, fez um alerta importante sobre as propostas de mudança na jornada de trabalho, incluindo o possível fim da escala 6×1. Ele enfatizou a necessidade de considerar os impactos sobre as empresas para evitar prejuízos aos próprios trabalhadores.

A pauta, que prevê a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1, tem ganhado força no Congresso Nacional e é uma das principais bandeiras do governo federal. Contudo, Tarcísio ressalta que a discussão precisa ser cuidadosa e estratégica.

Para o governador, alterações mal calibradas podem resultar em perda de renda e aumento da informalidade para os trabalhadores, conforme informações divulgadas pelo G1.

Equilíbrio Essencial para o Trabalhador e o Empregador

Durante a abertura da 40ª APAS Show, a maior feira do setor supermercadista do país, Tarcísio de Freitas questionou a falta de debate sobre a desoneração do empregador. Ele argumenta que “não adianta achar que vai cuidar do trabalhador sem cuidar do empregador”.

A preocupação central é que, embora todos desejem melhores condições de trabalho, uma mudança precipitada na escala 6×1 pode ter consequências indesejadas. O governador defende que é preciso garantir a sustentabilidade dos negócios e a geração de empregos.

Ele destacou que trabalhadores e empregadores fazem parte de um mesmo sistema econômico, e qualquer debate sobre redução de jornada deve levar em conta os custos, como os encargos trabalhistas pesados no Brasil. O objetivo é evitar sobrecarregar as empresas.

Risco de Perda de Renda e Informalidade com Fim da Escala 6×1

Tarcísio alertou que a redução da jornada de trabalho sem uma compensação econômica adequada pode levar o trabalhador a buscar alternativas para complementar sua renda. “A gente não pode enganar o trabalhador, essa é a grande questão”, afirmou.

O governador exemplificou que um trabalhador com jornada reduzida, mas com perda de poder de compra, não aproveitará o tempo livre com a família. Pelo contrário, “ele vai ter que perder o tempo livre fazendo bico pra garantir o mínimo de renda, e isso é extremamente preocupante”.

Essa situação, segundo Tarcísio, poderia empurrar mais pessoas para a informalidade, onde há falta de proteção social e de direitos trabalhistas, gerando um cenário de instabilidade financeira e desproteção para muitas famílias brasileiras.

Debate Sem Pressa: Opiniões no Cenário Político

O governador de São Paulo defendeu que o projeto sobre o fim da escala 6×1 não pode ser debatido com pressa. É crucial ouvir todas as preocupações para evitar consequências negativas como o desemprego, a falta de recursos no fim do mês e a elevação dos custos para as empresas.

Ele mencionou que o setor supermercadista paulista já adota, em muitos casos, escalas 5×2, mantendo a carga horária e garantindo renda e formalidade aos funcionários. Isso demonstra que há caminhos para aprimorar as condições de trabalho de forma sustentável.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, também presente no evento, reconheceu que a discussão sobre a jornada 6×1 já está no dia a dia dos trabalhadores. Ele afirmou que o governo buscará diálogo e as melhores soluções com o setor produtivo e os representantes dos trabalhadores.

Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, corroborou a preocupação empresarial e defendeu que o tema precisa amadurecer antes de qualquer decisão. Ele alertou para a complexidade jurídica e o impacto em contratos públicos, como as concessões, que poderiam ser afetados por mudanças na jornada.

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