Em Santos, o caso de Sidnei Alves Monteiro, técnico de enfermagem com 18 anos de carreira, que foi vítima de um estelionatário e acabou demitido.
Um incidente chocante em Santos, São Paulo, resultou na demissão de um técnico de enfermagem experiente após ele ser vítima de um sofisticado golpe. Sidnei Alves Monteiro, de 47 anos, viu sua carreira de 18 anos ser abruptamente interrompida.
A situação levanta importantes debates sobre a segurança de dados em ambientes hospitalares e a vulnerabilidade dos profissionais de saúde diante de criminosos cada vez mais elaborados.
O caso, que envolveu um falso médico e a exposição de informações de pacientes, foi divulgado pelo g1 e já gerou grande repercussão, com Sidnei buscando reverter a decisão judicialmente.
O Golpe do Falso Médico e a Armadilha
Sidnei Alves Monteiro, que atuava como técnico de enfermagem e instrumentador cirúrgico, recebeu uma ligação inusitada em seu ramal telefônico no dia 12 de dezembro. Do outro lado da linha, um homem se apresentou com o nome real de um médico do centro cirúrgico do hospital.
O golpista demonstrou ter informações privilegiadas, como os nomes completos de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que conferiu credibilidade à sua farsa. Ele solicitou a Sidnei numerações de prontuários, alegando necessidade administrativa.
Segundo Sidnei, ele não estava habituado a realizar serviços administrativos e não conseguiu encontrar uma secretária para auxiliar o suposto médico. Pressionado e sem desconfiar da má-fé, o técnico de enfermagem cedeu às exigências do criminoso.
O golpista, prestes a desligar, pediu o número de celular de Sidnei e solicitou que ele fotografasse as capas dos prontuários com os respectivos números. “Prestes a desligar o ramal, devido ao tempo que estava perdendo, o golpista pediu meu celular e pediu que eu fotografasse os prontuários com os números destes, e assim fiz inocentemente”, relatou Sidnei, conforme informações do g1. Ele enfatizou ter enviado apenas as capas, sem telefones dos pacientes.
A Demissão e a Luta por Justiça do Técnico de Enfermagem
A fraude foi descoberta quando o suposto médico tentou aplicar um golpe em uma das pacientes, que desconfiou do contato e alertou o hospital. Horas depois do ocorrido, Sidnei foi chamado pela gerência de enfermagem, onde seu nome foi associado à foto do prontuário enviada pelo golpista.
Em um ato de boa-fé, o técnico de enfermagem Sidnei Alves Monteiro explicou toda a situação, acreditando que auxiliaria nas investigações. Contudo, para sua surpresa e consternação, ele foi demitido por justa causa.
“De boa-fé, eu falei o que ocorreu. Pensei que iria ajudar na investigação e não ser mandado embora por justa causa”, afirmou Sidnei ao g1, questionando: “Minha carreira de 18 anos foi manchada por eu levar o golpe, eu sou o culpado pelo golpe?”.
A demissão impactou profundamente Sidnei, que se identifica como Pessoa Com Deficiência (PCD) com visão monocular, além de ser negro e pai de família. “Me sinto triste e abalado, pois sou PCD, tenho visão monocular e negro. Tenho ciência de que será difícil um novo emprego, sou pai de família e em pleno Natal fiquei desempregado”, lamentou ele.
Sidnei registrou um boletim de ocorrência (BO) por estelionato na Delegacia Eletrônica, encaminhado ao 2º Distrito Policial (DP) de Santos. Ele planeja entrar com um processo contra o hospital, buscando reverter a demissão e limpar seu nome.
O Que Diz o Hospital Beneficência Portuguesa
Em resposta ao incidente, o Hospital Beneficência Portuguesa emitiu um comunicado. A instituição confirmou o desligamento de Sidnei Alves Monteiro, citando o “descumprimento das normas internas, especialmente no que se refere à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às diretrizes institucionais de segurança da informação e do paciente”.
O hospital alegou que o ex-funcionário não só expôs dados pessoais de pacientes, mas também fotografou a tela do computador da instituição com a ficha do enfermo. Além disso, destacou que Sidnei passou a usar seu aparelho celular pessoal para manter contato com o suposto profissional, extrapolando suas atribuições.
A nota do hospital reforça que “qualquer informação sobre pacientes só é fornecida com sua devida autorização formal e pelo médico responsável”. A instituição garantiu que todos os procedimentos legais para apuração dos fatos foram realizados, com o direito do ex-funcionário de prestar esclarecimentos.
Investigações e o Futuro do Técnico de Enfermagem
O caso foi registrado como estelionato e está sob investigação do 2º Distrito Policial de Santos, conforme informado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). A vítima foi orientada sobre a necessidade de representação criminal para o prosseguimento das investigações.
A situação de Sidnei Alves Monteiro, um técnico de enfermagem que se viu em uma encruzilhada profissional e pessoal, ressalta a importância de protocolos rigorosos de segurança e a necessidade de treinamento contínuo para os colaboradores de hospitais, visando prevenir golpes e proteger dados sensíveis de pacientes.
Enquanto as investigações prosseguem, a luta de Sidnei por justiça e por sua reputação profissional se torna um alerta para outras instituições e profissionais da saúde.