Theresa Aihara, médica pioneira de 96 anos, e seu filho Edson, de 63, falecem em Suzano em um intervalo trágico, com a família protegendo-os da dor da perda mútua.
A cidade de Suzano foi palco de uma comovente história de despedida nos últimos dias, quando uma mãe e seu filho morrem em Suzano com menos de 24 horas de diferença, deixando a comunidade e a família em profundo luto.
A médica Theresa Oguime Aihara, de 96 anos, e seu filho, Edson Hirochi Aihara, de 63, partiram em um intervalo de tempo tão curto que a família tomou a difícil decisão de não contar a um sobre a morte do outro.
Essa medida visava poupar a matriarca de uma dor insuportável, conforme informações divulgadas pelo G1.
Os últimos dias e a difícil decisão da família
Edson Hirochi Aihara começou a apresentar cansaço dias antes de seu falecimento. Ele foi internado em Suzano no dia 24 de março e infelizmente veio a óbito no dia seguinte, no dia 25 de março.
Sua mãe, Theresa Oguime Aihara, também estava debilitada. Ela enfrentava um quadro de infecção urinária e se alimentava por meio de sonda, indicando uma saúde frágil nos seus últimos dias.
Após a morte de Edson, os familiares optaram por não informar Theresa sobre a perda do filho, buscando evitar que ela ficasse ainda mais abalada com a notícia.
Fábio Hajime Aihara, outro filho de Theresa, expressou a dor e o conforto da situação: “Os últimos dias têm sido os mais difíceis da minha vida e, ao mesmo tempo, os mais felizes. Perder meu irmão e minha mãe quase no mesmo dia é muito doloroso, mas me conforta saber que nenhum dos dois teve a oportunidade de saber da morte do outro”.
Ambos foram velados no Velório Municipal de Suzano e sepultados no Cemitério São Sebastião, onde amigos e familiares puderam prestar as últimas homenagens a essa mãe e filho que partiram quase juntos.
Um amor que transcendeu laços sanguíneos em Suzano
A relação de Theresa com o arquiteto Fernando Masaeoshe Yamasaki demonstra a capacidade de amor e acolhimento da médica. Fernando, considerado “filho do coração” de Theresa, encontrou nela o refúgio materno após perder sua mãe biológica aos nove anos.
Ele relembra com carinho: “Como nossas famílias eram muito amigas, eu a intitulei como mãe. Ela me tratava como filho, morávamos em casas separadas, mas estávamos sempre em contato. Eu e os filhos dela fomos criados como irmãos. O nosso sentimento era algo fora do comum, a gente se amava muito”.
Essa conexão profunda ressalta o impacto que Theresa Aihara teve na vida de muitas pessoas em Suzano, construindo laços familiares que iam além dos laços de sangue.
A relação especial entre mãe e filho
Fernando também destacou a forte ligação entre Theresa e Edson, descrevendo-os como inseparáveis. “Edinho era um menino muito talentoso para estética. Ele se realizava cuidando da mãe: pintava o cabelo dela, fazia a maquiagem e escolhia as roupas. Eles tinham uma relação muito especial”, contou.
Essa dedicação mútua demonstra o carinho e o cuidado que permeavam a vida dessa mãe e filho em Suzano, tornando a partida de ambos ainda mais tocante para quem os conhecia.
Fábio, em meio à dor, expressou um desejo profundo: “Se me perguntassem o que eu queria agora, seria passar mais cinco minutos com o meu irmão e a minha mãe”.
O legado de Theresa Aihara em Suzano
Theresa Oguime Aihara mudou-se para Suzano em 1938, onde construiu sua família e exerceu a medicina por longos anos, marcando a história da cidade.
Mãe de dois filhos e viúva há 27 anos, Theresa não teve netos, mas sua alegria e elegância eram notáveis. Fernando a descreve como “uma pessoa muito festiva, amava fazer festas e sempre foi muito elegante. Também acordava cedo, tinha hábitos saudáveis e amava viajar”.
Fábio reverencia a mãe como uma grande inspiração: “Sempre apaziguadora, minha mãe viveu para cuidar dos outros. Foi a primeira médica de Suzano e manteve esse legado por 60 anos. Ela é minha grande inspiração”. Sua contribuição para a saúde em Suzano foi imensa e duradoura.