A influenciadora Bianca Andrade, a Boca Rosa, surpreendeu seus seguidores ao mostrar o crescimento dos fios após um transplante de sobrancelha, um procedimento que vem ganhando destaque para quem busca um olhar mais preenchido e natural.
A revelação da influenciadora e empresária Bianca Andrade, conhecida como Boca Rosa, sobre ter realizado um transplante de sobrancelha, trouxe à tona um procedimento estético que tem crescido em popularidade.
Ela compartilhou em suas redes sociais o momento em que fez o primeiro design após a cirurgia, impressionada com o crescimento dos fios.
Mas, afinal, como funciona o transplante de sobrancelha, quais são os riscos e para quem ele é indicado? O g1 conversou com dermatologistas para esclarecer essas e outras dúvidas sobre o tema.
O que é o Transplante de Sobrancelha e para quem é recomendado?
O transplante de sobrancelha é uma cirurgia de autotransplante que visa restaurar ou aumentar a densidade dos fios. A dermatologista Sarah Thé Coelho, especialista em estética e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que não é uma necessidade universal, mas uma “ótima indicação em casos de perda definitiva dos fios, falhas estáveis ou insatisfação estética persistente”.
Antes de optar pelo procedimento, é fundamental investigar a causa da rarefação, pois muitas situações podem ser resolvidas com alternativas clínicas. Os especialistas indicam o transplante para casos de falhas estáveis, excesso de depilação ou laser, cicatrizes, queimaduras, traumas, alguns casos de rarefação permanente e alopecia de sobrancelha, desde que a doença esteja controlada.
O tricologista Pedro Henrique de Almeida acrescenta que o procedimento também pode ser procurado por pacientes que nasceram com um formato de sobrancelha que não os agrada, buscando uma moldura facial mais definida.
Como é feito o procedimento e quais os riscos?
Na prática, o transplante de sobrancelha é uma cirurgia que envolve a seleção de folículos do próprio paciente, geralmente do couro cabeludo, preferencialmente de áreas com fios mais finos e compatíveis. Esses enxertos são então implantados um a um na sobrancelha, respeitando o desenho, a direção, a angulação e a distribuição dos fios.
A dermatologista Sarah Thé Coelho enfatiza que essa etapa é “extremamente delicada”, pois a sobrancelha exige que os fios nasçam bem rentes à pele e sigam uma orientação muito específica, onde pequenos erros técnicos ficam muito aparentes. A implantação é feita com anestesia local e sedação endovenosa para garantir o conforto do paciente, segundo Almeida.
A técnica mais utilizada globalmente e no Brasil para transplante capilar e de sobrancelhas é a FUE, sigla para “Follicular Unit Extraction”.
Os riscos cirúrgicos gerais incluem edema, hematoma, dor, crostas e infecção. No entanto, os problemas mais relevantes no transplante de sobrancelha são frequentemente estéticos e técnicos, como assimetria, baixa densidade, direção errada dos fios, curvatura inadequada e um aspecto artificial. “O principal problema é a sobrancelha ficar ‘denunciando’ o procedimento”, alerta Coelho.
Contraindicações e o crescimento contínuo dos fios
O transplante de sobrancelha não é recomendado para todos. Ele é contraindicado em casos de doença ativa na região, inflamação não controlada, alopecia cicatricial em atividade, alopecia areata instável, infecção local, tricotilomania sem controle, expectativas irreais ou pouca área doadora adequada. “Em doenças inflamatórias ou autoimunes ativas, o transplante pode ter um resultado ruim ou temporário”, destaca Coelho.
Um aspecto crucial a ser compreendido é que os fios transplantados, por virem do couro cabeludo, mantêm parte do comportamento biológico do cabelo. Isso significa que eles continuam crescendo e podem ser mais rápidos que os fios naturais da sobrancelha, especialmente nos primeiros meses. É comum que caiam nas primeiras semanas e depois comecem a crescer novamente, parte do processo normal.
O resultado final não é imediato, podendo levar de 6 a 12 meses para uma avaliação mais definitiva, e uma segunda sessão pode ser necessária para refinamento. Sarah Thé Coelho explica que, embora seja uma solução duradoura, “permanente” não significa “imutável”, pois a causa da perda dos fios ainda ativa pode comprometer o resultado a longo prazo.
Na maioria dos casos, o paciente precisará aparar e modelar os fios transplantados com frequência, pois eles podem crescer mais e ter tendência a curvar ou apontar em uma direção diferente da ideal, como observa Coelho. Alguns médicos afirmam que a adaptação dos fios pode ocorrer após dois anos.
Alternativas e quando a micropigmentação é indicada
Antes de considerar o transplante de sobrancelha, é essencial investigar a causa da falha. Quando ainda existe folículo viável, tratamentos clínicos podem ser eficazes. Entre as opções com melhor respaldo estão a bimatoprosta e o minoxidil tópico em casos selecionados. Na alopecia areata, a infiltração com corticosteroide pode ser usada.
O transplante é mais indicado quando há perda estável, pouca resposta ao tratamento clínico ou destruição definitiva do folículo. Tratamentos orais e intradermoterapia também podem ser efetivos se ainda houver um fio viável na região, conforme o tricologista Pedro Henrique de Almeida.
A micropigmentação surge como uma alternativa importante, especialmente quando a principal queixa é o desenho ou a simetria, e a pessoa busca um efeito visual sem cirurgia. Ela é indicada para quem não tem indicação cirúrgica, como área doadora inadequada, doença de base ou alopecia cicatricial, ou simplesmente não deseja passar pelo pós-operatório.
A limitação da micropigmentação é que ela não repõe o pelo de verdade, criando apenas uma ilusão óptica. Assim, para quem busca fios de verdade e uma textura natural, o transplante de sobrancelha oferece um resultado mais biológico e tridimensional.