A exigência de um acordo de paz até o verão americano intensifica-se, enquanto Kiev e Moscou mantêm posições inflexíveis sobre territórios e infraestrutura crítica.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, revelou que os Estados Unidos, sob a administração Trump, estabeleceram um prazo até junho para que a Rússia e a Ucrânia cheguem a um acordo e encerrem o conflito que já dura quase quatro anos. A notícia surge em meio a crescentes tensões e ataques persistentes à infraestrutura energética ucraniana.
A iniciativa americana visa acelerar as negociações de paz, que frequentemente esbarram em exigências territoriais russas, consideradas inaceitáveis por Kiev. A pressão diplomática se intensifica para encontrar uma solução duradoura para a guerra Rússia Ucrânia.
Estas informações foram divulgadas por Volodymyr Zelensky a jornalistas, conforme reportagem da Associated Press veiculada pelo G1.
Prazo e Pressão Diplomática
Volodymyr Zelensky afirmou que os Estados Unidos estão propondo que as partes encerrem a guerra até o início do verão. Ele acrescentou que o governo Trump provavelmente pressionará ambos os lados para que cumpram o prazo até junho estabelecido. "Os americanos estão propondo que as partes encerrem a guerra até o início do verão e provavelmente pressionarão as partes exatamente de acordo com esse cronograma", declarou Zelensky a jornalistas na sexta-feira (6), em comentários publicados no sábado.
O presidente ucraniano reforçou a seriedade da proposta. "E eles dizem que querem fazer tudo até junho. E farão de tudo para acabar com a guerra. E querem um cronograma claro de todos os eventos", detalhou. A expectativa é que essa movimentação intensifique as discussões e force os países a buscarem um consenso, apesar dos desafios persistentes.
Obstáculos nas Negociações e Propostas Econômicas
As negociações entre Ucrânia e Rússia têm enfrentado grandes impasses, principalmente devido à exigência russa de que a Ucrânia ceda territórios, como o leste do país, conhecido como Donbass, e a península da Crimeia. Kiev se recusa veementemente a sequer discutir essa condição, o que tem travado qualquer avanço significativo nas negociações de paz.
Zelensky mencionou que os EUA propuseram realizar a próxima rodada de negociações trilaterais em solo americano pela primeira vez, provavelmente em Miami, com a Ucrânia já tendo confirmado sua participação. Além disso, o líder ucraniano revelou que a Rússia apresentou aos EUA uma proposta econômica de US$ 12 trilhões, que ele apelidou de "Pacote Dmitriev", em referência ao enviado russo Kirill Dmitriev. Acordos econômicos bilaterais com os EUA fazem parte de um processo de negociação mais amplo.
Ataques Contínuos à Infraestrutura Energética
Enquanto as discussões diplomáticas avançam, os ataques russos à infraestrutura energética ucraniana continuam implacáveis. Zelensky informou que mais de 400 drones e cerca de 40 mísseis foram lançados durante a noite de sábado, visando a rede elétrica, instalações de geração e redes de distribuição em seu país, um ponto crucial na guerra Rússia Ucrânia.
A Ukrenergo, operadora estatal de transmissão de energia, classificou o ataque como o segundo em massa à infraestrutura energética desde o início do ano. Oito instalações em oito regiões foram atingidas, forçando usinas nucleares a reduzirem a produção. "Como resultado dos ataques com mísseis a subestações de alta tensão essenciais que garantiam a produção de unidades de energia nuclear, todas as usinas nucleares nos territórios sob controle foram forçadas a reduzir sua carga", afirmou a Ukrenergo em comunicado. O déficit de energia aumentou "significativamente", prolongando os cortes de energia em todas as regiões da Ucrânia.
Impasses em Abu Dhabi e Futuro das Conversas
O prazo até junho dado pelos EUA surge após negociações trilaterais mediadas pelos americanos em Abu Dhabi, que não resultaram em avanços. As partes em conflito mantiveram exigências mutuamente excludentes. A Rússia pressiona a Ucrânia a se retirar do Donbass, onde os combates persistem intensos, uma condição que Kiev reiterou que jamais aceitará.
"Questões difíceis continuam difíceis. A Ucrânia reafirmou suas posições sobre a questão do Donbas. ‘Mantemos nossa posição’ é o modelo mais justo e confiável para um cessar-fogo hoje, em nossa opinião", disse Zelensky. Ele reiterou que os tópicos mais complexos seriam reservados para uma reunião trilateral entre os líderes. Não houve consenso sobre a gestão da usina nuclear de Zaporizhzhia, controlada pela Rússia, e Zelensky expressou ceticismo sobre a proposta dos EUA de transformar a região do Donbas em uma zona econômica especial.
Zelensky mencionou que, na última rodada de negociações, foi discutido como um cessar-fogo seria monitorado tecnicamente, com os EUA reafirmando seu papel nesse processo. Os EUA também propuseram novamente um cessar-fogo que proíba ataques à infraestrutura energética. A Ucrânia está pronta para respeitar essa pausa se a Rússia se comprometer. Contudo, o presidente ucraniano lembrou que, em uma ocasião anterior, Moscou violou uma pausa de uma semana sugerida pelos EUA após apenas quatro dias.