Urgência Global: Países Aceleram Repatriações de Milhares de Cidadãos Retidos no Oriente Médio Após Conflito e Espaço Aéreo Fechado

A escalada do conflito entre Israel, EUA e Irã paralisou voos comerciais, deixando estrangeiros em situação delicada e ativando planos de resgate em massa.

Uma onda de preocupação se espalha globalmente à medida que diversos países intensificam os esforços para repatriar seus cidadãos que se encontram retidos no Oriente Médio. A situação é resultado da escalada do conflito na região, que levou ao fechamento parcial do espaço aéreo e à suspensão de voos comerciais.

Milhares de estrangeiros foram pegos de surpresa, com suas viagens interrompidas e poucas opções para retornar para casa. Governos de todo o mundo estão agora avaliando e implementando alternativas para garantir a segurança e o retorno de seus nacionais em meio à crise.

A interrupção dos voos e a incerteza geopolítica criam um cenário complexo, exigindo coordenação diplomática e logística para lidar com esta emergência humanitária, conforme informação divulgada pelo G1.

Esforços Intensificados para Repatriar Cidadãos

A Austrália, por exemplo, através de sua ministra das Relações Exteriores, Penny Wong, confirmou negociações com companhias aéreas para auxiliar cerca de 115 mil australianos na região. Contudo, Wong indicou que a opção mais viável é aguardar a retomada dos voos comerciais, dada a dificuldade de evacuação com o espaço aéreo restrito.

A Áustria já agiu, ajudando 117 cidadãos vulneráveis a sair dos Emirados Árabes Unidos e Israel via países vizinhos. Um voo fretado é esperado de Mascate, Omã, para transportar 170 pessoas. As autoridades austríacas, porém, alertam para os riscos das saídas por terra, que ocorrem por conta e risco dos viajantes.

Bélgica e Bulgária também estão em movimento. O governo belga anunciou o envio de aeronaves militares ao Oriente Médio para repatriar seus civis, enquanto a Bulgária iniciará voos de evacuação para aproximadamente 300 cidadãos retidos em Omã e nos Emirados Árabes Unidos a partir desta quarta-feira.

Planos Detalhados de Repatriação por País

A França planeja diversos voos de repatriação nesta quarta-feira, com cerca de 400 mil franceses na região. Equipes consulares foram posicionadas nas fronteiras de Israel com Egito e Jordânia, e nos Emirados Árabes Unidos, nas fronteiras com Omã e Arábia Saudita, para facilitar as saídas por terra, onde o espaço aéreo permanece aberto em algumas áreas.

A Alemanha fretará dois voos da Lufthansa, um de Riad e outro de Mascate, priorizando cidadãos considerados mais vulneráveis, como crianças, grávidas e pessoas com deficiência. A operadora de turismo TUI também busca repatriar milhares de passageiros de cruzeiros por meio de companhias do Golfo, como Emirates, Etihad e Qatar Airways.

A Grécia já recebeu um voo da Aegean com cidadãos vindos de Omã, e o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis assegurou que o país tem um plano para repatriar milhares de nacionais. A Hungria programou voos de repatriação de Amã e Sharm el-Sheikh para esta quarta e quinta-feira, com capacidade para até 90 passageiros por aeronave.

A Itália conseguiu repatriar 127 italianos de Omã, que haviam sido transferidos de Dubai, em um voo fretado que pousou em Roma na noite de segunda-feira. Passageiros relataram que a embaixada italiana ajudou no retorno, e um deles afirmou ter pago cerca de 1.500 euros pela passagem.

As Filipinas, com mais de 2,4 milhões de filipinos vivendo e trabalhando no Oriente Médio, incluindo 31 mil em Israel e 800 no Irã, registraram mais de mil trabalhadores migrantes solicitando repatriação. O presidente Ferdinand Marcos Jr. pediu que os cidadãos busquem locais seguros e prometeu voos de repatriação quando as condições de segurança permitirem.

A Romênia já repatriou mais de 300 romenos do Cairo na segunda-feira, após deixarem Israel por terra. O governo informou ter recebido mais de 3 mil pedidos de repatriação, com aproximadamente 16 mil cidadãos do país registrados na região. A Sérvia também trouxe 67 passageiros de Sharm el-Sheikh, todos evacuados de Israel.

A Eslovênia organizou quatro ônibus escoltados pela polícia para levar cidadãos eslovenos e famílias com crianças de Dubai ao aeroporto de Mascate, em Omã. O primeiro voo foi realizado na noite de terça-feira, e outros dois estão previstos para quarta-feira.

A Espanha recebeu mais de 175 espanhóis na terça-feira à noite em um voo vindo de Abu Dhabi. Novos voos são esperados a partir dos Emirados Árabes Unidos, com conexão via Istambul. A Espanha também reforçou suas embaixadas nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã e Bahrein para prestar apoio e facilitar novas repatriações.

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que a autoridade de aviação civil começará a operar “voos especiais” nos aeroportos do país para ajudar parte das dezenas de milhares de passageiros retidos a deixar a região. O Reino Unido, com cerca de 130 mil britânicos registrados no Oriente Médio, fretou voos de Omã para a noite de quarta-feira e manhã de quinta-feira, com prioridade para cidadãos vulneráveis que desejam deixar a região.

Países com Planos Diferenciados ou Sem Ação Imediata

Nem todos os países têm planos imediatos de repatriação. A Holanda informou que não tem intenções de organizar voos especiais, embora um voo da KLM vindo de Omã tenha pousado em Amsterdã com 93 holandeses e alguns passageiros da Bélgica e de Luxemburgo.

A Suíça, por sua vez, afirmou que não organizará evacuações para os 4.400 viajantes e 35 mil residentes na região. O Departamento de Estado dos Estados Unidos recomendou que americanos deixem imediatamente mais de uma dúzia de países do Oriente Médio, utilizando opções comerciais disponíveis e registrando-se no programa oficial de monitoramento consular.

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