Ondas de Libertação Marcam Cenário Político Venezuelano Pós-Maduro
A Venezuela vive um momento de significativa movimentação política com a libertação de proeminentes figuras da oposição. Neste domingo, 11 presos políticos foram soltos, incluindo o advogado Perkins Rocha e Juan Pablo Guanipa, ambos próximos da líder opositora María Corina Machado. As libertações ocorrem em um cenário de transição, com uma presidência interina em vigor após a captura de Nicolás Maduro.
Este processo de desencarceramento tem gerado grande expectativa e debate sobre o futuro democrático do país. A oposição e grupos de direitos humanos intensificam a pressão por uma anistia abrangente, que possa trazer de volta à liberdade todos aqueles considerados presos políticos.
Desde 8 de janeiro, quando o governo interino anunciou o início de uma nova série de libertações, um total de 383 presos políticos já foram soltos, conforme informações divulgadas pelo grupo de direitos humanos Foro Penal e reportadas pelo G1.
Figuras Chave da Oposição Recuperam a Liberdade
A libertação de Juan Pablo Guanipa, de 61 anos, ocorreu neste domingo, um mês após a presidência interina do país anunciar o processo de desencarceramentos. Sua soltura acontece às vésperas de uma votação no Parlamento venezuelano sobre uma lei de anistia geral, proposta pela presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro.
O filho de Juan Pablo, Ramón Guanipa, compartilhou a notícia no X, afirmando: “Anuncio que meu pai foi solto há alguns minutos. Depois de mais de oito meses de uma prisão injusta, e de mais de um ano e meio separados, toda a nossa família poderá voltar a se abraçar em breve”. Juan Pablo Guanipa, que foi vice-presidente do Parlamento, também publicou um vídeo confirmando sua liberdade e prometendo “muito o que falar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade em primeiro lugar”.
Junto a Guanipa, o advogado e coordenador político da oposição, Perkins Rocha, também foi libertado. A família de Rocha emitiu um comunicado celebrando sua soltura neste domingo. Rocha representava o Comando Nacional de Campanha de Corina Machado e Edmundo González perante o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
Acusações, Prisão e o Apelo por Justiça
Juan Pablo Guanipa foi preso em 23 de maio de 2025, sob a acusação de estar envolvido em uma suposta conspiração contra a eleição de governadores e deputados para o Parlamento. Ele passou meses foragido, fazendo sua última aparição pública em 9 de janeiro de 2025, quando acompanhou Corina Machado em um ato contra a posse de Maduro após as eleições de 28 de julho de 2024, que a oposição denunciou como fraudulentas.
Guanipa foi acusado de terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio. Apesar das libertações, seu filho Ramón ressaltou que “ainda há centenas de venezuelanos presos injustamente. Exigimos a libertação imediata, plena e incondicional de TODOS os presos políticos”. Perkins Rocha, por sua vez, foi preso em 27 de agosto de 2024, em um contexto de repressão contra a oposição.
Repercussão da Oposição e a Luta por Liberdade Plena
A líder da oposição, María Corina Machado, celebrou a libertação de Guanipa, uma figura-chave em seu movimento. Em sua conta no X, Machado escreveu: “Meu querido Juan Pablo, contando os minutos para poder te abraçar! Você é um herói, e a história SEMPRE o reconhecerá. Liberdade para TODOS os presos políticos!!”.
Familiares e ONGs têm denunciado a lentidão das libertações, que foram anunciadas pelo governo interino sob pressão dos Estados Unidos. Ainda permanecem detidos colaboradores de Corina Machado, como Freddy Superlano, que foi preso em julho de 2024. Superlano havia sido inabilitado após vencer o governo do estado de Barinas em 2021, um antigo reduto do chavismo.
O ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, atualmente exilado em Madri, também se manifestou após a soltura de Guanipa, exigindo “a liberdade plena e imediata de todas as pessoas presas por razões políticas”. González Urrutia, que alega ter vencido as eleições de 2024 contra Nicolás Maduro, alertou no X: “Estas solturas não equivalem à liberdade plena. Enquanto os casos seguirem abertos, e persistirem medidas restritivas, ameaças e vigilância, a perseguição continua. A justiça não se satisfaz com saídas parciais nem condicionadas”.