Vitória Rompe Ciclo de Violência: 600 Dias Sem Feminicídios Graças a Tecnologia e Ações de Proteção à Mulher

A Capital Capixaba Contraria a Triste Realidade Nacional ao Investir em Ferramentas Como o Botão Maria da Penha e Centros de Acolhimento, Fortalecendo a Segurança e o Apoio às Mulheres Vítimas de Violência

Vitória, a capital do Espírito Santo, alcança uma marca histórica na luta contra a violência de gênero, completando 600 dias sem registrar feminicídios. Este feito notável coloca a cidade em um caminho oposto à tendência nacional, onde o país registrou um recorde de casos em 2025, com a alarmante média de quatro mulheres mortas por dia.

O último feminicídio documentado na capital capixaba, conforme informações divulgadas pelo g1, ocorreu em 8 de junho de 2024. Desde então, um esforço conjunto e contínuo entre a prefeitura, o Poder Judiciário e as forças de segurança tem sido fundamental para essa conquista.

As estratégias adotadas em Vitória combinam tecnologia de ponta com um acolhimento humanizado, criando uma rede de proteção eficaz que serve de modelo para outras cidades brasileiras no combate à violência contra a mulher.

Tecnologia a Serviço da Vida: O Botão Maria da Penha em Ação

Um dos pilares dessa bem-sucedida estratégia é a utilização da tecnologia, com destaque para o Botão Maria da Penha. Essa ferramenta, em funcionamento desde 2016, é disponibilizada para mulheres que possuem medida protetiva e são classificadas com maior risco de vida.

Atualmente, 33 mulheres em Vitória contam com o dispositivo. Quando acionado, o botão envia a localização da mulher em tempo real para a Guarda Municipal, dispara um alarme na Central de Monitoramento e alerta as equipes de rua, transformando a ocorrência em prioridade máxima.

A Guarda Municipal de Vitória também realiza um acompanhamento próximo das mulheres que utilizam o dispositivo. As equipes verificam a rede de apoio da vítima, explicam o funcionamento da tecnologia e realizam patrulhas preventivas para garantir a segurança.

A comandante da Guarda de Vitória, Dayse Barbosa, ressalta a prontidão da equipe: “A Guarda Municipal passa por uma requalificação anual. Então, todo nosso efetivo tem condição de atender a ocorrência e não revitimizar a mulher”. Essa capacitação constante assegura um tempo de resposta ágil e um atendimento sensível.

Um exemplo da eficácia do botão foi quando uma mulher que o possuía denunciou a fuga do agressor, informando a placa do carro. Graças às câmeras de monitoramento, foi possível identificar a rota do indivíduo, que foi abordado e preso, demonstrando a importância da integração entre tecnologia e ação policial.

Além da resposta a emergências, a Guarda Municipal também atua preventivamente, realizando trabalhos de conscientização em espaços públicos como praças, escolas e EJAs. O objetivo é que a população se informe e que as mulheres possam se reconhecer como vítimas e buscar ajuda, fortalecendo a rede de proteção à mulher.

Prevenção e Acolhimento Humanizado na Casa Rosa

Outro pilar fundamental na redução dos feminicídios em Vitória é o trabalho de prevenção e acolhimento realizado na Casa Rosa. Este centro especializado, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, oferece cerca de 400 atendimentos por mês a mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade.

No espaço, uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais oferece serviços de saúde e apoio integral. A subsecretária de atenção à saúde de Vitória, Patrícia Vêdova, explica o propósito do local: “Hoje a Casa Rosa está aberta para fazer o acolhimento não só às vítimas, mas também às pessoas que têm ou percebem em algum momento que estão sofrendo esse trauma (violência). Então estamos abertos para acolher e até entender o que a mulher acha que pode ser um possível trauma”.

Além do suporte psicológico e social, a Casa Rosa também é uma referência em prevenção e assistência a Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e na Profilaxia Pós-Exposição Sexual (PEP). O centro auxilia as vítimas em um processo de ressignificação do trauma, direcionando-as a outros serviços municipais para capacitação profissional ou retorno aos estudos, promovendo sua autonomia.

O acesso aos serviços da Casa Rosa pode ser feito por demanda espontânea ou por encaminhamentos da rede pública. Para contato, os telefones são (27) 3332-3290 e (27) 99773-5393, e-mails savviolencia@vitoria.es.gov.br ou casarosa@vitoria.es.gov.br, ou diretamente no endereço da Ilha de Santa Maria, reforçando o compromisso de Vitória com a proteção à mulher.

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