Paloma Gurgel é investigada por suposto esquema criminoso e já defendeu chefes de facções, levantando questões sobre sua atuação e conexões com o submundo do crime.
Uma advogada que coescreveu um livro com Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, pai do rapper Oruam e apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho (CV), foi presa sob suspeita de extorsão.
Paloma Gurgel foi detida em uma operação conjunta que se estendeu por Fortaleza, no Ceará, e Natal, no Rio Grande do Norte. A prisão preventiva da advogada chocou o meio jurídico e levantou questionamentos sobre suas atividades.
A investigação aponta para um esquema criminoso de extorsão, que utilizava ameaças e intimidações contra as vítimas, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Prisão e as Suspeitas de Extorsão
A Polícia Civil do Ceará revelou que Paloma Gurgel é investigada por envolvimento em um esquema de extorsão, sendo alvo de um mandado de prisão preventiva. A ação, que contou com o apoio da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, também resultou na prisão de uma segunda mulher e no cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Durante as diligências, foram apreendidos celulares, notebooks e documentos. Estes itens são considerados cruciais para aprofundar as investigações sobre a organização criminosa, que, segundo a polícia, utilizava ameaças e intimidações para extorquir suas vítimas, embora os detalhes sobre o funcionamento e o perfil dos alvos não tenham sido especificados.
A Colaboração com Marcinho VP e o Livro
O aspecto mais surpreendente do caso é a coautoria de Paloma Gurgel no livro “Execução Penal Banal Comentada”. A obra foi escrita em parceria com Marcinho VP, figura conhecida no cenário do crime organizado.
Os autores descrevem o livro como um material prático para a compreensão da execução penal, útil tanto para o meio acadêmico e profissional quanto para outros públicos interessados. Na plataforma Amazon, a publicação registra apenas uma avaliação, com três de cinco estrelas possíveis.
O Perfil de Influencer e o Atentado
Com um perfil no Instagram que acumula 680 mil seguidores, Paloma Gurgel se apresentava como influencer, postando sobre moda, direito e festas. No entanto, suas publicações mostram um baixo engajamento, com poucos comentários e curtidas.
Essa disparidade entre o número de seguidores e o engajamento levanta a suspeita de que a advogada possa ter investido na compra de seguidores falsos, uma prática comum para inflar a popularidade em redes sociais.
Em 2016, a advogada foi vítima de um atentado a tiros em uma lanchonete em Natal. Paloma recebeu alta hospitalar quatro dias após o incidente e, à época, afirmou estar escondida em outro estado. Ela relatou que um tiro no peito não atingiu seu coração devido à sua prótese de silicone.
“O médico me disse que o tiro no peito não atingiu o coração porque acertou a minha prótese. Ou seja: o meu silicone salvou a minha vida”, contou Paloma ao g1 na ocasião do crime.
Histórico de Conexões com o Crime Organizado
A advogada Paloma Gurgel não é estranha às investigações. Em 2025 (provável erro de digitação na fonte, deveria ser 2015 ou outro ano anterior), ela já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão em uma apuração relacionada a uma organização criminosa. Sua atuação na defesa de presos ligados a facções criminosas, incluindo chefes do crime organizado, também lhe rendeu projeção nacional.
Em uma de suas defesas mais notórias, a de Antônio Jussivan Alves dos Santos, conhecido como Alemão, mentor do maior assalto já registrado no Brasil, Paloma Gurgel o classificou como “mais uma vítima do Direito Penal do Inimigo”.
Em uma postagem em rede social, ela criticou o sistema, afirmando: “O Estado massacrador escolhe criminalizar os pobres e favelados enquanto os verdadeiros ladrões do país seguem impunes. Submetê-lo a 8 anos de isolamento prolongado não é justiça, é tortura”.
Detalhes da Operação Conjunta
A operação que culminou na prisão da advogada nesta sexta-feira foi fruto de uma colaboração entre a Polícia Civil do Ceará e a Polícia Civil do Rio Grande do Norte. A ação contou ainda com o acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) durante o cumprimento dos mandados.
Além das duas prisões, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão. Um desses mandados foi realizado em um imóvel pertencente a outro advogado, em Fortaleza, indicando uma investigação mais ampla sobre o esquema de extorsão e as possíveis conexões no meio jurídico.