Os periquitos resgatados no Maranhão após a queda da árvore estão estáveis, e especialistas do Cetas detalham a complexa jornada de tratamento e reabilitação.
Vinte e três periquitos resgatados após a trágica queda de um eucalipto de 32 metros no Maranhão apresentam, finalmente, um quadro estável, trazendo esperança para a fauna local.
Muitas aves chegaram com fraturas, lesões traumáticas graves e casos de desenluvamento, um arrancamento de pele que expõe tecidos, indicando a severidade do acidente.
Este alívio é resultado de um trabalho intensivo de uma equipe multidisciplinar do Centro de Triagem de Animais Silvestres, Cetas, em São Luís, conforme informação divulgada pelo g1.
O Resgate Emergencial e os Primeiros Cuidados
O incidente chocante, que resultou na morte de mais de 350 aves, mobilizou equipes de resgate para salvar os periquitos resgatados sobreviventes.
Segundo Leonardo Moreira, médico-veterinário e professor da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão, Uemasul, as aves foram inicialmente organizadas por gravidade.
Receberam imobilização de fraturas, hidratação e medicação para a dor, cuidados essenciais para a sobrevivência das aves debilitadas.
Posteriormente, os periquitos resgatados foram transportados de Lajeado Novo para Imperatriz, e depois para São Luís, onde o Cetas do Ibama assumiu o tratamento especializado.
O Protocolo de Tratamento no Cetas de São Luís
O Cetas de São Luís, um centro vital para a recuperação de animais silvestres, conta com uma equipe de 15 profissionais, incluindo biólogos, médicos-veterinários, engenheiros agrônomos e zootecnistas.
Em 2025, o centro já recebeu cerca de 2,2 mil animais, demonstrando a importância de seu trabalho para a biodiversidade do Maranhão.
A primeira etapa no abrigo é a triagem e avaliação clínica, onde a equipe identifica a idade de cada ave, que neste caso são todas jovens e adultas, e define o cuidado adequado.
As aves internadas entram em quarentena para observação e recebem cuidados preparatórios para as futuras etapas do tratamento, que pode incluir procedimentos cirúrgicos para lesões graves.
Muitos dos periquitos resgatados chegaram com múltiplas fraturas e alguns apresentavam hipovolemia, ou seja, baixo volume sanguíneo, exigindo intervenção rápida e precisa.
A Fase Crítica de Estabilização das Aves
Atualmente, os periquitos resgatados no Maranhão encontram-se na fase de estabilização, um momento crucial para sua recuperação.
Esta etapa envolve a correção de problemas comuns após acidentes, como hipotermia e desidratação, que podem ser fatais para aves fragilizadas.
O coordenador do Cetas explicou que a estabilização visa reidratar os animais, manter a temperatura adequada e garantir que eles consigam retomar as funções normais.
Após essa fase, os periquitos são alimentados com dietas específicas, medicados quando necessário, e suas fraturas são continuamente avaliadas para garantir a melhor recuperação possível.
Preparando para a Liberdade: Observação e Reabilitação
Uma vez recuperadas da fase de estabilização, as aves saem da quarentena e são transferidas para recintos de manutenção, onde continuam a ser monitoradas.
Em seguida, são inseridas nos corredores de voo, espaços alongados projetados para que os periquitos possam ganhar força e treinar o voo, preparando-se para a vida selvagem.
Na fase final, as aves permanecem em viveiros até retomarem a plena capacidade de viver sozinhas, um passo essencial antes de seu retorno à natureza.
O Ibama possui áreas de soltura e monitoramento, onde os periquitos resgatados passarão por um processo de aclimatação.
Esta aclimatação envolve a adaptação em viveiros maiores, onde as aves recuperam força, comportamento natural e a crucial capacidade de sobreviver sem assistência humana, garantindo uma soltura bem-sucedida.