Em Canoas, RS, Paula Caroline Ferreira Rodrigues, ré acusada de participação na brutal morte do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni em 2015, enfrenta um novo júri após a anulação de sua absolvição anterior.
Um novo e aguardado julgamento começou nesta quarta-feira, 10 de abril, em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, RS. A ré Paula Caroline Ferreira Rodrigues está novamente no banco dos acusados, enfrentando o Tribunal do Júri por sua suposta participação na brutal morte do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni.
O caso, que remonta a julho de 2015 e chocou o estado pela crueldade, volta à tona após uma reviravolta judicial. Paula Caroline havia sido absolvida em 2023, mas essa decisão foi anulada em 2025, atendendo a um pedido do Ministério Público.
A acusação sustenta que Paula Caroline atraiu a vítima para uma emboscada fatal, onde o fotógrafo foi agredido e assassinado com 19 tiros. Atualmente, a ré está foragida e, por isso, não será interrogada neste novo júri de Paula Caroline Ferreira Rodrigues, conforme informação divulgada pelo g1.
O Brutal Crime que Chocou o Rio Grande do Sul
O fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni foi encontrado morto em julho de 2015, em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A vítima havia desaparecido no dia anterior, e o corpo apresentava sinais de tortura e 19 perfurações por arma de fogo, evidenciando a violência do ato.
A investigação apontou que Gargioni estava se relacionando com Paula Caroline Ferreira Rodrigues, sem saber que ela namorava Juliano Biron, líder de um grupo criminoso. Segundo o Ministério Público, Paula Caroline atraiu José Gustavo para um encontro, que na verdade era uma armadilha com desfecho trágico.
A polícia conseguiu reconstituir os fatos, indicando que Gustavo entrou em um carro onde Paula Caroline o esperava, sem desconfiar que Juliano Biron estava no banco de trás, armado. O casal teria levado o fotógrafo até a Praia do Paquetá, em Canoas, onde ele teria entrado em luta corporal com os dois antes de ser brutalmente agredido e atingido pelos disparos fatais.
O Intrincado Caminho Judicial e a Anulação
Paula Caroline Ferreira Rodrigues responde por homicídio triplamente qualificado, uma acusação grave que implica motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ela também havia sido denunciada por ocultação de cadáver, mas esse crime prescreveu, não sendo mais objeto de julgamento.
Em 2023, Paula foi absolvida em seu primeiro julgamento, uma decisão que gerou grande controvérsia e não foi aceita pelo Ministério Público. No entanto, em 2025, o julgamento foi anulado, atendendo a um recurso do MP, que pedia a revisão da sentença de absolvição.
O outro réu do caso, Juliano Biron, já foi condenado a mais de 20 anos de prisão em 2020. Ele permaneceu foragido por um tempo considerável, sendo capturado na Bolívia em setembro do ano passado, onde utilizava um nome falso. Atualmente, Paula Caroline está foragida, o que impede seu interrogatório neste novo júri de Paula Caroline Ferreira Rodrigues.
O Andamento do Novo Julgamento
Nesta quarta-feira, o delegado responsável pela investigação do crime foi a única testemunha ouvida durante a manhã no Tribunal do Júri. Seu depoimento foi crucial para recontar os detalhes do complexo trabalho de apuração que levou à identificação dos envolvidos na morte do fotógrafo.
Durante a tarde, a sessão prossegue com a fase de debates entre a acusação e a defesa, momento em que as partes apresentarão suas argumentações finais aos jurados. O advogado Martin Mustschall Gross, que assumiu a defesa de Paula Caroline para este novo júri ao lado de Filipe Trelles, informou que eles não irão se manifestar no momento, aguardando o desenrolar dos trabalhos.
Quem Era José Gustavo Bertuol Gargioni
José Gustavo Bertuol Gargioni era um profissional reconhecido em sua área. Por mais de dois anos, ele atuou como fotógrafo do Palácio Piratini, sede do governo do Rio Grande do Sul, durante o mandato do ex-governador Tarso Genro. Antes de sua trágica morte, ele trabalhava em uma produtora de eventos, demonstrando sua paixão pela fotografia.
A investigação do seu desaparecimento e morte foi exaustiva e minuciosa. A polícia analisou mais de 300 horas de imagens gravadas por cerca de 80 câmeras de segurança, o que permitiu traçar todo o trajeto feito pelo casal antes e depois do crime, fundamental para esclarecer o brutal assassinato que chocou o Rio Grande do Sul.