Debandada Histórica: Deputados Federais do Ceará Migram do PDT para o PSB, Reconfigurando o Poder Político Pós-Cisão dos Ferreira Gomes

O cenário político cearense vive um momento de profunda transformação, com uma significativa movimentação de parlamentares que está redesenhando as forças partidárias no estado. A janela partidária, período que permite a troca de legenda sem perda de mandato, tem sido palco de uma verdadeira debandada do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Deputados federais do Ceará se filiam ao PSB, reforçando o crescimento da sigla e evidenciando o declínio do PDT. Essa mudança é um reflexo direto das tensões internas e do rompimento histórico entre os irmãos Ciro Gomes e Cid Gomes, que por anos foram pilares do trabalhismo no estado.

A saída em massa de parlamentares, conforme informação divulgada pelo g1, aponta para um novo arranjo de poder, com o PSB emergindo como um protagonista e o PDT enfrentando um esvaziamento sem precedentes, ameaçando até mesmo sua representação na Assembleia Legislativa do Ceará.

A Origem da Grande Debandada: O Rompimento dos Irmãos Gomes

A crise no PDT do Ceará tem suas raízes em 2022, quando a disputa pela indicação do candidato ao Governo do Ceará fragmentou a aliança de 16 anos entre o PT e o PDT. Naquele momento, o ex-governador Camilo Santana, do PT, e o senador Cid Gomes, então no PDT, apoiavam a reeleição de Izolda Cela, que havia assumido o governo.

No entanto, Ciro Gomes defendeu a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. A posição de Ciro prevaleceu dentro do PDT, levando Cid a romper com o irmão e se afastar da campanha. O PT, então, lançou Elmano de Freitas, que acabou sendo eleito governador.

Esse episódio marcou o início de um racha profundo. Em 2024, Cid Gomes formalizou sua filiação ao PSB, levando consigo a maioria de seus aliados. Muitos deles já haviam conseguido, via Justiça, deixar o PDT, enquanto outros aproveitam a atual janela partidária para efetivar a mudança.

Em 2025, o próprio Ciro Gomes também deixou o PDT, filiando-se ao PSDB. Essa movimentação ocorre em meio a articulações para uma possível candidatura ao governo estadual, um pleito que dificilmente Ciro poderia encabeçar pelo PDT, já que o partido retomou a aliança com o PT e apoiará a reeleição de Elmano em 2026.

O Esvaziamento do PDT e a Ascensão Meteórica do PSB no Ceará

A debandada do PDT no Ceará é um processo contínuo desde 2023. O partido, que em 2022 elegeu 4 deputados federais e 13 estaduais, viu sua bancada minguar drasticamente. Atualmente, na Câmara dos Deputados, o PDT pode ficar reduzido a um único parlamentar, André Figueiredo, presidente estadual da legenda.

Na Assembleia Legislativa, dos 12 eleitos pelo PDT em 2022, restaram apenas 4, e todos já anunciaram que pretendem deixar a sigla ainda este ano. Essa saída em massa é um golpe duro para um partido que já foi a maior força política do estado.

Em contrapartida, o PSB, que não elegeu nenhum deputado estadual em 2022, agora ostenta a maior bancada na Assembleia, com 12 parlamentares ‘cidistas’ filiados. Entre eles, destaca-se o presidente da Casa, Romeu Aldigueri, que havia sido eleito pelo PDT.

No âmbito federal, o PSB também expandiu sua influência. O partido, que não possuía nenhum deputado federal pelo Ceará, agora conta com três: Júnior Mano, Idilvan Alencar e Robério Monteiro. Cid Gomes manifestou o desejo de eleger pelo menos cinco deputados federais neste ano, consolidando ainda mais a presença do PSB.

Impacto nas Eleições Futuras: Cenários para 2024 e 2026

A ascensão do PSB sob a liderança de Cid Gomes é notável. Nas eleições de 2024, o partido elegeu 65 prefeitos entre os 184 municípios cearenses, tornando-se a sigla com o maior número de prefeituras no estado. Esse posto, até então, pertencia ao PDT, que em 2020 havia eleito 66 prefeitos.

O PDT, por sua vez, viu sua participação ser reduzida a apenas 5 prefeituras em 2024, perdendo inclusive a Prefeitura de Fortaleza, que era a gestão mais relevante do partido em nível nacional. Essa drástica mudança demonstra a reconfiguração do poder político local.

Para as eleições de 2026, as movimentações atuais já desenham os possíveis cenários. Cid Gomes não pretende concorrer à reeleição ao Senado e planeja lançar Júnior Mano para o cargo, o que demonstra a força do PSB e a influência de Cid nas decisões estratégicas.

Ciro Gomes, por sua vez, ainda rompido publicamente com o irmão, é apontado como provável candidato ao Governo do Ceará pelo PSDB. Sua candidatura deve reunir apoio de diversas lideranças de oposição, incluindo deputados do PL e do União Brasil, prometendo uma disputa acirrada e um cenário político dinâmico e imprevisível no Ceará.

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