Escândalo na PM do Tocantins: Policial denuncia estupro em quartel, cabo vira réu e defesa alega sonambulismo em caso chocante

Vítima da Força Tática em Gurupi teve denúncia desestimulada e enfrentou comentários machistas, revelando desafios na corporação.

Um caso de grande repercussão abala a Polícia Militar do Tocantins, com uma policial feminina denunciando um colega por abuso sexual dentro de um quartel. O incidente, ocorrido em outubro de 2022, envolveu membros da Força Tática em Gurupi, no sul do estado, e levanta sérias questões sobre o ambiente de trabalho e o apoio às vítimas dentro da corporação.

O investigado, o cabo Bruno Xavier, tornou-se réu desde fevereiro de 2025, após denúncia da promotoria militar. A defesa do militar, contudo, apresenta uma alegação surpreendente: o cabo seria sonâmbulo, e o ato não teria sido intencional, conforme detalhado em laudos médicos.

A denúncia da policial desencadeou uma série de eventos, incluindo o pedido de transferência da vítima e a instauração de procedimentos internos na PMTO, que afirma não compactuar com atos de violência ou assédio, conforme informação divulgada pelo g1.

A Denúncia e o Desestímulo Inicial

Após o ocorrido, a policial procurou o comandante da Força Tática para relatar o abuso, mas se sentiu desestimulada a prosseguir com a denúncia. Segundo a vítima, o comandante sugeriu que ela conversasse diretamente com o agressor para “saber o que tinha acontecido”, o que a deixou ainda mais constrangida.

Ao confrontar o colega, ele alegou ser sonâmbulo. A policial retornou ao comandante, que, ao invés de oferecer apoio incondicional, questionou se ela queria “passar a situação para frente”, mas já alertando que “não vai dar em nada”, o que minou a confiança da vítima no processo de estupro em quartel da PM no Tocantins.

A situação se agravou com a presença de comentários machistas dentro do batalhão, sugerindo que mulheres não deveriam integrar a Força Tática. Esse ambiente hostil levou a policial a solicitar sua transferência da cidade, pois não suportava mais o local de trabalho e a falta de amparo.

A Versão da Defesa: Alegação de Sonambulismo

A defesa do militar, representada pelo advogado Indiano Soares, sustenta que o ato não foi intencional, mas sim decorrente de uma condição médica. “Ele estava dormindo, ele tem um problema de sonambulismo detectado em laudos médicos, constatado desde quando ele era jovem”, afirmou Soares, defendendo a ausência de intenção no ato.

O advogado enfatiza que o cabo “não tentou esboçar qualquer ato sexual”, apenas deitou ao lado dela e, ao perceber a reação da vítima, “já voltou para a cama dele dormindo”. Essa versão teria sido comprovada na sindicância e no processo administrativo disciplinar da PM, afastando a conduta intencional do réu neste caso de abuso sexual em quartel.

As Medidas da Polícia Militar e o Andamento do Processo

A Polícia Militar do Tocantins informou que, diante dos fatos, todos os procedimentos legais e administrativos cabíveis foram instaurados. Isso incluiu um procedimento administrativo e um Inquérito Policial Militar (IPM), que opinou pelo indiciamento do investigado, conforme nota da corporação.

O caso está atualmente em tramitação no Poder Judiciário, com audiências em andamento na Justiça Militar. A PMTO reafirma seu compromisso com a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, destacando que “não compactua com qualquer prática de violência, assédio ou discriminação”.

Em 2024, a corporação implementou a Comissão de Implementação de Políticas em Atenção à Mulher (CIPAM) e a Ouvidoria da Mulher, mecanismos internos criados para proteção, acolhimento e garantia de direitos das mulheres policiais, buscando prevenir e combater situações de violência e assédio.

A Polícia Militar reitera que os Inquéritos Policiais Militares opinaram pelo indiciamento dos investigados, baseando-se em uma análise técnico-jurídica consistente. A corporação aguarda a deliberação final da autoridade judiciária competente sobre os fatos para garantir a justiça no caso de estupro em quartel da PM no Tocantins.

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