Padrasto preso por envenenar enteada Weslenny, de 9 anos, com chumbinho, diz ter passado mal e vomitado 10 vezes em Goiás

Ronaldo Alves de Oliveira, padrasto de Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, que está preso sob suspeita de envenenar a menina com chumbinho, afirmou em depoimento que também passou mal após o jantar da família. Segundo a defesa, ele chegou a vomitar 10 vezes enquanto estava a caminho do hospital onde a enteada era atendida.

O caso chocou a cidade de Alto Horizonte, em Goiás, e levanta questões sobre a dinâmica familiar e as circunstâncias da trágica morte da criança. A polícia segue investigando, enquanto a defesa de Ronaldo busca provar sua inocência.

As informações foram divulgadas pelo g1, detalhando o depoimento do padrasto e as alegações de sua defesa, que busca esclarecer os fatos e refutar as acusações de envenenamento.

A Versão da Defesa e o Atendimento Médico

O depoimento de Ronaldo à polícia ocorreu no dia do crime, quando ele foi ouvido inicialmente como testemunha. A defesa de Ronaldo Alves de Oliveira informou que ele vomitou 10 vezes durante o trajeto entre Alto Horizonte e Uruaçu, enquanto se dirigia ao hospital onde o enteado estava internado.

Conforme relatado pelo advogado, Ronaldo estava de carona com uma tia do garoto e esse mal-estar foi comunicado à autoridade policial pela própria tia da criança. Ele também foi submetido a atendimento médico na mesma noite, conforme a defesa.

Na mesma ocasião, o padrasto disse que nunca manuseou e sequer conhece o aspecto do veneno popularmente conhecido como chumbinho. A substância foi encontrada no arroz dentro da casa da família e foi a causa da morte de Weslenny, além de matar quatro gatos que comeram os restos descartados.

O Jantar Fatídico e a Descoberta do Veneno

Nábia Rosa Pimenta, mãe das crianças, relatou que a família jantou arroz, feijão e carne moída. Horas após a refeição, Weslenny começou a chorar com fortes dores na barriga. “Mãe, minha barriga tá doendo”, disse a menina, que estava gelada e piorou rapidamente.

Weslenny foi levada ao hospital, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória e, apesar de uma melhora inicial, não resistiu. Os laudos periciais atestaram que a causa da morte foi envenenamento por chumbinho, a mesma substância encontrada no arroz que Ronaldo afirmou ter preparado.

A Polícia Civil continua a investigação, aguardando a conclusão de outros laudos e sem descartar o envolvimento de terceiros no caso do envenenamento. A presença do veneno no alimento é um ponto crucial para a elucidação do crime.

Histórico de Conflitos Familiares

Domênico Rocha, delegado responsável pelo caso, destacou que a família “não era pacífica e vivia envolta em uma aura de conflituosidade”. O irmão de Weslenny, que sobreviveu, disse à polícia que o padrasto já agrediu ele e a irmã em algumas ocasiões.

O delegado esclareceu que as agressões não eram frequentes, mas a criança relatou que pontualmente o padrasto agredia tanto ele quanto a irmã que morreu. O pai biológico das crianças também confirmou em depoimento que já houve um desentendimento com Ronaldo por conta de uma agressão contra Weslenny.

Além disso, Nábia, a mãe, relatou ter recebido um vídeo de Ronaldo em tom de ameaça, onde ele falava sobre “dar um jeito na vida dos outros”. A defesa, no entanto, alega que o vídeo foi gravado há três anos e que as versões apresentadas pela mãe estão “distorcidas”.

Nábia expressou seu medo, dizendo: “Ele teria motivos de sobra para me atacar, porque eu já vinha falando há muito tempo que não dava mais. E ele não aceitava o fim. O meu medo é esse: para achar uma maneira de me atacar, ele ter atacado eles”. Ela também mencionou que Ronaldo vinha demonstrando impaciência com as crianças recentemente.

A Prisão e a Investigação

Ronaldo está preso desde o dia 1º de abril e é investigado por feminicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio triplamente qualificado. A defesa recebeu a notícia da prisão com naturalidade e orientou que ele se apresentasse espontaneamente à autoridade policial para colaborar com os esclarecimentos.

A defesa informou que já solicitou acesso ao caderno investigativo e está no aguardo da liberação do inquérito policial para adotar as medidas legais cabíveis. Eles acreditam que, em breve, aparecerão elementos que comprovarão a inocência de Ronaldo, considerando-o uma vítima do caso de envenenamento.

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