Decisão judicial força Azul a realizar translado de corpo de idoso que morreu após mal-estar em voo internacional, gerando revolta familiar

Família de Carlos Alberto Nunes de Lima enfrentou batalha judicial e descreve como desumano o descaso da Azul no transporte do corpo do pai, falecido em Campinas, SP.

Após dias de angústia e uma batalha legal, a companhia aérea Azul finalmente realizou o translado do corpo de Carlos Alberto Nunes de Lima, um idoso de 77 anos que faleceu em Campinas, São Paulo, depois de passar mal durante um voo internacional.

A decisão de transportar o corpo de Campinas para Vitória, no Espírito Santo, onde a família reside, veio após uma determinação judicial. A filha do idoso, Andreia, expressou profunda indignação com a situação, classificando-a como uma “falta de respeito” e “desumana”.

A família critica a postura da empresa, que teria cessado o apoio após sete dias de internação do idoso, informando que o caso seria tratado “na Justiça”, conforme informações divulgadas pelo g1.

A Tragédia no Voo e o Atendimento Prioritário

Carlos Alberto, um homem ativo e que gostava de viajar, embarcou em Porto, Portugal, com destino a Vitória. Ele foi entregue aos cuidados de uma funcionária da Azul Linhas Aéreas, com solicitação de atendimento prioritário e uso de cadeira de rodas devido às suas condições de saúde.

A família havia alertado a tripulação sobre a necessidade de suporte contínuo para o idoso, que deveria ser acompanhado durante toda a viagem, conforme o protocolo da Azul e a resolução 280 da Agência Nacional de Aviação (Anac). A chefe de cabine teria garantido que “estava tudo certo”.

No entanto, a indisposição de Carlos Alberto ocorreu após o pouso em Viracopos, Campinas. Segundo a família, ele foi encontrado desacordado, embora a Azul negue essa informação. O idoso foi levado a uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e, posteriormente, encaminhado ao Hospital Mário Gatti.

Piora do Quadro de Saúde e as Alegações da Família

No hospital, a família foi informada de que o mal-estar inicial de Carlos Alberto foi motivado pelo estrangulamento de uma hérnia umbilical. Após alguns dias desacordado, ele apresentou uma melhora, chegando a conversar com a filha Andreia.

Durante a conversa, Andreia perguntou ao pai se ele havia passado mal dentro do avião, e ele confirmou com um “sim”. Questionado sobre dor, Carlos Alberto respondeu “sim” e sussurrou “muita dor”, mencionando ainda que o cinto estava apertado, um detalhe crucial para a família.

Após nove dias de internação, a família relata que Carlos Alberto contraiu uma infecção hospitalar, que evoluiu para pneumonia. O Hospital Mário Gatti, por sua vez, não confirma a infecção, mas aponta para uma piora do quadro devido a “complicações associadas a uma pneumonia”.

Andreia descreveu o impacto da infecção: “Depois que ele pegou essa infecção, entubaram o meu pai de novo. Ficou até fazer traqueostomia. Aí teve uma melhora rápida, mas logo depois veio a falecer”, lamentou a filha, destacando a rápida deterioração da saúde do pai.

A Batalha Judicial pelo Translado e o Desabafo Familiar

A recusa inicial da Azul em providenciar o translado do corpo do idoso sem uma certidão de óbito fornecida pela própria empresa, conforme alegado pela família, levou a uma intervenção judicial. Essa burocracia, somada ao luto, intensificou o sofrimento dos parentes de Carlos Alberto.

A filha Andreia expressou o sentimento de desamparo da família diante da situação. “É uma falta de respeito, sabe? Uma falta de humanidade, de tudo. Nós estamos extasiados com a situação. Sabe quando você não está acreditando no que está vivendo? Isso parece um trem fantasma. É assim que nós estamos nos sentindo. Simplesmente naufragados no meio do oceano”, desabafou.

A família criticou o tratamento da Azul, que, após sete dias de suporte com hotel e transporte em Campinas, teria mudado a postura, indicando que a resolução do caso se daria apenas pela via judicial. Este posicionamento agravou a dor e a sensação de abandono, culminando na necessidade de uma ordem judicial para o translado do corpo do idoso para Vitória.

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