Indaiatuba dispara: Vendas de imóveis crescem 73,5% e superam Campinas, mesmo com decreto que suspende novos loteamentos
Indaiatuba, conhecida por sua alta qualidade de vida, está no centro das atenções do mercado imobiliário. A cidade registrou um crescimento impressionante nas vendas de imóveis, superando outras localidades da região de Campinas.
Este fenômeno acontece em um cenário peculiar, onde a prefeitura suspendeu a aprovação de novos loteamentos, gerando curiosidade sobre como o setor conseguiu manter tal dinamismo. A alta demanda e o apelo por um ambiente seguro e bem estruturado parecem ser fatores cruciais para esse sucesso.
Os dados, que revelam um salto significativo nas transações, foram solicitados pelo g1 Campinas e Região ao Secovi, conforme informação divulgada pelo g1.
Indaiatuba lidera o crescimento no mercado imobiliário
Indaiatuba apresentou a maior alta nas vendas de imóveis na região de Campinas. Em 2025, a cidade teve um crescimento de 73,5% em relação a 2024, vendendo 3.787 imóveis. Em 2024, foram 2.183 transações.
Para se ter uma ideia, Campinas, a maior cidade da região, registrou um aumento de 32%, com 6.228 vendas em 2025. Sumaré e Hortolândia, juntas, alcançaram 2.741 transações no mesmo período, mostrando o destaque de Indaiatuba.
O volume financeiro movimentado pelo mercado imobiliário em Indaiatuba em 2025 foi de R$ 1,8 bilhão, com uma média de R$ 500,6 mil por imóvel. Em Campinas, o total foi de R$ 3,6 bilhões, com uma média de R$ 585,2 mil por propriedade.
Qualidade de vida e segurança atraem novos moradores
O diretor de relações institucionais do Secovi em Campinas, Fuchs Poy, explica que Indaiatuba atrai compradores pela sua qualidade de vida e índices positivos. “É uma cidade já consolidada, né? É uma cidade com um IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] muito bom, com questão de segurança excelente para a região. Então, assim, tudo que você põe no mercado aqui, você tem estrutura para ser vendido”, ponderou Poy.
A atratividade da cidade é visível. “Eu tenho imobiliária e a gente, semanalmente, atende pessoas que vêm de Campinas ou de São Paulo para conhecer e acabam se encantando”, relatou Poy. A alta procura tem até impactado o trânsito da Rodovia Santos Dumont (SP-75) em horários de pico, indicando o fluxo de pessoas interessadas em se mudar para a cidade.
Suspensão de novos loteamentos: um freio ou um impulso estratégico?
Um dos aspectos mais curiosos desse crescimento é que ele ocorre em meio à suspensão da aprovação de novos loteamentos pela prefeitura de Indaiatuba. Um decreto, publicado no início de 2025 e prorrogado até janeiro de 2027, impede novas certidões de viabilidade, exceto para empreendimentos de interesse social ou industriais/comerciais em zonas permitidas.
A administração municipal justifica a medida para “assegurar o desenvolvimento urbano sustentável de Indaiatuba, considerando a necessidade de equilíbrio entre o crescimento populacional e a capacidade de infraestrutura, mobilidade urbana e serviços públicos”.
Apesar da suspensão, o mercado imobiliário em Indaiatuba permanece aquecido, impulsionado pela comercialização de empreendimentos que já haviam sido aprovados antes do decreto. “O crescimento nas vendas não está relacionado a novos projetos, mas sim ao estoque de loteamentos e empreendimentos previamente autorizados, que continuaram sendo ofertados no mercado imobiliário”, explicou o Executivo.
O futuro do desenvolvimento urbano em Indaiatuba
Para Poy, a suspensão é vista como uma medida positiva, que gera um melhor planejamento. “Isso, na verdade, é bom. Gera um planejamento melhor pelo órgão administrativo, pela prefeitura”, avaliou. Construtoras e corretores aproveitam o período para elaborar projetos e concluir empreendimentos em andamento.
A expectativa é que, após a liberação da suspensão, geralmente próxima a anos eleitorais, haja um grande volume de solicitações para novos loteamentos. Enquanto isso, o mercado imobiliário de Indaiatuba continua se beneficiando da sua reputação de cidade com excelente qualidade de vida e de um estoque de imóveis que atende à demanda crescente.