Com recorde de participação, a votação decisiva na Hungria testará o legado de Viktor Orbán, líder populista de extrema-direita, diante do avanço surpreendente de Péter Magyar.
As urnas foram abertas na Hungria para uma eleição crucial que pode encerrar os 16 anos de Viktor Orbán no poder. O pleito, acompanhado de perto por países da Europa e de outros continentes, destaca o papel preponderante que Orbán desempenha na política populista de extrema-direita global.
Considerado o líder há mais tempo no poder na União Europeia e um de seus maiores antagonistas, Orbán enfrenta um desafio significativo. Ele, que outrora foi um liberal antissoviético, transformou-se no nacionalista pró-Rússia admirado pela extrema-direita mundial.
Em um momento de alta tensão política, a eleição na Hungria é vista por muitos como uma chance decisiva para o futuro democrático do país, conforme informações divulgadas pelo g1.
Ameaça à Dinastia de Orbán
A Hungria vai às urnas em uma votação que pode ser um ponto de virada, potencialmente encerrando a longa gestão de Viktor Orbán. O cenário político mudou drasticamente, com o premiê enfrentando um ex-aliado político e denúncias de interferência estrangeira.
As pesquisas de opinião indicam que a oposição pode conquistar uma vitória significativa, provocando uma virada histórica. A economia estagnada nos últimos três anos e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo contribuíram para a perda de força interna de Orbán.
Essa situação abriu espaço para o crescimento de Péter Magyar, que se tornou o principal adversário. Ele lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza, e tem atraído grande apoio popular.
O Perfil de Viktor Orbán e Suas Políticas
Orbán foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1998, governando por quatro anos. Em 2010, ele retornou ao poder com uma vitória esmagadora e, desde então, permanece no cargo, consolidando sua influência na política húngara.
Seu partido, o Fidesz, detém uma ampla maioria no Parlamento. A legenda atuou para reescrever a Constituição e aprovar leis com o objetivo de criar uma “democracia cristã iliberal”. Essas políticas restringiram a liberdade de imprensa e enfraqueceram o Judiciário.
Além disso, direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+, foram limitados. Por outro lado, medidas antimigração e uma postura nacionalista e conservadora ajudaram a manter o apoio popular. A atuação de Orbán gerou atritos constantes com a União Europeia.
O bloco chegou a suspender bilhões de euros em repasses à Hungria devido a violações de padrões democráticos, evidenciando a tensão entre Budapeste e Bruxelas nas eleições na Hungria.
A Ascensão de Péter Magyar
Péter Magyar, ex-aliado de Orbán, afirmou ter se inspirado no premiê no início de sua carreira política. No entanto, ele se afastou do governo, passando a acusar a administração de corrupção e mudando de partido.
Magyar ganhou destaque ao prometer uma reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais. Essa postura contrasta diretamente com a linha adotada por Orbán nos últimos anos.
Ao mesmo tempo, o opositor busca apoio conservador ao defender a manutenção das políticas de combate à imigração ilegal, equilibrando sua plataforma. Ele também aposta em discursos voltados às redes sociais e em comícios com estética patriótica.
Ao criticar o atual governo, Magyar passou a ser visto por seus apoiadores como alguém que “enfrenta o sistema”. Sua popularidade disparou, indicando uma possível mudança significativa no panorama político húngaro.
Recorde de Participação e Perspectivas de Mudança
A alta expectativa em torno das eleições na Hungria se refletiu na participação recorde dos eleitores. Após a primeira hora de votação, 3,6% dos eleitores registrados já haviam votado, segundo o Escritório Nacional Eleitoral.
Esse número representa um recorde na história pós-socialista da Hungria, quase o dobro da participação registrada no mesmo período das eleições de 2022. A aposentada Eszter Szatmári, de 62 anos, expressou seu sentimento ao votar em Budapeste.
Ela disse que sentia que a eleição era “basicamente nossa última chance de ver algo que se assemelhe vagamente à democracia na Hungria”. Szatmári acrescentou: “Todos nós precisamos fazer um esforço real para mostrar ao mundo que não somos o que as pessoas pensavam que éramos nos últimos 10 anos”.
Segundo a agência Reuters, levantamentos recentes de institutos independentes colocam o partido Tisza, de Magyar, muito à frente do Fidesz de Orbán. Uma estimativa baseada em cinco pesquisas de opinião realizadas entre fevereiro e março indica que o Tisza pode conquistar entre 138 e 142 das 199 cadeiras do Parlamento.
Com esse número, o partido da oposição alcançaria dois terços das cadeiras, o que permitiria promover reformas constitucionais. O Fidesz, de Orbán, deve conquistar entre 49 e 55 cadeiras, enquanto outro partido de extrema direita, o Mi Hazank, obteria cinco ou seis assentos, sinalizando uma potencial e histórica reviravolta.