Delegado que prendeu advogada por queixa em rede social é transferido de Cocalzinho de Goiás para Águas Lindas após repercussão e pedido da OAB-GO

A decisão da Polícia Civil de Goiás surge após polêmica envolvendo a prisão de Áricka Rosalia Alves Cunha e determinação para afastamento imediato do servidor.

O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos, que atuava em Cocalzinho de Goiás, foi oficialmente transferido para a cidade de Águas Lindas de Goiás. A medida ocorre após um episódio de grande repercussão envolvendo a prisão de uma advogada.

A decisão, emitida pela Polícia Civil do Estado de Goiás, movimentou o cenário jurídico e policial, especialmente por ter sido motivada pela detenção da advogada Áricka Rosalia Alves Cunha, que havia criticado o arquivamento de um boletim de ocorrência nas redes sociais.

Este desdobramento, conforme informações divulgadas pelo g1, reflete a pressão e as discussões geradas em torno da atuação do delegado e da garantia da imparcialidade em investigações.

Transferência e o papel da OAB-GO

A transferência do delegado Christian Zilmon Mata dos Santos foi publicada na última quarta-feira, dia 22, e formalizada pelo Delegado-Geral da Polícia Civil de Goiás, André Gustavo Corteze Ganga. O g1 tentou contato com o delegado para obter seu posicionamento, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.

É importante ressaltar que a mudança de lotação do servidor não foi um movimento isolado. Ela se deu após um pedido formal da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), que se posicionou ativamente no caso.

O Conselho Superior da Polícia Civil atendeu à solicitação da entidade, determinando o afastamento imediato do servidor de suas funções na delegacia de Cocalzinho de Goiás, o que culminou na sua transferência para Águas Lindas de Goiás.

A polêmica da prisão da advogada

A origem da controvérsia reside na prisão da advogada Áricka Rosalia Alves Cunha. Ela foi detida após usar suas redes sociais para expressar insatisfação com o arquivamento de um boletim de ocorrência que havia registrado.

O caso levantou sérias questões sobre a liberdade de expressão, os limites da atuação policial e a relação entre advogados e autoridades. A OAB-GO, desde o início, acompanhou de perto a situação, buscando salvaguardar as prerrogativas da advocacia.

A repercussão do caso foi significativa, gerando debates em diversos setores da sociedade e chamando a atenção para a necessidade de clareza e transparência nos procedimentos policiais, especialmente quando um delegado está envolvido.

Novas regras para evitar conflitos de interesse

Em resposta aos desdobramentos deste e de outros casos semelhantes, a Diretoria-Geral da Polícia Civil de Goiás editou a Portaria nº 323/2026. Esta portaria estabelece uma regra fundamental para a atuação dos delegados no estado.

A nova norma proíbe expressamente que delegados atuem em procedimentos nos quais possuam envolvimento pessoal. O objetivo é claro: assegurar a imparcialidade na condução das investigações e, principalmente, evitar qualquer tipo de conflito de interesse que possa comprometer a justiça.

Essa medida reforça o compromisso da Polícia Civil com a ética e a legalidade, buscando garantir que todos os cidadãos, incluindo advogados, tenham seus direitos respeitados e que os processos sejam conduzidos de forma justa e transparente, evitando novas polêmicas com um delegado transferido ou afastado.

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