O sonho de ser mãe virou tragédia: Juíza morre após coleta de óvulos em clínica de SP; polícia investiga morte suspeita e família clama por justiça

Morte de Juíza após Coleta de Óvulos: Detalhes da Tragédia que Choca a Magistratura e Acende Alerta sobre Reprodução Assistida

A morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 33 anos, após um procedimento de coleta de óvulos em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, gerou grande repercussão e levantou sérias questões sobre a segurança de procedimentos de reprodução assistida.

O caso, que está sendo investigado pela Polícia Civil como morte suspeita e acidental, envolveu complicações médicas que levaram a magistrada a sofrer uma hemorragia e, posteriormente, paradas cardiorrespiratórias.

A família da juíza, que sonhava em ser mãe, busca respostas enquanto as clínicas envolvidas se manifestam sobre o ocorrido, conforme informações divulgadas pelo g1.

O Sonho de Ser Mãe e as Primeiras Complicações

Mariana Francisco Ferreira, que havia tomado posse como juíza no Rio Grande do Sul em dezembro de 2023, tinha o sonho de ser mãe no futuro. Para isso, decidiu realizar a coleta e congelamento de óvulos, um procedimento comum na área de reprodução assistida, visando uma “poupança” para quando sua vida estivesse mais organizada.

Na manhã de segunda-feira, 4 de maio, a magistrada passou pelo procedimento na Clínica Invitro Reprodução Assistida, em Mogi das Cruzes. Após receber alta por volta das 9h e retornar para casa, Mariana começou a sentir fortes dores e uma sensação de frio, indicando que algo não estava bem.

Diante da piora do quadro, cerca de uma hora depois da alta, sua mãe, Marilza Francisco, levou a juíza de volta à clínica. Marilza relatou o desespero de ver a filha “uivar de dor” e “gritar”, um sofrimento intenso que antecedeu a descoberta de uma grave hemorragia vaginal.

No retorno à Clínica Invitro, Mariana inicialmente pensou ter urinado na roupa, mas a equipe médica constatou que se tratava de um sangramento intenso. A mãe da juíza descreveu o momento: “Ela falou: ‘Mãe, eu fiz xixi’. Quando ela colocou a mão, era sangue”.

O médico responsável realizou os primeiros atendimentos e tentou conter o sangramento com uma sutura na região. Segundo informações repassadas à mãe, uma artéria no colo do útero havia se rompido durante o procedimento, resultando na perda de aproximadamente dois litros de sangue.

A Luta pela Vida no Hospital e o Desfecho Fatal

Após a intervenção inicial na clínica, Mariana foi encaminhada para o Hospital e Maternidade Mogi Mater, dando entrada na unidade às 17h. Devido à gravidade de seu estado, foi imediatamente levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

No dia seguinte, terça-feira, 5 de maio, a juíza passou por uma cirurgia às 21h, numa tentativa de estabilizar seu quadro clínico que evoluía de forma grave. Apesar de todos os esforços da equipe médica, a situação de Mariana não melhorou.

Na madrugada de quarta-feira, 6 de maio, Mariana Francisco Ferreira sofreu duas paradas cardiorrespiratórias. Mesmo com as tentativas de reanimação, a morte da magistrada foi confirmada às 6h03, deixando familiares e colegas em choque.

O Hospital Mogi Mater informou que todas as medidas médicas e assistenciais cabíveis foram adotadas desde a admissão da paciente, buscando estabilizar o quadro clínico. O médico responsável pela clínica de reprodução assistida também foi acionado para acompanhar o caso e a cirurgia.

Investigação, Irregularidades e as Versões das Clínicas

A Polícia Civil de Mogi das Cruzes registrou o boletim de ocorrência como morte suspeita e morte acidental. A investigação busca apurar se o falecimento foi causado por complicações médicas relacionadas ao procedimento de coleta de óvulos ou por uma possível falha no atendimento prestado.

A Clínica Invitro Reprodução Assistida, em nota, manifestou profundo pesar e afirmou que sua equipe adotou imediatamente os protocolos técnicos “desde os primeiros sinais de intercorrência”, prestando atendimento emergencial e encaminhando a paciente ao hospital com acompanhamento.

A clínica também ressaltou que “todo procedimento cirúrgico e médico possui riscos inerentes e intercorrências possíveis”, atuando dentro das normas técnicas e regulatórias aplicáveis. A Vigilância Sanitária, após a repercussão do caso, encontrou irregularidades na unidade.

O Legado de Mariana e a Despedida Emocionante

Mariana Francisco Ferreira, natural de Niterói (RJ), era uma profissional dedicada, destacada pelo “zelo na apreciação das causas” e comprometimento com a efetividade das decisões, conforme a corregedora de sua comarca. Ela atuava na Vara Criminal da Comarca de Sapiranga, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) lamentou profundamente a morte da magistrada, decretando luto oficial de três dias e destacando sua trajetória. A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS) também manifestou “profundo pesar e consternação”, solidarizando-se com familiares e amigos.

O enterro de Mariana ocorreu no Cemitério da Saudade, em Mogi das Cruzes, marcado por grande emoção. A mãe e a irmã da juíza, visivelmente abaladas, se abraçavam constantemente, reabrindo o caixão para uma última e dolorosa despedida, um momento de profunda dor para a família.

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