Juiz de Pokémon: Radiologista de Campinas concilia medicina e torneios globais, inspirando 250 mil como ‘Tiu Gabis’

A vida de Gabriel Giordano Penteado, um médico radiologista de 46 anos em Campinas, São Paulo, é uma prova de que paixões antigas podem florescer de maneiras inesperadas. Conhecido nas redes sociais como ‘Tiu Gabis’, ele habilmente concilia sua exigente carreira na medicina com o vibrante universo dos jogos de cartas colecionáveis, atuando como um respeitado Juiz de Pokémon.

Com mais de 250 mil seguidores, ‘Tiu Gabis’ compartilha sua rotina dupla, inspirando muitos ao mostrar como é possível equilibrar responsabilidades profissionais com hobbies que trazem alegria e até mesmo reconhecimento global. Sua história é um exemplo marcante, especialmente relevante no Dia do Orgulho Nerd, celebrado em 25 de maio.

A jornada de Gabriel, que o levou de um fã de ‘Magic’ na juventude a uma figura proeminente no cenário de Pokémon, ressalta a importância de cultivar interesses pessoais e o impacto que eles podem ter na vida familiar e profissional, conforme informação divulgada pelo g1.

A redescoberta de um hobby e a jornada em família

A paixão de Gabriel por jogos de cartas, adormecida durante anos de dedicação à medicina, foi reacendida de forma surpreendente por seu filho. Ele relembra o momento: “Olhei as cartinhas e falei: ‘nossa, lembra o Magic que eu jogava em 95, vou aprender a jogar com ele’. Aprendi a jogar, ele gostou e entrou para o mundo competitivo”, conta o radiologista.

Desde então, Gabriel se tornou um treinador e um companheiro de jornada para o filho. A flexibilidade do trabalho em home office permitiu que ele acompanhasse o jovem em competições ao redor do mundo. “É um mundo totalmente à parte, tem campeonato no mundo inteiro. Pra você ter uma ideia, meu filho tem 19 anos e já foi pra Austrália umas 7 vezes, tudo isso pra jogar Pokémon”, destaca.

O hobby se transformou em um verdadeiro negócio de família. Sua esposa, que cursa medicina, e seu irmão também se tornaram juízes. A filha mais nova, por sua vez, adora colecionar as cartas e participar dos vídeos, embora não tenha o mesmo interesse competitivo do irmão, uma escolha que Gabriel faz questão de respeitar. “Quando minha filha chegou na idade de começar a jogar ela não quis. Abrir pacotinho é que ela brilha, e eu respeito isso, tem criança que só quer colecionar e abrir pacotinho. A gente não forçou ela”, afirma.

Do hospital às redes sociais: o nascimento de ‘Tiu Gabis’

A carreira de influenciador de Gabriel começou de forma despretensiosa durante a pandemia de Covid-19. Trabalhando em um hospital, ele temia os riscos e decidiu gravar vídeos para deixar memórias para sua filha pequena. “Eu ia trabalhar no hospital e minha filha tinha 3 anos, e eu falei: ‘cara, se eu pegar isso eu vou morrer'”, relata.

Ele continua, explicando o início de sua popularidade: “Comecei a fazer vídeo na quarentena pra minha filha lembrar de mim, se acontecer alguma coisa. Daí eu gostei. Começou a pegar engajamento, viralizou”. O sucesso foi tanto que, em março de 2026, Gabriel foi homenageado pela Câmara Municipal de Campinas, reconhecendo seu impacto nas redes sociais e na comunidade.

Os benefícios e desafios do universo Pokémon

Contrariando a visão de muitos, Gabriel defende que os jogos de cartas são aliados importantes na formação das crianças. “É saudável porque o jogo é sério, treina a mente, é como se fosse um xadrez. Pode ajudar na socialização, no raciocínio, na concentração da criançada. É um jeito de aprender de forma lúdica”, enfatiza.

No entanto, ele aponta um grande desafio no Brasil: o alto custo das cartas. “Nos Estados Unidos, a caixa de pacotinhos é menos de um dia de trabalho. No Brasil, é mil e poucos reais, aí fica inviável”, lamenta. Apesar disso, os jogos de cartas colecionáveis, ou TCGs, são considerados esportes da mente, com um cenário competitivo que oferece premiações significativas, onde cartas raras podem valer mais de R$ 50 mil.

O papel fundamental de um Juiz de Pokémon

Como Juiz de Pokémon, Gabriel desempenha um papel crucial na organização e mediação dos campeonatos, garantindo que todas as regras sejam cumpridas e que o ambiente seja justo para todos. Suas funções incluem:

  • Organizar e mediar as partidas do evento, garantindo que todas as regras estejam sendo cumpridas;
  • Esclarecer dúvidas e aplicar penalidades durante as partidas quando necessário;
  • Verificar se os baralhos dos jogadores estão de acordo com as regras antes do início do torneio;
  • Monitorar toda a área do evento, ajudando e atendendo os visitantes.

Por ser pai de um competidor, Gabriel evita arbitrar as partidas principais para manter a imparcialidade. “Eu nunca quis me envolver na parte do evento principal para não falarem que fui parcial”, explica. Ele destaca que qualquer pessoa pode se tornar um Juiz de Pokémon, bastando fazer um cadastro e realizar uma prova online no site oficial do jogo, que geralmente é em inglês e exige um profundo conhecimento das regras e mecânicas.

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