Atlas da Violência 2026: Homicídios na região de Ribeirão Preto superam média de SP, com Franca e Sertãozinho dobrando a taxa estadual e revelando violência oculta

O recente levantamento do Atlas da Violência 2026 trouxe à tona um panorama preocupante para a região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A pesquisa revela que o índice de homicídios na área superou a média estadual, acendendo um sinal de alerta para diversas cidades.

Enquanto o Brasil celebra a menor taxa de homicídios em mais de uma década, a realidade local aponta para desafios persistentes. O estudo detalha as variações nos crimes contra a vida, com algumas localidades registrando aumentos expressivos.

As informações foram divulgadas pelo g1, com base nos dados mais recentes do estudo, que incluem uma metodologia aprimorada para identificar mortes violentas por causa indeterminada, reclassificando-as como homicídios e impactando significativamente os números apresentados.

O cenário alarmante de Franca e Sertãozinho na região de Ribeirão Preto

Entre as cidades da região com mais de 100 mil habitantes, Franca e Sertãozinho se destacam negativamente. Franca, por exemplo, registrou 38 mortes violentas por causa indeterminada, que foram contabilizadas como homicídios pela nova metodologia do Atlas da Violência. Somados aos 18 registros oficiais, o número real de crimes contra a vida é bem maior.

O índice de Franca, conforme o levantamento de 2026, é superior ao registrado em 2025, que era de 11,3. Atualmente, a cidade apresenta uma taxa de homicídios que supera o dobro do registrado pelo estado de São Paulo, evidenciando uma escalada preocupante da violência.

Sertãozinho também apresentou um salto alarmante em seus números. Entre 2023 e 2024, a taxa de homicídios na cidade elevou-se de 1,5 para 12,9 homicídios por 100 mil habitantes. Com 17 crimes registrados para uma população de 131,6 mil pessoas, a cidade também superou o dobro da média estadual, reforçando a complexidade do índice de violência regional.

Ribeirão Preto e Barretos: tendências distintas na segurança pública

Em contraste com Franca e Sertãozinho, a cidade de Ribeirão Preto foi a única na região a registrar uma queda em seu índice de homicídios. A taxa diminuiu de 8,3 para 7,8 entre os anos de 2023 e 2024, um dado que, embora positivo, ainda insere o município em um contexto de atenção.

Barretos, por sua vez, manteve a mesma proporção de crimes, com uma incidência de 7,1 homicídios por 100 mil habitantes. Apesar de ser a menor taxa entre os maiores municípios da região, a estabilidade nos números mostra que a vigilância sobre a segurança pública deve ser contínua em toda a área.

A metodologia por trás dos números: revelando homicídios ocultos

Um dos pontos cruciais do Atlas da Violência 2026 é a metodologia inovadora utilizada para calcular os índices. Pesquisadores empregaram aprendizado de máquina para identificar e contabilizar como homicídios as mortes violentas por causa indeterminada, que muitas vezes ficam subnotificadas nas estatísticas oficiais.

Essa abordagem é fundamental para compreender a real dimensão da violência no país. Em Franca, por exemplo, os 38 registros nesse critério potencializaram significativamente o índice de violência da cidade, revelando uma realidade mais dura do que a percebida inicialmente.

A resposta da Secretaria de Segurança Pública e o contexto nacional da violência

A Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP/SP) informou que a região do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 3 (Deinter 3), que engloba Ribeirão Preto, Franca, Sertãozinho e Barretos, tem registrado uma queda histórica nos homicídios dolosos. De acordo com a pasta, entre abril de 2025 e março de 2026, a taxa regional foi de 5,23 homicídios dolosos por 100 mil habitantes.

Essa taxa representa uma redução de aproximadamente 66% em relação ao início da série histórica, em 2001, quando o índice era de 15,46. A SSP/SP atribui essa melhora ao trabalho contínuo de integração entre as forças de segurança estaduais, além de mencionar o policiamento ostensivo, ações de inteligência e programas como o SPVida, que visa a integração na análise e prevenção de crimes.

Apesar de apresentarem taxas acima da estadual, os municípios da região de Ribeirão Preto tiveram índices menores que o nacional, que foi de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024. Este foi o menor patamar em 11 anos para o Brasil, embora ainda represente 42,6 mil casos. O Amapá, por exemplo, registrou a maior taxa do país, com 45,7 homicídios por 100 mil habitantes.

O Atlas da Violência 2026 analisou 5.570 municípios, sendo que 1.578 não registraram nenhum homicídio estimado no ano. Contudo, a média municipal foi de 20 homicídios por 100 mil habitantes, indicando que um pequeno grupo de cidades com índices muito elevados de violência acaba puxando a média nacional para cima, concentrando 50% dos homicídios do país em apenas 99 municípios, o equivalente a cerca de 1,8% das cidades brasileiras.

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