Dentista Valéria Ribeiro Presa em Goiânia: Sete Pacientes Deformados Após Cirurgias Estéticas Irregulares e Sem Habilitação

A operação da Polícia Civil revelou que procedimentos como rinoplastia e lipo de papada eram feitos em ambiente inadequado, sem autorização e com graves sequelas.

A cidade de Goiânia foi palco de uma operação policial que chocou a comunidade e levantou sérias questões sobre a segurança em procedimentos estéticos. Uma dentista, **Valéria Ribeiro**, foi presa sob a acusação de deformar sete pacientes que buscaram seus serviços.

As vítimas, que almejavam melhorias estéticas como rinoplastia e lipo de papada, teriam desenvolvido sequelas graves, incluindo infecções, necroses e deformidades permanentes, após as intervenções realizadas na clínica dela.

A investigação da Polícia Civil, que deu origem à operação ‘Protocolo de Risco’, aponta para a realização de cirurgias sem a devida habilitação e em condições sanitárias inadequadas, conforme informações divulgadas pelo g1.

A Prisão e as Acusações Graves

A **dentista Valéria Ribeiro** foi detida preventivamente em Goiânia, suspeita de causar lesões graves e deformidades em, pelo menos, sete pacientes. A prisão ocorreu durante uma operação conjunta da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária no Setor Bueno, um bairro nobre da capital.

Além da prisão da profissional, uma funcionária da clínica também foi presa em flagrante por tentar ocultar produtos e objetos que seriam de interesse da investigação, dificultando o trabalho das autoridades durante a operação.

Segundo a Polícia Civil, as apurações começaram em 2024, mas os relatos das vítimas datam desde 2023. Os depoimentos foram cruciais para a identificação dos padrões de irregularidade nos procedimentos estéticos.

Procedimentos Irregulares e Riscos à Saúde

Entre os procedimentos estéticos realizados pela **dentista Valéria Ribeiro**, estavam a **rinoplastia** (remodelação de nariz), a **bichectomia** (remoção parcial das bochechas) e a **lipo de papada** (remoção de gordura na região do pescoço). A polícia ressalta que, na época dos fatos, Valéria não possuía qualquer autorização ou especialidade para realizar cirurgias invasivas desse tipo.

As vítimas relataram que as intervenções, algumas com duração superior a 12 horas, eram realizadas em uma sala odontológica comum. A ausência de condições sanitárias adequadas e falhas na esterilização dos materiais foram pontos cruciais levantados durante a investigação.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a falta de acompanhamento anestésico apropriado e a precariedade do ambiente contribuíram para as graves sequelas. Uma das pacientes, inclusive, **quase precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI)** após um procedimento, segundo o delegado responsável pelo caso.

As consequências para os pacientes foram devastadoras, incluindo **infecções severas, deformidades visíveis, fibroses, necroses e cicatrizes permanentes**. Estes danos não apenas afetaram a saúde física, mas também causaram abalos psicológicos profundos nas vítimas.

O Que Dizem a Defesa e o CRO-GO

A defesa da **cirurgiã-dentista Valéria Ribeiro**, representada pela advogada Caroline Bittar, informou que, até o presente momento, não teve acesso integral aos documentos que embasaram a operação policial. Por essa razão, a defesa não pôde apresentar uma resposta técnica e jurídica completa sobre os fatos noticiados.

A advogada afirmou que, assim que tiver acesso irrestrito à documentação, a defesa se manifestará de forma detalhada e fundamentada, buscando esclarecer os fatos e a posição da profissional perante as acusações que pesam contra ela.

O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO) também se pronunciou, confirmando que Valéria Ribeiro possui registro ativo. O conselho informou que acompanha o caso com atenção e que eventuais infrações éticas serão apuradas em âmbito administrativo, **respeitando o devido processo legal**, o contraditório e a ampla defesa.

O CRO-GO esclareceu ainda as normas para procedimentos estéticos. Enquanto a harmonização orofacial minimamente invasiva é permitida, cirurgias estéticas e cirúrgicas na face, como lipoaspiração de papada e rinoplastia, **exigem que o profissional seja comprovadamente especialista em Cirurgia Estética Orofacial (CEOF)**, conforme a Resolução CFO 286/2026. A não observância dessas regras pode levar à responsabilização.

O conselho reafirmou seu compromisso com a fiscalização ética e legal da Odontologia e com a segurança da população, destacando a importância de profissionais atuarem dentro dos limites técnicos e científicos estabelecidos pelas normas da profissão.

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