A Comissão Europeia comunicou nesta segunda-feira, 5 de fevereiro, que as negociações para aprovar o acordo comercial com os países do Mercosul progrediram, e a assinatura do pacto é esperada para “em breve”. Este anúncio, conforme informações da agência France Presse, sinaliza um otimismo renovado no bloco europeu.
Apesar do avanço, a porta-voz da União Europeia, Paula Pinho, não confirmou a data de 12 de janeiro, anteriormente citada como uma possibilidade para a assinatura com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. No entanto, ela assegurou que as conversas estão bem encaminhadas e que o bloco europeu continua confiante em finalizar o acordo em um futuro próximo.
O processo de encerramento do acordo, que cria a maior zona de livre comércio do mundo, foi adiado de dezembro para janeiro, após a Itália se juntar à França na demanda por maior proteção para seu setor agrícola. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou confiança de que um número suficiente de Estados-membros da União Europeia apoiará o acordo, mesmo com o leve adiamento, segundo a Reuters.
O Avanço nas Negociações e as Expectativas
As discussões sobre o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul têm sido intensas, com a Comissão Europeia buscando a aprovação final. A expectativa de que a assinatura ocorra “em breve” reflete a percepção de que a maioria dos pontos críticos está sendo abordada, embora com desafios notáveis.
Originalmente, o pacto previa a criação de uma vasta zona de livre comércio, com a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação. Além disso, ele estabelece regras comuns para áreas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, o que o torna um tratado abrangente e de grande impacto.
Apesar da confiança demonstrada por líderes europeus como Ursula von der Leyen, o caminho até a assinatura definitiva ainda depende da superação de resistências internas, especialmente focadas na proteção de setores econômicos específicos dentro da UE. A aprovação final requer o aval do Conselho Europeu, que exige o apoio da maioria dos países do bloco e de grande parte da população europeia.
A Firme Oposição da França
A França se mantém como o principal foco de resistência ao tratado dentro do bloco europeu. O presidente Emmanuel Macron declarou que o país não apoiará o acordo comercial sem a inclusão de novas salvaguardas para os agricultores franceses. Essa postura reflete uma preocupação profunda com a concorrência.
“Quero dizer aos nossos agricultores, que expressam a posição francesa desde o início, que consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, afirmou Macron à imprensa, antes de uma das reuniões de cúpula da União Europeia. Ele antecipou que a França se oporá a qualquer “tentativa de forçar” a adoção do pacto.
Entre os agricultores franceses, o acordo com o Mercosul é amplamente visto como uma ameaça. Eles temem a concorrência com produtos latino-americanos que, segundo eles, são mais baratos e produzidos sob padrões ambientais distintos dos europeus, o que poderia prejudicar a economia agrícola local.
A Posição Condicional da Itália
A Itália, por sua vez, alinhou-se à França em suas preocupações, mas sua posição parece mais flexível. A primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o país pode apoiar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, desde que as preocupações levantadas pelos agricultores italianos sejam atendidas.
“O governo italiano está pronto para assinar o acordo assim que forem dadas as respostas necessárias aos agricultores, o que depende das decisões da Comissão Europeia e pode ser resolvido rapidamente”, declarou Meloni. Esta postura sugere que, com as garantias adequadas, a Itália pode se tornar uma aliada na aprovação do tratado.
Os Apoiadores do Acordo e o Otimismo Brasileiro
Enquanto França e Itália demonstram resistência, países como Alemanha e Espanha defendem que o bloco avance no acordo. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, argumentam que o tratado pode ajudar a compensar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos europeus e reduzir a dependência em relação à China.
Ao ampliar o acesso a minerais e novos mercados, Alemanha, Espanha e países nórdicos veem o acordo como uma ferramenta estratégica. “Se a União Europeia quiser manter credibilidade na política comercial global, decisões precisam ser tomadas agora”, declarou o chanceler alemão, enfatizando a urgência da situação.
No Brasil, o governo segue otimista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Itália não é contra o tratado e que a resistência vem da pressão dos agricultores. Ele acredita que o país deve aderir ao acordo, reforçando a visão de que os obstáculos podem ser superados para a concretização de um dos maiores pactos comerciais do mundo.