Caso Família Aguiar: Esposa, Irmão e Amigo de PM Preso São Investigados por Fraude Processual e Falso Testemunho no Desaparecimento

Avanços cruciais na investigação do sumiço da Família Aguiar revelam novos suspeitos e detalhes sobre a manipulação de provas e álibis, intensificando a busca por justiça.

O caso do desaparecimento da Família Aguiar, que chocou o Rio Grande do Sul, ganhou um novo e significativo desdobramento. A investigação, que antes focava exclusivamente no policial militar Cristiano Domingues Francisco, agora se expande para seu círculo mais próximo.

A Polícia Civil de Cachoeirinha, responsável pelo inquérito, passou a investigar a companheira do PM, seu irmão e um amigo próximo. Eles são suspeitos de crimes como fraude processual e falso testemunho, indicando uma possível rede de apoio ao principal suspeito.

Essas novas frentes de investigação buscam esclarecer as circunstâncias do sumiço de Silvana Germann de Aguiar e seus pais, Isail e Dalmira Aguiar, cujas chances de serem encontrados com vida são consideradas remotas, conforme informação divulgada pelo g1.

Novos Suspeitos e as Acusações

Até então, apenas o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana Aguiar e detido desde 10 de fevereiro, era o único suspeito formalmente investigado. Agora, Milena Ruppenthal Domingues, companheira do PM, está sob investigação por fraude processual.

Milena é suspeita de ter apagado dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem, uma ação que, segundo o delegado, caracteriza a tentativa de manipular provas. Profissional da área de TI, sua expertise teria sido utilizada para dificultar o trabalho da polícia.

Wagner Domingues Francisco, irmão de Cristiano, também é suspeito de fraude processual. Ele teria deletado imagens de câmeras de segurança da casa onde residem a mãe dele e o PM, outra ação que visa ocultar evidências cruciais para o caso da Família Aguiar.

Além disso, um amigo de Cristiano, cujo nome não foi divulgado, está sendo investigado por falso testemunho. De acordo com a polícia, a pedido de Milena, o homem teria mentido em seu depoimento, buscando fornecer álibis falsos para o principal suspeito do desaparecimento da Família Aguiar.

O delegado responsável pelo caso, Spier, confirmou que os três já foram interrogados e “pregressados”, ou seja, foram informados sobre as descobertas da investigação e sua nova condição de suspeitos. A defesa de Cristiano, representada por Jeverson Barcellos, segue acompanhando o cliente.

Motivações por Trás do Desaparecimento

A principal linha de investigação da Polícia Civil aponta para crimes graves: feminicídio no caso de Silvana, duplo homicídio dos pais dela e ocultação de cadáver. Silvana, inclusive, já integra a lista oficial de vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026, um dado alarmante.

A motivação primária para o crime teria sido desavenças na criação do filho de Silvana e Cristiano. Silvana havia procurado o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia suas orientações nos cuidados com o filho, que tinha restrições alimentares específicas.

“A gente tem já na investigação formalizado que a motivação passa pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho”, explicou o delegado Spier. Ele também afirmou que Silvana estaria planejando entrar com um processo judicial contra o ex-companheiro.

“Existem informações que também dão conta que ela iria procurar um advogado para tratar questões atinentes à guarda e outros elementos. Então a gente acha que isso pode ter sido o fator, o gatilho, que desencadeou a ação dele”, complementou Spier, reforçando a teoria.

Outro ponto crucial investigado é a questão patrimonial. A Família Aguiar possuía muitos bens, incluindo imóveis e apartamentos de aluguel. Em caso de morte de Silvana e de seus pais, todos esses bens, em uma sucessão, viriam a se tornar propriedade do neto, filho de Silvana e Cristiano, o que poderia configurar um forte motivo.

Inquérito Próximo da Conclusão

O inquérito sobre o desaparecimento da Família Aguiar está se aproximando da conclusão. O policial militar Cristiano será ouvido novamente na próxima semana, o que tende a ser seu último depoimento antes do encerramento das investigações.

A tendência é que Cristiano, sua esposa Milena, seu irmão Wagner e o amigo investigado por falso testemunho sejam indiciados, conforme indicou o delegado Spier. As contas bancárias de Silvana, Isail e Dalmira não apresentaram movimentação desde o desaparecimento, o que leva a polícia a descartar praticamente a possibilidade de encontrá-los com vida.

Linha do Tempo do Caso Família Aguiar

A investigação detalhada do desaparecimento da Família Aguiar revelou uma série de eventos cruciais. Em 2 de janeiro, Silvana buscou contato com o Conselho Tutelar, comparecendo à instituição em 9 de janeiro para relatar o desrespeito do ex-marido às restrições alimentares do filho.

Em 24 de janeiro, Silvana foi vista pela última vez. Uma publicação em suas redes sociais informava sobre um suposto acidente em Gramado, o que a polícia posteriormente confirmou ser falso, uma tentativa de despistar o desaparecimento. Imagens de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na residência de Silvana naquela noite.

No dia 25 de janeiro, os pais de Silvana, Isail e Dalmira, saíram para procurá-la após serem alertados por vizinhos. Eles tentaram registrar o desaparecimento, mas a delegacia estava fechada. Em seguida, teriam ido à casa de Cristiano, que, em depoimento inicial como testemunha, afirmou que os ajudaria mais tarde. Os idosos foram vistos pela última vez entrando em um carro não identificado, e desde então, não foram mais vistos.

As ocorrências de desaparecimento foram registradas formalmente em 27 e 28 de janeiro. Em 1º de fevereiro, Cristiano enviou uma foto da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal. Em 3 de fevereiro, um projétil de arma de fogo foi encontrado no pátio da casa dos idosos.

Em 4 de fevereiro, a Polícia Civil confirmou que o caso era tratado como crime, descartando sequestro. No dia 5, vestígios de sangue foram encontrados na casa de Silvana. O celular de Silvana foi localizado em 7 de fevereiro, escondido em um terreno baldio. Em 9 de fevereiro, foi confirmado que o cartucho encontrado era de festim.

Cristiano foi preso temporariamente em 10 de fevereiro, após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita e áudios revelarem tentativa de interferir na investigação. Em 20 de fevereiro, o PM prestou depoimento, mas permaneceu em silêncio. A perícia do celular de Silvana, divulgada em 24 de fevereiro, confirmou que o aparelho nunca esteve em Gramado.

Em 25 de fevereiro, Silvana foi oficialmente considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026. Buscas intensas por corpos foram realizadas em áreas de matas e rios nos dias seguintes. A prisão do PM foi prorrogada por 30 dias em 9 de março, e novas buscas com cães farejadores ocorreram em 13 de março, enquanto o desaparecimento da Família Aguiar completava dois meses em 24 de março.

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