Com Esclerose Múltipla, Jovem de 19 Anos Supera Crises e Realiza Sonho de Cursar Arquitetura pelo SUS em Maceió

Maria Eloísa, diagnosticada com esclerose múltipla, superou grandes desafios e adaptou a rotina escolar para concluir os estudos e se preparar para a faculdade de Arquitetura.

A história de Maria Eloísa, uma jovem de 19 anos, é um testemunho inspirador de resiliência e determinação. Ela enfrentou o diagnóstico de esclerose múltipla durante o ensino médio.

Mesmo com crises intensas e a necessidade de adaptar sua rotina escolar, Maria Eloísa concluiu seus estudos em Maceió. Sua jornada é um exemplo notável de superação pessoal.

Agora, ela se prepara para iniciar o curso de Arquitetura, um sonho que se concretiza com o apoio de sua família e um tratamento eficaz pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Sua trajetória foi detalhada em uma reportagem emocionante, conforme informação divulgada pelo g1, e serve de inspiração para muitos que enfrentam desafios de saúde semelhantes.

A Jornada de Maria Eloísa: Do Diagnóstico à Superação

Maria Eloísa, nascida em Garanhuns, Pernambuco, mudou-se para Maceió em 2020 com a família. O período de adaptação foi marcado por desafios, incluindo a pandemia de Covid-19.

Seu pai, caminhoneiro, realizava mudanças. Sua mãe trabalhava como manicure e diarista. “Assim fomos mantendo a casa”, contou Maria Eloísa ao g1, destacando a união familiar.

Os primeiros sinais da esclerose múltipla surgiram em 2021, durante uma viagem a Garanhuns. Ela começou a sentir fraqueza nos braços, dificuldades na fala e nas pernas.

A segunda crise, ainda mais severa, ocorreu em 2023, aos 16 anos, no 1º ano do ensino médio. Maria Eloísa precisou ser internada em Recife devido à piora dos sintomas.

Após a alta, a recuperação física e mental ainda era lenta. “Depois da alta, ainda não estava bem fisicamente nem mentalmente, então precisei me afastar da escola”, relatou.

A suspeita de esclerose múltipla se intensificou após a segunda crise. O diagnóstico definitivo veio em 2024, após investigação médica aprofundada, confirmando a condição.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica que afeta o sistema nervoso central. Ela compromete a comunicação entre o cérebro e o corpo.

Desafios na Rotina Escolar e o Apoio Essencial

A recuperação de Maria Eloísa exigiu adaptações em sua rotina escolar. Com dificuldades para escrever e sensibilidade ao calor, ela enfrentou obstáculos práticos diários.

“Eu passava mal por causa do calor. Pedi para levar meu ventilador e fiquei assim até a escola instalar ar-condicionado”, contou, demonstrando sua persistência.

Sem conseguir escrever à mão, ela começou a anotar conteúdos pelo celular. Depois, ganhou um tablet do irmão, o que facilitou o acompanhamento das aulas.

Com sessões de fisioterapia dedicadas, Maria Eloísa recuperou gradualmente seus movimentos. Atualmente, a doença está estabilizada, permitindo uma vida mais normal.

Durante todo esse período, o apoio de sua família, amigos, namorado e colegas foi fundamental. A solidariedade e compreensão foram pilares em sua recuperação.

“Antes da crise eu tinha uma vida normal, viajava, fazia cursos. Depois precisei parar por cerca de cinco meses. O apoio de todos fez muita diferença”, afirmou.

A estudante também destacou a fé como parte importante da recuperação. A família fez promessas pela melhora, incluindo uma viagem a Juazeiro do Norte, no Ceará.

Tratamento Eficaz Pelo SUS e o Sonho da Arquitetura

Maria Eloísa faz acompanhamento médico a cada seis meses e utiliza o medicamento Fingolimode, fornecido integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Ela destaca que o custo do remédio, cerca de R$ 7 mil por caixa, seria inacessível sem o SUS. Isso demonstra a importância vital do sistema público de saúde no Brasil.

“Meu tratamento é tranquilo. Tomo apenas um remédio por dia e faço exames de sangue a cada seis meses para continuar recebendo o medicamento”, explicou.

Todo o processo, desde os exames para diagnóstico até o fornecimento da medicação, foi realizado pela rede pública de saúde. Isso garantiu o acesso ao tratamento necessário.

O interesse pela Arquitetura surgiu em 2025, quando ela participou do Programa de Apoio aos Estudantes das Escolas Públicas do Estado (PAESPE) na UFAL.

“Conheci pessoas, tive contato com a universidade e fui me interessando pela área”, disse a jovem, encontrando sua paixão durante o programa.

Agora, após concluir o ensino médio, Maria Eloísa aguarda o início da faculdade de Arquitetura, previsto para junho. Ela mantém sua rotina normalmente, usando transporte público.

“Graças a Deus, a doença estacionou e estou me tratando. Hoje consigo seguir meus planos e começar uma nova fase”, afirmou, com otimismo.

Esclerose Múltipla: A Importância do Diagnóstico Precoce e Qualidade de Vida

A neurologista Maraysa Pereira ressalta que a esclerose múltipla é a doença neurodegenerativa do sistema nervoso central que mais incapacita adultos jovens.

A condição atinge mais mulheres entre 20 e 40 anos, mas pode acometer pessoas de qualquer idade, incluindo homens e idosos, segundo a neurologista.

A Dra. Maraysa explica que a doença pode se manifestar de diversas formas, com quadros de leves a mais agressivos. Isso exige atenção e acompanhamento individualizado.

“Na maioria dos casos, a resposta ao tratamento é muito boa. O paciente pode levar uma vida normal, principalmente quando o diagnóstico precoce é feito e o tratamento é iniciado rapidamente”, afirmou.

O tratamento é dividido em fase aguda, durante as crises, geralmente hospitalar por cinco a sete dias. Há também o tratamento contínuo, com medicações para evitar novas crises e reduzir a progressão da doença.

O objetivo principal é reduzir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente. Isso permite que ele mantenha suas atividades diárias e projetos.

“Pacientes com esclerose múltipla podem trabalhar, estudar e praticar atividade física normalmente. O mais importante é o acompanhamento médico adequado para evitar novas crises e possíveis sequelas”, enfatizou Maraysa Pereira.

No Brasil, estima-se que cerca de 15 pessoas a cada 100 mil habitantes convivam com a esclerose múltipla. Esse dado sublinha a relevância de histórias como a de Maria Eloísa, que inspiram a superação.

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