Caroline Acosta, uma das quase 9 mil migrantes acolhidas na capital paranaense, compartilha a angústia de ter a família em Caracas durante explosões e suspensão de garantias.
A comunidade venezuelana em Curitiba vive momentos de grande apreensão após notícias de um ataque dos EUA à Venezuela. Entre eles está Caroline Acosta, uma migrante venezuelana que reside na capital paranaense há cerca de dois anos e acompanha com o coração apertado os desdobramentos da crise em seu país de origem, a Venezuela.
A madrugada foi de insônia para muitos, incluindo Caroline, que se manteve conectada às redes sociais e à família em Caracas. A capital venezuelana foi palco de uma série de explosões, aumentando a tensão na região.
Declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre um ataque dos EUA e a suposta captura de Nicolás Maduro intensificaram ainda mais o clima de incerteza e preocupação entre os migrantes venezuelanos e seus familiares.
Este cenário de tensão global ressoa fortemente em Curitiba, cidade que se tornou um importante refúgio para milhares de migrantes venezuelanos. A capital paranaense tem um papel crucial na acolhida desta comunidade.
Conforme informações divulgadas pelo g1, a situação delicada na Venezuela tem gerado grande preocupação entre os migrantes venezuelanos que buscam segurança e estabilidade no Brasil, especialmente em Curitiba.
Acompanhando a Crise de Longe, mas com o Coração Próximo
Caroline Acosta, que vive no Brasil há cerca de dois anos, acompanha as informações por meio das redes sociais, com transmissões ao vivo de jornalistas venezuelanos, e pela família. Ela busca notícias constantemente sobre a situação em seu país.
A preocupação é redobrada pela localização de seus entes queridos. “A família da minha mãe está em Caracas, bem perto de onde Maduro foi deposto”, relata Caroline Acosta. Ela destaca a gravidade da situação atual na Venezuela.
“No momento, as garantias constitucionais estão suspensas, mas as pessoas estão tentando manter a calma. Há medo, sim, mas também depositamos nossas esperanças em Deus”, detalha Caroline Acosta, expressando a dualidade de sentimentos entre a apreensão e a fé.
A madrugada do sábado foi particularmente difícil para a migrante venezuelana. “Hoje meu coração vive sentimentos misturados. Há preocupação, angústia e silêncio pelas nossas famílias que estão na Venezuela, vivendo horas delicadas”, afirma Caroline Acosta.
Ela descreve um momento onde “as garantias parecem suspensas e a incerteza pesa no ar”. Caroline acrescenta: “Pensamos nos mais vulneráveis, nos que estão ali, firmes no meio da tempestade, e oramos para que Deus os cubra com proteção e força. […] Desde a madrugada, as emoções estão à flor da pele”.
Explosões em Caracas e Declarações de Trump Aumentam Tensão
A série de eventos que gerou a apreensão começou na madrugada deste sábado, quando uma série de explosões atingiu Caracas, capital da Venezuela. Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de cerca de 30 minutos, causando alarme.
A tensão foi amplificada por uma declaração feita em uma rede social pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele afirmou que um ataque dos EUA havia ocorrido e que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, havia sido capturado, intensificando a crise política.
Uma imagem de um incêndio em Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, após uma série de explosões em 3 de janeiro de 2026, circulou e adicionou mais um elemento de preocupação ao cenário já turbulento, conforme reportado.
Curitiba, Porto Seguro para Milhares de Venezuelanos
A situação na Venezuela tem um impacto direto em Curitiba, que se destaca como a cidade brasileira que mais recebeu venezuelanos por meio da Operação Acolhida. Esta operação é coordenada pelo Subcomitê Federal de Acolhimento e Interiorização de Imigrantes em Situação de Vulnerabilidade.
Entre abril de 2018 e novembro de 2025, um total de 8.930 migrantes venezuelanos foram acolhidos na capital paranaense por meio da operação. Esses dados sublinham a importância de Curitiba como um centro de refúgio e esperança para aqueles que fogem da crise em seu país.
A preocupação de Caroline Acosta reflete o sentimento de muitos na comunidade de migrantes venezuelanos em Curitiba, que acompanham de perto cada notícia, torcendo pela segurança de suas famílias e pela estabilidade de sua nação.