Mais de um mês após as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora em fevereiro, a situação da educação na cidade permanece crítica, com seis escolas ainda sem condições de retomar as aulas. Essa paralisação afeta diretamente a vida de mais de 1.700 alunos, que estão sem acesso regular ao ensino em unidades das redes municipal e estadual, além de uma instituição federal.
Os impactos das intempéries se estendem por diversos bairros, gerando desafios estruturais e logísticos que demandam intervenções significativas. Enquanto algumas atividades são retomadas parcialmente, grande parte dos estudantes enfrenta a incerteza sobre o futuro de suas rotinas escolares.
A comunidade escolar, incluindo pais, alunos e educadores, acompanha de perto os desdobramentos, cobrando celeridade nas soluções para garantir o direito à educação. As informações são do G1, que detalha os esforços e os obstáculos enfrentados pelas autoridades locais e federais.
Desafios na Rede Municipal de Juiz de Fora
Cinco escolas da rede municipal de Juiz de Fora continuam fechadas, impactando cerca de 1.713 estudantes. A Escola Municipal Murilo Mendes, localizada no bairro Alto Grajaú, é um exemplo da complexidade da situação. Embora a Defesa Civil tenha atestado a adequação estrutural do prédio, o retorno às aulas, previsto para esta quinta-feira (26), foi adiado.
A Prefeitura de Juiz de Fora decidiu aguardar a tramitação de um processo junto à Defesa Civil Nacional. O objetivo é viabilizar o acesso a recursos que permitirão a realização de obras e serviços de manutenção essenciais na unidade, garantindo a segurança e o bem-estar de todos.
As outras quatro escolas da rede municipal que também enfrentam problemas estruturais e seguem sem aulas são a Escola Municipal Antônio Faustino da Silva, a Escola Municipal Clotilde Peixoto Hargreaves, a Escola Municipal Santa Cândida e a Escola Municipal Santa Catarina Labouré. A paralisação nessas unidades ressalta a dimensão do problema educacional na cidade.
Situação da Rede Estadual
Na rede estadual, a Escola Estadual Maria das Dores, situada no bairro Santa Helena, permanece interditada por questões de segurança. O acesso à unidade está bloqueado devido a um deslizamento de barranco na rua Barão de Cataguases, onde a escola está localizada, impedindo o retorno das atividades.
A Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora informou que está monitorando a situação de perto. A SRE avalia alternativas para que as aulas sejam retomadas o mais breve possível, minimizando os prejuízos aos estudantes.
De acordo com a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG), as atividades pedagógicas serão repostas posteriormente, conforme o calendário escolar de 2026. Essa medida visa assegurar o cumprimento dos 200 dias letivos previstos pela legislação, garantindo a formação integral dos alunos.
O Caso do Colégio de Aplicação João XXIII
O Colégio de Aplicação João XXIII, uma instituição federal vinculada à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), foi interditado em 4 de março e tem enfrentado um cenário desafiador. Embora parte dos alunos, especificamente os do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), tenha retomado as aulas em espaços cedidos pela UFJF, a situação dos estudantes do Ensino Fundamental permanece indefinida.
Pais e responsáveis aguardam um posicionamento oficial sobre a condição do prédio original, localizado na Rua Visconde de Mauá, no bairro Santa Helena. A incerteza gera preocupação e mobilização por parte da comunidade acadêmica.
Em nota, a UFJF comunicou que está preparando um edital de chamada pública para o aluguel de um espaço adequado. Este local provisório será destinado exclusivamente às atividades do Ensino Fundamental do Colégio João XXIII, buscando uma solução emergencial para a lacuna educacional.
Recursos e Perspectivas de Reconstrução
Em um esforço para apoiar a recuperação das escolas sem aulas em Juiz de Fora, o ministro da Educação, Camilo Santana, visitou a cidade em 16 de março. Na ocasião, ele anunciou a liberação de recursos significativos para ações emergenciais por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).
O ministro destacou que mais de R$ 5 milhões seriam repassados para intervenções imediatas em diversas unidades educacionais da cidade. As escolas contempladas incluem a Escola Municipal Antônio Faustino, a Escola Municipal Clotilde Hargreaves, a Escola Municipal Georg Rodembach, a Escola Municipal Adenilde Petrina e a Escola Municipal Santa Catarina Labouré.
Segundo informações da Prefeitura de Juiz de Fora, os recursos federais foram creditados diretamente nas contas das escolas na segunda-feira, dia 23 de março. A expectativa é que esses fundos permitam o início rápido dos reparos e das adequações necessárias para que as atividades escolares possam ser retomadas em segurança, amenizando o impacto das chuvas de fevereiro na educação local.