Crise no Setor de Reciclagem de Sorocaba Aprofunda-se com Desvalorização de Materiais e Perda de Mão de Obra
O setor de reciclagem em Sorocaba enfrenta um período de grande instabilidade, marcado pela **redução significativa dos preços de materiais recicláveis** e pela consequente diminuição da mão de obra nas cooperativas. Este cenário crítico impacta diretamente a **coleta seletiva** na cidade, tornando um desafio manter os serviços essenciais para o meio ambiente.
A desvalorização de itens como PET, ferro e papelão tem forçado os trabalhadores a buscar outras oportunidades, criando um ciclo vicioso de menor capacidade de produção e faturamento. A situação gera preocupação tanto para as cooperativas quanto para os moradores, que veem a regularidade da coleta seletiva comprometida.
As informações sobre essa crise foram divulgadas pelo g1, destacando a complexidade do problema e suas ramificações em toda a cadeia da reciclagem na região de Sorocaba.
A Queda dos Preços e o Desligamento de Cooperados
Desde dezembro, o mercado de **materiais recicláveis** tem registrado uma **queda acentuada nos preços de venda**, afetando diretamente a sustentabilidade das cooperativas. A presidente da Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso), Claire Pasqualini, explica que essa variação é comum no primeiro trimestre, mas que em 2026, o cenário de crise é maior do que o esperado.
Materiais que são carros-chefe para a receita das cooperativas sofreram desvalorizações consideráveis. O PET, por exemplo, que era vendido a R$ 4,30, hoje custa R$ 2,70. A sucata de ferro caiu de R$ 0,90, R$ 0,95 para R$ 0,70, e o papelão, de R$ 1,15 para R$ 0,85. “É um impacto muito grande”, ressalta Claire Pasqualini.
Essa **redução na receita** tem levado à saída de cooperados, que buscam melhores condições em outros setores. A Coreso, uma das duas cooperativas responsáveis pela **coleta seletiva porta a porta em Sorocaba**, registrou a saída de dez cooperados apenas no mês de fevereiro. Com menos pessoas trabalhando, a capacidade de coleta e processamento diminui, comprometendo o serviço.
Claire Pasqualini descreve o problema como um “ciclo difícil de romper: com menos cooperados, há menor capacidade de produção; com menor produção, há menos faturamento; e, consequentemente, as retiradas permanecem baixas, incentivando novos desligamentos”. Para tentar mitigar o problema, a cooperativa tem sido obrigada a refazer o cronograma de coleta.
Moradores de Sorocaba Buscam Soluções Alternativas para a Reciclagem
A instabilidade na **coleta seletiva** tem gerado transtornos para os moradores de Sorocaba que se esforçam para separar corretamente seus resíduos. O acúmulo de **recicláveis** em casa é uma das maiores dificuldades relatadas.
Maíra Antunes, moradora da Vila Rica, na zona oeste, compartilha sua frustração: “Antes, de duas em duas semanas, era mais fácil, porque a gente não juntava tanto. Mas, agora, eu estou achando difícil de ser a cada um mês. Eu estava com coisa parada desde o fim do ano, mas tive que levar e descartar em outro lugar, porque dá dó deixar no lixo da rua mesmo”.
Na zona leste, no bairro Bandeirantes, Alessandra Carrion tomou uma iniciativa notável, coletando os **recicláveis** da vizinhança em uma minivan e levando-os ao ecoponto mais próximo. “Eu não tenho coragem de jogar junto com o lixo orgânico, [porque] vai para o aterro sanitário e isso daí vai causar um dano muito grande para a natureza”, afirma Alessandra.
Os moradores do Bandeirantes estão se organizando para contratar alguém que faça a coleta e leve os materiais ao ecoponto, mas Alessandra enfatiza que essa é apenas uma alternativa paliativa à crise da **coleta seletiva** enfrentada pelas cooperativas. “É muito triste ver que isso está morrendo na nossa cidade. A gente precisa de ajuda”, lamenta a moradora.
O Papel da Prefeitura e as Perspectivas para a Coleta Seletiva
A Prefeitura de Sorocaba, por meio de nota, informou que foi comunicada pela Coreso sobre a falta de equipe para a **coleta seletiva porta a porta**. O município destaca que está participando do programa Integra Resíduos, do Governo do Estado, e que a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) está realizando estudos técnicos para formatar um novo modelo de serviço.
É importante ressaltar que os contratos da prefeitura com as **cooperativas de reciclagem** são acordos de cooperação. Neles, a cidade oferece a infraestrutura, como galpões, caminhões e máquinas, enquanto as cooperativas são responsáveis pela mão de obra e pela execução do serviço. Não há pagamentos ou ajuda financeira direta por parte da prefeitura, pois não se trata de um contrato de prestação de serviço.
A Coreso informou que até a próxima segunda-feira, dia 2 de março, deve publicar as novas datas para as coletas nos bairros, buscando minimizar os impactos da crise. A situação da **reciclagem em Sorocaba** continua em desenvolvimento, com a expectativa de que o programa estadual traga soluções a longo prazo.
Onde Descartar seus Recicláveis em Sorocaba
Enquanto as cooperativas e a prefeitura buscam soluções para a **crise da coleta seletiva**, os moradores de Sorocaba têm à disposição quatro ecopontos municipais para o descarte correto de **materiais recicláveis** e outros resíduos.
Os ecopontos funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, e aos sábados, das 7h às 12h. Os endereços são:
- Ecoponto Vila Helena: Rua Roque Sampaio, 100
- Ecoponto Cajuru: Rua Mário Monteiro de Carvalho, s/nº
- Ecoponto Júlio de Mesquita Filho: Avenida Domingues Martins, s/nº
- Ecoponto Vila Isabel: Rua Lourenço Molinero, 200
A utilização desses pontos de descarte é fundamental para garantir que os resíduos sejam encaminhados para a **reciclagem**, evitando que acabem em aterros sanitários e causem danos ambientais maiores.