Desvendada a complexa triangulação financeira: como fundos sob investigação injetaram milhões no resort da família Toffoli e a conexão com o Banco Master

A teia que une a Reag Investimentos, o Fundo Arleen e o empreendimento ligado ao ministro Dias Toffoli, com pedidos de quebra de sigilo pela CPI do Crime Organizado.

A investigação em curso revela uma complexa manobra financeira envolvendo fundos de investimento, um luxuoso resort e entidades ligadas à família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Este intrincado esquema, que aponta para uma possível triangulação financeira, está sendo minuciosamente analisado pelas autoridades.

No centro das apurações, estão fundos de investimento que teriam injetado milhões no Resort Tayayá, no Paraná, um empreendimento que teve a empresa Maridt, dos irmãos de Toffoli, como sócia. A teia de conexões se estende ao Banco Master e à Reag Investimentos, uma gestora já sob escrutínio por outras investigações.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado já solicitou a quebra de sigilos e a convocação de envolvidos para desvendar todos os detalhes dessa rota do dinheiro, conforme informação divulgada pelo g1.

A Rota do Dinheiro: Como a Triangulação Financeira Funcionou

A investigação detalha uma complexa triangulação financeira estruturada para ocultar beneficiários e inflar ativos, envolvendo nomes como o Banco Master e a Reag Investimentos. O ponto de partida foi em 2020, quando os irmãos de Dias Toffoli, um engenheiro e um padre, fundaram a Maridt.

A Maridt se tornou sócia do Resort Tayayá em dezembro do mesmo ano, permanecendo nessa posição até fevereiro de 2025, conforme os registros. Em 2021, a empresa vendeu sua participação para o Fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos.

O valor declarado na Junta Comercial para essa transação foi de R$ 3,1 milhões. Contudo, registros da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) apontam que o Fundo Arleen, na realidade, injetou R$ 20 milhões no empreendimento, levantando questionamentos sobre a discrepância.

Ainda dentro dessa triangulação entre fundos e resort da família Toffoli, o Fundo Leal, também administrado pela Reag, investiu outros R$ 20 milhões no Fundo Arleen. O cotista principal e único do Fundo Leal é Fabiano Zetel, que possui laços familiares com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Essa estrutura de “passeio do capital”, como descrita pela apuração, visa, segundo os investigadores, a ocultar os verdadeiros beneficiários finais das operações e a artificialmente valorizar ativos.

O Elo Comum: Reag Investimentos e a Operação Carbono Oculto

A Reag Investimentos, sob a gestão de João Carlos Mansur, emerge como o elo central e comum nessa triangulação financeira. A gestora já está sob investigação da Polícia Federal na Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo as investigações da PF, a Reag utilizava seus fundos para inflar o patrimônio do Banco Master de maneira artificial. As operações envolviam o “passeio” do dinheiro por diversas empresas, retornando valorizado em até 1.000% em poucas horas, sem que o capital saísse fisicamente do banco.

A grande suspeita dos investigadores é que o dinheiro proveniente do crime organizado possa ter sido utilizado para lavar ativos por meio da aquisição de participações no resort. Embora a família Toffoli afirme não ter a obrigação de conhecer a origem do dinheiro dos fundos, a PF busca determinar se os compradores tinham conhecimento da identidade dos vendedores, que incluem o ministro e seus familiares.

A Posição da Família Toffoli e a Reação da CPI

Pela primeira vez, o ministro Dias Toffoli admitiu publicamente ser sócio da Maridt. O nome do ministro não constava nos registros da Junta Comercial devido ao fato de a empresa ter sido constituída como uma Sociedade Anônima (S.A.) de Capital Fechado, um modelo que permite a omissão da identidade de acionistas que não atuam como administradores.

Toffoli alegou desconhecer quem estaria por trás do Fundo Arleen no momento em que a venda da participação da Maridt no resort foi realizada. A empresa Maridt, fundada em agosto de 2020, se tornou sócia do Resort Tayayá em dezembro daquele ano e, como mencionado, recebeu R$ 3,1 milhões do Fundo Arleen.

Diante do avanço das informações sobre essa triangulação de fundos e o resort da família Toffoli, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado intensificou suas ações. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-RS), e o presidente, senador Fabiano Contarato (PT-ES), apresentaram requerimentos importantes.

Entre os pedidos que devem ser votados nos próximos dias, estão a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Reag Investimentos e de seu gestor, João Carlos Mansur. Além disso, a CPI solicitou a convocação dos irmãos do ministro, José Eugênio e José Carlos Toffoli, e do próprio Mansur, para prestarem esclarecimentos.

O Que a CPI do Crime Organizado Busca Esclarecer

O principal foco da CPI agora é determinar se as mensagens encontradas no aparelho celular de Daniel Vorcaro, que fazem menção ao ministro Dias Toffoli, possuem uma conexão direta com essa intrincada engenharia financeira. Esta engenharia transformou um resort familiar em um canal para investimentos de fundos que estão sob investigação federal.

A comissão busca entender a profundidade das relações e se há indícios de que o ministro ou seus familiares tinham conhecimento da origem dos recursos que abasteceram o empreendimento. A triangulação de fundos investigados e o resort da família Toffoli é um dos eixos centrais dessa apuração.

A expectativa é que a análise dos sigilos e os depoimentos dos convocados tragam maior clareza sobre o fluxo do dinheiro e os reais beneficiários dessa complexa trama financeira, que envolve desde fundos de investimento até suspeitas de lavagem de dinheiro para organizações criminosas.

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