A Polícia Civil do Ceará desvendou a identidade do homem apontado como o líder de um esquema criminoso milionário que utilizava documentos falsificados de servidores públicos para aplicar golpes em diversas partes do Brasil. Conhecido como ‘TH’, o indivíduo é membro de uma facção criminosa e operava de longe.
A investigação detalhada revelou a complexa estrutura da quadrilha, que conseguia obter dados sensíveis e realizar operações financeiras fraudulentas, causando prejuízos significativos a inúmeras vítimas. A atuação do grupo se estendia por várias unidades da federação.
Esses detalhes foram revelados em um inquérito policial ao qual o g1 teve acesso, conforme informações divulgadas pelo portal.
A Liderança Foragida e a Conexão com o Crime Organizado
O chefe do esquema criminoso foi identificado como Thiago Antonio, conhecido pelo codinome ‘TH’. Ele é apontado pelas investigações como membro da facção Comando Vermelho (CV) e, segundo a Polícia Civil, reside no Rio de Janeiro, de onde orquestrava as ações da quadrilha.
Até a publicação desta reportagem, ‘TH’ permanece foragido. Existem dois mandados de prisão em aberto contra ele, expedidos nas cidades de Fortaleza, no Ceará, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Sua captura é prioridade para as autoridades que buscam desmantelar completamente o esquema de fraude.
De acordo com o inquérito policial, Thiago Antonio era o responsável por entregar os celulares com acesso já desbloqueado ao Gov.br, além de CNHs Digitais, contracheques e outros documentos necessários para a abertura das contas bancárias fraudulentas. Ele era o elo central de toda a operação.
A Engenharia da Fraude: Como o Esquema Operava
O esquema criminoso liderado por ‘TH’ possuía uma estrutura bem definida e dividida em, ao menos, três funções principais. Um integrante era encarregado de recrutar mulheres para a abertura das contas bancárias, simulando serem as vítimas.
Outro membro fazia o contato direto com o chefe da organização, ‘TH’, que fornecia os materiais essenciais para as fraudes. As mulheres recrutadas, por sua vez, eram as responsáveis por ir até as agências bancárias e tentar abrir as contas fraudulentas, utilizando os documentos de servidores públicos.
O líder do grupo informava em quais agências bancárias as vítimas não possuíam contas, orientando seus comparsas a comparecerem a essas unidades para que os cadastros fraudulentos pudessem ser realizados sem levantar suspeitas. Essa organização permitia que o esquema fosse eficiente e abrangente.
O Rastro de Vítimas e os Prejuízos Milionários
A investigação revelou que o grupo fez vítimas em pelo menos cinco unidades da federação: Piauí, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Os criminosos buscavam documentos de mulheres, preferencialmente aquelas que tivessem alguma semelhança física com a pessoa que iria se apresentar no banco, como Amanda.
Em um dos golpes, a quadrilha conseguiu CNH e comprovantes de endereço e renda de uma mulher. Com esses documentos, eles contrataram uma operação de crédito consignado em folha no valor de R$ 39,1 mil, divididos em 70 parcelas de R$ 1.517,87, gerando um enorme prejuízo à vítima.
Em outro caso de fraude, os criminosos obtiveram os mesmos tipos de documentos de outra mulher e solicitaram dois cartões de crédito. Posteriormente, realizaram duas compras de R$ 990 cada. Os valores obtidos pelo grupo eram divididos, com 50% indo para ‘TH’ e a outra metade sendo partilhada entre os demais integrantes, Lucas, Rodrigo e Amanda.
A Captura do Trio e a Continuidade das Investigações
Um trio envolvido no esquema criminoso, composto por Lucas, Rodrigo Matheus e Amanda, foi capturado em flagrante em 27 de abril, em uma agência bancária na Avenida Bezerra de Menezes, em Fortaleza. No momento da prisão, eles confessaram os crimes e afirmaram ter feito mais de dez vítimas.
Rodrigo Matheus já possuía antecedentes criminais por estelionato em Goiás e no Distrito Federal, indicando sua experiência prévia em fraudes financeiras. A Polícia Civil informou que a atuação dos criminosos era focada principalmente contra servidores públicos, alvo de seus golpes.
Com os presos, foram apreendidos cartões de crédito, documentos referentes à abertura de contas fraudulentas e diversos aparelhos celulares, elementos cruciais para a investigação. O trio foi autuado em flagrante por furto, associação criminosa e falsidade ideológica, e suas prisões foram convertidas em preventivas.
Além disso, a Polícia Civil informou que, em janeiro deste ano, um homem de 43 anos foi condenado pelo crime de invasão de dispositivo informático. As investigações coordenadas pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) apontaram que esse indivíduo, identificado e preso durante uma ação da Polícia Federal, também integrava o grupo criminoso interestadual.