A escassez de espaço na propaganda eleitoral gratuita para presidente impulsiona a busca por alianças com o Centrão, definindo o alcance na TV e rádio.
A corrida presidencial de 2026, embora ainda distante, já movimenta intensamente os bastidores da política nacional. Partidos e pré-candidatos estão em uma verdadeira caça por apoio, com um objetivo claro: garantir mais minutos no cobiçado horário da propaganda eleitoral gratuita.
Este recurso, essencial para a visibilidade e o engajamento do eleitorado, será distribuído a partir de 28 de agosto. A forma como esse tempo é calculado e as alianças formadas agora podem ser decisivas para o resultado das urnas.
Nesse cenário, o grupo de partidos conhecido como Centrão emerge como um ator central, detentor de um poder de barganha significativo. Sua capacidade de influenciar a distribuição do tempo de TV e rádio está no foco das estratégias eleitorais, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Importância do Tempo de TV e Rádio na Campanha
O tempo de TV e rádio é um dos bens mais preciosos em uma campanha eleitoral. Ele permite que os candidatos apresentem suas propostas, construam uma imagem e alcancem milhões de eleitores simultaneamente, moldando a percepção pública.
A legislação eleitoral estabelece que 90% desse tempo é distribuído de forma proporcional ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados de cada sigla. Os 10% restantes são divididos igualmente entre os candidatos dos partidos que superaram a chamada cláusula de barreira.
Essa regra de distribuição torna crucial a representatividade parlamentar. Partidos com grande número de deputados têm um peso considerável na montagem das coligações, influenciando diretamente o espaço de seus aliados nos meios de comunicação.
Cláusula de Barreira e o Cenário Atual
A cláusula de barreira, também conhecida como cláusula de desempenho, exige que os partidos atinjam um percentual mínimo de votos válidos para a Câmara dos Deputados ou um número mínimo de deputados eleitos. Somente assim, eles têm acesso a recursos do Fundo Partidário e ao valioso tempo de propaganda na televisão e no rádio.
Para as Eleições de 2026, o cálculo do tempo horário eleitoral foi realizado pelo cientista político Henrique Cardoso Oliveira, da Fundação 1º de Maio, considerando as bancadas eleitas em 2022. O Partido Novo, por exemplo, não alcançou a cláusula de desempenho naquele ano e, portanto, foi excluído dessa contagem.
De acordo com o levantamento, a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, desponta com o maior tempo: 2 minutos 28 segundos e 19 centésimos, o que representa 20,78% do total de 12 minutos e 30 segundos disponíveis. Isso se deve à sua expressiva bancada de 106 parlamentares.
Na sequência, aparecem partidos como PL, a Federação PT, PCdoB e PV, MDB, PSD e Republicanos, cada um com seu respectivo quinhão de tempo, que será vital para a exposição de seus pré-candidatos.
O Poder de Negociação do Centrão
Até o momento, apenas três partidos que apresentaram pré-candidatos à presidência cumpriram a cláusula de barreira em 2022: PT (com Lula), PSD (com Ronaldo Caiado) e PL (com Flávio Bolsonaro). Outras siglas como Novo (Romeu Zema), DC (Aldo Rebelo) e Missão (Renan Santos) não terão direito à propaganda eleitoral.
Essa realidade eleva o poder de negociação dos partidos do Centrão. Com grandes bancadas, eles se tornam alvos prioritários para os presidenciáveis que buscam ampliar sua presença na TV e no rádio, mesmo que suas próprias candidaturas não sejam viáveis.
A estratégia é clara: atrair o Centrão para suas coligações significa somar seus tempos de TV e rádio, garantindo maior alcance e visibilidade para a campanha. Esta dinâmica intensifica a disputa por alianças, que se torna tão importante quanto a própria plataforma de governo.
Cenários de Aliança e Seus Impactos
As possíveis alianças já desenham cenários com impactos significativos no tempo de TV. Em uma projeção, se Flávio Bolsonaro conseguir o apoio da Federação União Brasil-PP e do Republicanos, seu tempo de propaganda eleitoral saltaria de 2 minutos, 14 segundos e 98 centésimos para mais de 5 minutos.
Por outro lado, embora os partidos do Centrão não devam compor a coligação do presidente Lula, a Federação Brasil da Esperança, ao se unir a partidos de esquerda como PSB, PDT e a Federação PSOL Rede, veria seu tempo de propaganda eleitoral subir de 1 minuto e 59 segundos para pouco mais de 3 minutos.
É importante ressaltar que o tempo de propaganda no rádio e na televisão para candidatos a presidente vale apenas para o primeiro turno das eleições. Em um eventual segundo turno, os candidatos remanescentes terão espaços iguais para apresentar suas propostas aos eleitores.