De triunfos no cinema nacional e internacional a shows históricos e perdas sentidas, o ano de 2025 foi um verdadeiro espetáculo para os amantes da arte e da cultura.
O ano de 2025 ficará marcado na memória coletiva como um período de intensa efervescência cultural, repleto de momentos inesquecíveis que celebraram a arte em suas diversas formas. Desde o brilho do cinema brasileiro nas maiores premiações do mundo até a grandiosidade de um show que parou o Rio de Janeiro, a cultura provou sua força e capacidade de mobilização.
Houve a consagração de talentos, a volta de nomes gigantes da literatura e a abertura de museus aguardados há décadas. Contudo, o ano também foi palco de perdas irreparáveis e de episódios sombrios, como roubos a importantes instituições artísticas.
Prepare-se para reviver os acontecimentos mais marcantes que moldaram o cenário cultural, conforme informações divulgadas pelo g1, que destacam os grandes marcos da cultura em 2025.
O Cinema Brasileiro Conquista o Mundo em 2025
Um dos pontos altos do ano foi o desempenho do cinema brasileiro, que alcançou um feito inédito. O filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional em março. Este triunfo histórico, após uma intensa campanha que cativou multidões, representou a primeira estatueta para o Brasil nesta categoria, um país que já havia sido indicado cinco vezes, incluindo a edição de 2025.
A obra, ambientada na ditadura militar brasileira, concorreu com produções de peso como o dinamarquês “A Garota da Agulha” e o francês “Emilia Pérez”. Apesar de não ter levado o prêmio principal de Melhor Filme, nem a estatueta de Melhor Atriz para Fernanda Torres, a vitória internacional foi um marco inesquecível para a cinematografia nacional.
Outras produções brasileiras também brilharam intensamente. “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, foi agraciado em fevereiro com o Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, a segunda maior honraria do evento. O festival, aliás, destacou a diversidade do cinema nacional, com a exibição de 13 produções brasileiras.
Em novembro, “O Agente Secreto” estreou simultaneamente no Brasil, Alemanha e Portugal, sendo já indicado ao Globo de Ouro 2026 e a aposta do país para o próximo Oscar. O pré-lançamento em Berlim, em outubro, contou até com passistas de frevo, celebrando a identidade brasileira.
Lady Gaga Faz História na Praia de Copacabana
Após a euforia com o Oscar, o Brasil foi palco de outro evento monumental: um show histórico de Lady Gaga na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Mais de 2 milhões de pessoas, segundo a prefeitura carioca, assistiram à apresentação, tornando-se o maior público da carreira da cantora. Fãs de todas as partes do Brasil se reuniram para ver a estrela pop.
Emocionada, Lady Gaga declarou: “Sinto-me sortuda, orgulhosa e profundamente grata. Nesta noite, nós estamos fazendo história.” A expectativa pela vinda da cantora era enorme, já que os brasileiros aguardavam há oito anos por uma apresentação, desde o cancelamento de sua participação no Rock in Rio de 2017 por problemas de saúde. Foi um dos grandes marcos da cultura em 2025 na música.
Literatura, Museus e Antiguidades: Um Ano de Efervescência Cultural
No universo da literatura, a Academia Brasileira de Letras (ABL) fez história ao incluir, pela primeira vez em seus 128 anos, uma mulher negra entre seus imortais. Ana Maria Gonçalves, autora do aclamado romance histórico “Um Defeito de Cor”, passou a ocupar uma cadeira na prestigiada instituição fundada em 1897.
Em seu discurso de celebração, Ana Maria Gonçalves expressou gratidão à sua ancestralidade, que descreveu como “fonte inesgotável de conforto, fé, paciência e sabedoria.” A escritora, também roteirista e dramaturga, obteve 30 de 31 votos, reforçando o debate racial em suas obras e ocupando a cadeira de número 33.
O ano também marcou o retorno de gigantes da literatura. Em setembro, o popular escritor britânico Ken Follett lançou “Círculo dos Dias”, um romance épico ambientado há 4.500 anos, explorando o mistério de Stonehenge. Poucos dias depois, Dan Brown voltou com “O Segredo Final”, colocando Robert Langdon em uma trama cheia de enigmas em Praga.
Contudo, 2025 também teve seus momentos sombrios com roubos a museus. Em 19 de outubro, o Museu do Louvre, em Paris, foi assaltado em plena luz do dia, tendo oito valiosas peças da Coroa francesa roubadas, estimadas em 88 milhões de euros, aproximadamente R$ 582 milhões. O incidente gerou uma crise de imagem e levantou questionamentos sobre a segurança.
Em dezembro, a Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, também foi alvo de criminosos, que roubaram treze obras de arte, incluindo oito gravuras de Henri Matisse e cinco de Candido Portinari. A Polícia Civil iniciou investigações e já prendeu três suspeitos, mostrando a vulnerabilidade das instituições culturais.
Uma notícia positiva e aguardada por décadas foi a abertura do Grande Museu Egípcio, após vinte anos de obras. O complexo de 500 mil metros quadrados exibe mais de 100 mil peças, cobrindo 7 mil anos de história. O grande destaque é a coleção completa do faraó Tutancâmon, com mais de 5 mil artefatos, incluindo sua lendária máscara funerária de ouro, expostos pela primeira vez.
Recordes em Leilões e Despedidas que Deixaram Saudades
O mercado de arte também viu recordes serem quebrados. O “Retrato de Elisabeth Lederer”, de Gustav Klimt, foi leiloado em Nova York por 236 milhões de dólares, cerca de R$ 1,3 trilhão, tornando-se a obra de arte moderna mais cara já vendida. A peça, confiscada pelos nazistas e recuperada pela família, foi adquirida pelo filho de Estée Lauder nos anos 1980.
Outro feito notável foi o autorretrato surrealista “El Sueño (La cama)”, de Frida Kahlo, que se tornou em novembro a obra mais cara de autoria de uma mulher, leiloada por 54,7 milhões de dólares na Sotheby’s de Nova York. Kahlo superou Georgia O’Keeffe, cuja obra “Jimson Weed/White Flower No 1” havia sido vendida por 44,4 milhões de dólares em 2014, um dos importantes marcos da cultura em 2025 para a arte feminina.
O ano também foi de despedidas dolorosas para o Brasil e o mundo. Em 20 de julho, o país perdeu a cantora Preta Gil, aos 50 anos, após uma batalha de dois anos contra um câncer no intestino. Sua morte gerou grande comoção entre o público e a classe artística, sendo um dos momentos mais tristes do ano.
Em maio, o mundo da fotografia perdeu Sebastião Salgado, um dos maiores nomes do cenário internacional, conhecido por seu trabalho sensível em contextos desafiadores. A cultura brasileira também se despediu de outros ícones como Angela Roro, Arlindo Cruz, Bira Presidente, Cacá Diegues, Francisco Cuoco, Hermeto Pascoal, Lô Borges, Luís Fernando Veríssimo e Nana Caymmi.
Internacionalmente, nomes como o cineasta David Lynch, os atores Udo Kier, Diane Keaton e Robert Redford, e o cantor e compositor Ozzy Osbourne, também partiram, deixando um legado imenso para a arte e a cultura global. Estes foram alguns dos grandes marcos da cultura em 2025, um ano de intensas emoções e memórias duradouras.