Empresário de Paulínia preso por compra de combustível desviado de duto da Transpetro na Operação Sangria

A Polícia Civil deflagrou a Operação Sangria e prendeu um empresário de Paulínia, Marcelo Teixeira de Gouveia, suspeito de adquirir combustível desviado de um duto da Transpetro. A prisão ocorreu em Campinas, e as investigações revelaram que o grupo criminoso atuava em São Paulo, Minas Gerais e Goiás, causando um prejuízo estimado em mais de R$ 5 milhões.

O esquema envolvia o furto qualificado de combustíveis diretamente dos dutos, receptação e organização criminosa. A Transpetro, vítima desses ataques, registrou um aumento significativo nas ocorrências entre 2024 e 2025, conforme informações divulgadas pelo g1.

A operação já cumpriu sete dos nove mandados de prisão temporária, incluindo a captura do suposto líder da quadrilha. As autoridades seguem em busca de dois foragidos, enquanto a investigação detalha a complexa rede por trás dos desvios.

Como funcionava o esquema de desvio de combustível?

O grupo criminoso operava com uma clara divisão de tarefas, demonstrando sofisticação no furto de combustíveis. Os alvos da Operação Sangria incluem especialistas na soldagem de registros aos dutos, motoristas de caminhões que transportavam o produto desviado e empresas distribuidoras que o adquiriam ilegalmente.

Segundo o delegado André Baldochi, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto, os criminosos acessavam o duto, seja por escavação ou quando a tubulação ficava exposta, e soldavam um registro. Em seguida, caminhões eram acoplados e abastecidos com o combustível furtado, utilizando a pressão natural do duto.

O duto visado pelos furtos tem origem em Paulínia e se estende até Brasília, cortando os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e o Distrito Federal. Ao longo desse extenso trajeto, existem diversos pontos estratégicos para o descarregamento do combustível, o que facilitava a ação dos criminosos.

Quem são os envolvidos na Operação Sangria?

A Polícia Civil divulgou os nomes e as funções de alguns dos suspeitos envolvidos no esquema de combustível desviado. Marcelo Teixeira de Gouveia, dono de uma distribuidora em Paulínia, foi preso em Campinas, apontado como um dos responsáveis pela aquisição do produto furtado.

Laerte Rodrigues dos Santos, considerado um dos líderes da quadrilha, foi detido em Artur Nogueira. Outros envolvidos incluem Wagner de Souza Leite, motorista e proprietário de uma transportadora, preso em Ribeirão Preto, e seu filho, Wagner Silva Leite, que segue foragido e também atuava como motorista.

Calil Fernando Carneiro, preso em Ribeirão Preto, já havia sido detido em 2020 pelo mesmo tipo de crime e, desta vez, atuava na preparação do duto. As autoridades continuam as investigações para desarticular completamente a organização criminosa e prender os demais foragidos.

Ações da Operação Sangria em diversas cidades

As ações da Operação Sangria foram executadas em pelo menos sete cidades do interior paulista: Campinas, Paulínia, Leme, Artur Nogueira, Conchal, Ribeirão Preto e Jardinópolis. A amplitude geográfica da operação demonstra a extensão das atividades do grupo criminoso.

Entre os mandados de busca e apreensão cumpridos, dois visaram empresas distribuidoras de combustíveis suspeitas de integrar a cadeia de escoamento do produto furtado. Além das prisões, foram apreendidos celulares e equipamentos informáticos, que passarão por perícia para coletar mais provas e informações.

A operação não se concentra apenas na subtração do combustível, mas também nos graves danos à infraestrutura dutoviária, impactos operacionais e riscos ambientais decorrentes dessas ações. O delegado Baldochi ressalta que “são tipos de crime que causam enorme prejuízo à empresa, não só do combustível subtraído, mas o reparo desses dutos, esses dutos ficam parados, ou seja, há um enorme risco de desabastecimento, além dos crimes ambientais”.

O que diz a Transpetro sobre os ataques aos dutos?

A Transpetro, por meio de nota, declarou-se vítima do crime de furto de petróleo e derivados em seus dutos. A empresa enfatizou que sua maior preocupação é a “preservação da vida e a segurança das pessoas e do meio ambiente”, destacando os perigos que essas atividades ilícitas representam para a população e o ecossistema.

Para combater a ocorrência desses crimes, a companhia informou que utiliza tecnologia avançada para a rápida localização de derivações clandestinas. Além disso, a Transpetro investe em um trabalho de relacionamento comunitário, visando a conscientização dos moradores próximos aos ativos e incentivando denúncias.

A empresa também mantém convênios com órgãos de segurança pública em diversos estados, colaborando ativamente com as autoridades. A Transpetro reforça sua articulação constante com polícias civis e militares, Ministérios Públicos e o Disque Denúncia para combater essa modalidade de crime.

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