O Ministério Público do Rio de Janeiro aprofunda o escândalo do vice-prefeito acusado de forjar casamento, revelando transferências de dinheiro para sua ex-esposa.
Um escândalo de grandes proporções abala a política de Trajano de Moraes, no Rio de Janeiro. O vice-prefeito Hélio Luiz Fazoli de Moraes está sob investigação do Ministério Público por, supostamente, ter forjado uma união estável para receber uma pensão milionária.
A mais recente reviravolta no caso revela que o político realizava transferências regulares de dinheiro para sua ex-esposa, Adriana Pessanha. Essa movimentação financeira levanta novas suspeitas sobre a extensão do suposto esquema fraudulento.
A trama, que teria envolvido o desvio de quase R$ 5 milhões dos cofres públicos, agora aponta para um conluio. As informações foram divulgadas pelo g1, com base nas investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro.
A Teia de Conexões e a União Suspeita
A investigação detalha uma complexa rede de relacionamentos. O vice-prefeito de Trajano de Moraes, Hélio Luiz Fazoli de Moraes, foi casado com Adriana Pessanha até 2013.
Apenas dez meses após o divórcio, ele formalizou uma união estável com Ângela Marília de Moraes Pessanha. Ângela era tia de Adriana e, na época da formalização, tinha mais de 80 anos de idade.
A acusação do Ministério Público sustenta que essa relação nunca existiu de fato. Seria, na verdade, uma manobra para garantir o acesso à pensão da procuradora aposentada após sua morte.
Além de forjar o casamento, Hélio teria obtido uma procuração com amplos poderes para movimentar as contas de Ângela. Após o falecimento dela, ele solicitou o benefício previdenciário.
O pedido foi inicialmente negado pelo INSS, mas acabou aprovado pelo RioPrevidência, garantindo o acesso à pensão.
A Quebra do Sigilo e as Transferências Reveladoras
A movimentação financeira entre Hélio e Adriana chamou a atenção dos promotores após a quebra do sigilo bancário dos envolvidos. Essa análise foi crucial para desvendar a suposta trama.
Segundo Marcos Davidovich, promotor do Ministério Público-RJ, “Todo mês, o investigado transferia recursos para a ex-esposa”. Essa rotina de pagamentos reforça as suspeitas da acusação.
Para os investigadores, as transferências não se tratavam de pensão alimentícia. Elas indicam que a obtenção do benefício previdenciário não beneficiaria apenas Hélio, mas também pessoas próximas a ele.
“Não seria uma pensão alimentícia, parece mais uma combinação entre eles”, afirmou o promotor. Essa declaração sugere um acordo entre o vice-prefeito acusado de forjar casamento e sua ex-mulher.
O Golpe de Quase R$ 5 Milhões e as Ações da Justiça
De acordo com a investigação, durante quase dez anos, Hélio e Adriana teriam recebido dos cofres públicos quase R$ 5 milhões. Um valor expressivo que agora está sob escrutínio judicial.
A Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e agiu rapidamente. Foi determinada a suspensão imediata do pagamento da pensão, um passo importante para frear a suposta fraude.
Além disso, foram bloqueados bens dos investigados. Essa medida incluiu contas bancárias, imóveis, veículos, aplicações financeiras, ações e criptomoedas.
O objetivo do bloqueio é garantir a recuperação dos valores supostamente desviados dos cofres públicos.
Hélio Luiz e Adriana Pessanha respondem agora pelos crimes de falsidade ideológica e estelionato qualificado. A gravidade das acusações pode levar a sérias consequências legais para ambos.
O vice-prefeito acusado de forjar casamento e sua ex-mulher enfrentam um futuro incerto na Justiça.
O Que Dizem os Envolvidos e o Futuro do Caso
Em nota, o RioPrevidência informou que já suspendeu o pagamento da pensão. A entidade declarou que não detectou a fraude na época em que o benefício foi concedido.
O RioPrevidência afirmou que acompanhará o processo junto à Procuradoria-Geral do Estado do Rio.
A defesa de Hélio Luiz Fazoli e de Adriana Canes Peçanha divulgou um comunicado. Nele, afirma que a investigação foi conduzida sem que os acusados fossem ouvidos.
A defesa alega que a acusação se baseia em narrativas do cenário político local. Além disso, afirma que parentes de Ângela que prestaram depoimento sequer frequentavam a cidade de Trajano de Moraes.
Também é contestada a informação de que os bens teriam ficado com Hélio, já que não há inventário aberto.
A nota da defesa conclui que a imagem da ex-procuradora merece respeito e que a inocência de ambos será provada na Justiça.