Escolas Cívico-Militares em SP: Erros Graves de Português Marcam Volta às Aulas em Caçapava e Geram Debate Sobre Monitoria Militar

Em unidades do Vale do Paraíba, palavras como ‘descançar’ e ‘continêcia’ foram escritas incorretamente no quadro, levantando questionamentos sobre a qualidade do ensino.

A volta às aulas nas escolas cívico-militares em São Paulo foi marcada por uma situação inusitada e preocupante na cidade de Caçapava, no Vale do Paraíba. Alunos de uma unidade estadual se depararam com erros de português em comandos militares ensinados por monitores.

As palavras ‘descançar’ e ‘continêcia’ foram registradas de forma incorreta no quadro de uma escola, durante a monitoria de policiais militares aposentados. O incidente rapidamente gerou discussões sobre a qualidade do ensino e a preparação dos responsáveis.

O flagrante, divulgado pela TV Vanguarda, reacende o debate sobre o modelo cívico-militar e a adequação dos monitores para as atividades pedagógicas, conforme informação divulgada pelo g1.

Erros de Português: O Flagrante em Caçapava

Na Escola Estadual Prof. Luciana Damas Bezerra, em Caçapava, a monitoria realizada por policiais militares aposentados incluía o ensino de comandos da ordem unida, um conjunto de movimentos padronizados comuns na Polícia Militar. Contudo, o que era escrito no quadro para os estudantes apresentava falhas graves na grafia.

A palavra ‘descansar’ foi escrita com ‘ç’ na última sílaba, quando o correto é com ‘s’. Da mesma forma, ‘continência’ foi grafada sem a letra ‘n’ antes do ‘c’, como ‘continêcia’. De acordo com a Academia Brasileira de Letras, as grafias corretas são descansar e continência.

A reportagem da TV Vanguarda flagrou o momento em que um tenente, responsável por escrever no quadro, foi alertado sobre os erros. Após uma breve conversa, ele retornou à sala e corrigiu as palavras, demonstrando que a falha foi percebida e ajustada em seguida.

O Contexto das Escolas Cívico-Militares em SP

O início do ano letivo de 2026 marcou a implementação do modelo cívico-militar em 11 escolas estaduais do Vale do Paraíba e região. Essas unidades estão distribuídas em 10 cidades, sendo Bragança Paulista a única com duas escolas no programa. Nelas, policiais militares aposentados atuam como monitores, auxiliando na disciplina e em atividades cívicas.

O governo estadual informou que as escolas da região representam 11% do total da lista final, que abrange 100 unidades em 89 cidades de São Paulo. A previsão é que aproximadamente 50 mil estudantes sejam beneficiados pelo programa em todo o estado, que busca integrar valores militares ao currículo escolar.

Repercussão e Posicionamentos

Após o ocorrido com os erros de português, o g1 procurou a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para obter um posicionamento, mas não houve manifestação até a publicação da reportagem. A ausência de um comunicado oficial levanta questionamentos sobre as medidas que serão tomadas para evitar que situações semelhantes se repitam.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) também foi contatado para comentar o caso. A entidade, que não apoia a contratação de policiais militares para atuarem como monitores na rede pública de ensino, não retornou ao g1 até o fechamento da matéria. A Apeoesp tem se posicionado contra a militarização das escolas, defendendo que a função pedagógica deve ser exercida por profissionais da educação.

A Expansão do Modelo Cívico-Militar no Estado

A implementação das escolas cívico-militares em SP faz parte de um plano maior do governo para expandir esse modelo de ensino. A proposta visa reforçar a disciplina, o civismo e a hierarquia dentro do ambiente escolar, com a presença de monitores militares, como ocorreu em Caçapava. No entanto, o incidente ressalta a importância de uma revisão constante dos métodos e da capacitação de todos os envolvidos no programa.

Apesar dos objetivos do programa, episódios como os erros de português em Caçapava evidenciam a necessidade de um acompanhamento rigoroso e de qualificação dos monitores, garantindo que o aprendizado dos alunos não seja comprometido por falhas básicas que deveriam ser evitadas em um ambiente educacional.

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