A rainha da Mangueira, Evelyn Bastos, reforça a importância das rainhas de bateria de comunidade no Carnaval do Rio e critica a falta de reconhecimento midiático.
O Carnaval do Rio de Janeiro é um espetáculo de cores, sons e emoções, mas também um palco para reflexões importantes sobre representatividade. Neste ano, a rainha de bateria da Mangueira, Evelyn Bastos, trouxe à tona um debate essencial sobre o papel e o reconhecimento das rainhas e musas de comunidade que brilham na Sapucaí.
Com treze desfiles à frente da bateria da Verde e Rosa, Evelyn celebrou mais um ano na avenida, mas aproveitou o momento para enfatizar a luta por visibilidade. Ela destacou que, por não ser uma figura famosa antes de assumir o posto, levou tempo para ter o devido reconhecimento da mídia.
A pauta de Evelyn Bastos exalta rainhas e musas de comunidade no carnaval do Rio ressoa com a experiência de muitas outras. Essa perspectiva foi compartilhada em uma entrevista antes do desfile, conforme informação divulgada pelo g1.
A Luta pelo Reconhecimento das Rainhas de Comunidade
Evelyn Bastos revelou que o caminho para o estrelato midiático não foi fácil. ‘A mídia foi me reconhecer lá pelo meu sexto ano, é difícil pra gente que vem da comunidade, por isso que eu sempre aplaudo a Beija-Flor, a Tuiuti, o Salgueiro, porque esse reconhecimento pra gente veio de agora’, afirmou a rainha.
Sua fala ressalta a disparidade no tratamento dado a figuras já conhecidas em comparação com as que emergem diretamente das raízes do samba. A valorização das rainhas de bateria de comunidade é um tema recorrente, e Evelyn se posiciona como uma de suas maiores defensoras.
O Retrato Fiel da Escola de Samba
Para Evelyn, a presença de uma rainha oriunda da comunidade é crucial para a identidade da escola. Ela acredita que essa representante personifica a essência e os valores que a agremiação deseja transmitir ao público.
‘Eu acredito que a rainha é o retrato da escola, é o que a escola quer passar para o público’, declarou Evelyn. Essa visão reforça a autenticidade e a conexão profunda entre a rainha de bateria e a cultura da escola, algo que o público busca e valoriza no Carnaval do Rio.
Respeito e Tradição na Avenida
Além da representatividade, Evelyn Bastos também abordou a seriedade com que encara os enredos, especialmente os de cunho religioso. Ela explicou que, ao desfilar, preza por um profundo respeito ao sagrado, alinhando-se à mensagem da escola.
Neste ano, a Mangueira homenageou a história de Mestre Sacaca, o ‘Guardião da Amazônia Negra’, um enredo que exige sensibilidade e reverência. A postura de Evelyn reflete a importância de honrar as narrativas e tradições que as escolas de samba levam para a avenida.
Um Legado de Treze Carnavais de Luta e Glória
Com treze anos de dedicação à frente da bateria da Mangueira, Evelyn Bastos construiu um legado de paixão, samba e, acima de tudo, representatividade. Sua voz se tornou um eco para as rainhas e musas de comunidade que, muitas vezes, enfrentam a invisibilidade.
Sua trajetória inspira e reforça a ideia de que o Carnaval é, e deve ser, um espaço de celebração das origens e talentos que nascem e crescem dentro das comunidades que são o verdadeiro coração das escolas de samba do Rio de Janeiro.