O médico Neandro Schiefler, de 46 anos, teve seu registro profissional cassado de forma permanente. A decisão, tomada pelo Tribunal Superior de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina (CFM), é a culminação de um processo ético-profissional. Este processo foi iniciado após sua prisão por estuprar pacientes e filmar os crimes.
A cassação, publicada em junho de 2023, representa o fim de sua carreira na medicina. Ela segue uma condenação judicial a 16 anos e 4 meses de prisão por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. A trajetória de crimes do médico chocou o país e trouxe à tona discussões sobre a segurança dos pacientes.
Os abusos foram revelados após sua esposa enviar um CD com vídeos dos atos, levando à sua primeira prisão em 2019. Essas informações foram detalhadas conforme apuração e divulgação pelo g1.
A Decisão Definitiva do CFM e as Infrações Éticas
O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) já havia determinado a interdição cautelar do registro profissional de Neandro em 2019 e 2020. No entanto, a cassação definitiva veio do Tribunal Superior de Ética Médica do CFM, a instância máxima de julgamento ético.
A decisão levou em consideração uma série de artigos do Código de Ética Médica que Neandro infringiu gravemente. Entre eles, destacam-se a falta de consentimento do paciente, o tratamento desrespeitoso e a violação da dignidade humana.
Também foram violados artigos que proíbem usar a profissão para corromper costumes ou favorecer crimes. Além disso, a decisão citou o desrespeito ao pudor de qualquer pessoa sob seus cuidados profissionais e o aproveitamento da relação médico-paciente para obter vantagem.
A Operação ‘Jaleco Branco’ e a Descoberta dos Abusos
A primeira prisão de Neandro Schiefler ocorreu em fevereiro de 2019, durante a operação ‘Jaleco Branco’. A ação foi realizada pela Polícia Civil de Santa Catarina. Na época, ele atuava como clínico geral em Itajaí.
A investigação foi desencadeada após a esposa do médico enviar um CD contendo vídeos dos abusos. O delegado Alexandre de Oliveira, responsável pelo caso, revelou que as filmagens eram feitas pelo próprio médico. A maioria das vítimas estava dopada durante os atos.
Os crimes teriam ocorrido desde 2017, dentro das unidades de saúde onde ele trabalhava. Neandro confirmou ser a pessoa em 14 das 16 filmagens, alegando que os vídeos eram para arquivo pessoal e para se proteger de problemas futuros no hospital.
Condenação Judicial e Abuso da Posição Médica
Em outubro de 2025, Neandro Schiefler foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão. A sentença foi proferida pela Segunda Vara Criminal da Comarca de Itajaí, do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina.
A Justiça entendeu que o médico praticou violação sexual por três vezes, além de estupro de vulnerável. As vítimas, por enfermidade ou deficiência mental, não podiam oferecer resistência aos abusos. O mandado de prisão tem validade até 2045.
A decisão judicial ressaltou que Neandro se aproveitou de sua posição de médico para agir com abuso de poder. Ele violou claramente os deveres inerentes à sua profissão. Até a publicação da reportagem original, o g1 não havia localizado a defesa do médico.
O Impacto da Decisão e a Proteção aos Pacientes
A cassação do registro profissional de Neandro Schiefler envia uma mensagem clara sobre a intolerância a condutas antiéticas e criminosas na medicina. A decisão do CFM reforça a importância da fiscalização e da proteção aos pacientes.
Este caso trágico destaca a vulnerabilidade de pacientes em ambientes de saúde e a necessidade de confiança na relação médico-paciente. A resposta rigorosa das autoridades e dos conselhos profissionais é essencial para manter a integridade da profissão e a segurança da sociedade.
A comunidade médica e a população esperam que casos como este sirvam de alerta. É fundamental fortalecer os mecanismos de denúncia e punição para garantir que a ética e o respeito prevaleçam em todas as práticas de saúde.