Apesar dos ferimentos graves e da ausência pública, Mojtaba Khamenei comanda o Irã por áudio em meio a negociações de paz e incertezas sobre o futuro do país.
O Irã tem um novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, mas sua ascensão ao poder é envolta em mistério e especulações. O filho do falecido Ali Khamenei, que assumiu o comando após a morte do pai em um bombardeio, teve o rosto desfigurado e sofreu outros ferimentos graves, segundo relatos.
Apesar de seu estado físico, fontes indicam que ele permanece lúcido e ativo nas decisões governamentais, participando de reuniões importantes por áudio. No entanto, sua ausência completa do cenário público tem levantado muitas questões sobre sua real condição e capacidade de liderança em um dos momentos mais críticos para o país em décadas.
A situação de Mojtaba Khamenei é um dos temas mais discutidos no Irã e no cenário internacional, especialmente com o início de negociações de paz com os Estados Unidos. As informações sobre seus ferimentos e sua participação no governo foram divulgadas por uma agência de notícias, conforme informação divulgada pelo g1.
O Mistério da Ausência Pública e os Ferimentos
Mojtaba Khamenei foi gravemente ferido durante o bombardeio ao complexo do líder supremo do Irã, no centro de Teerã, em 28 de fevereiro. Além do rosto desfigurado, ele teria sofrido lesões significativas em uma ou ambas as pernas, segundo as fontes que pediram anonimato.
Apesar da gravidade dos ferimentos, o líder de 56 anos tem participado ativamente das decisões de governo. Ele tem se envolvido em reuniões com autoridades por meio de áudio, mantendo-se presente nas deliberações sobre a guerra e nas negociações com Washington.
A Reuters, no entanto, não conseguiu verificar de forma independente essas informações. A missão do Irã nas Nações Unidas também não respondeu aos questionamentos sobre a extensão dos ferimentos ou o motivo da ausência de imagens públicas do líder supremo.
Desde o ataque aéreo e sua nomeação como sucessor do pai, nenhuma foto, vídeo ou gravação de áudio de Mojtaba Khamenei foi divulgada. A televisão estatal, após sua nomeação, descreveu-o como “janbaz”, um termo usado para pessoas gravemente feridas em guerra, o que corrobora os relatos.
As informações coincidem com uma declaração do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, em 13 de março, que afirmou que Khamenei estava “ferido e provavelmente desfigurado”. Uma fonte familiarizada com avaliações da inteligência americana disse à Reuters que o líder poderia ter perdido uma perna.
Impacto na Liderança e Negociações Cruciais
As dúvidas sobre a capacidade de Mojtaba Khamenei de governar surgem em um dos momentos mais críticos para o Irã em décadas. Negociações de paz com os Estados Unidos começaram recentemente em Islamabad, capital do Paquistão, adicionando complexidade ao cenário político.
Alex Vatanka, pesquisador do Middle East Institute, afirmou que, independentemente da gravidade dos ferimentos, é improvável que o novo líder supremo exerça o mesmo nível de poder que seu pai. Segundo ele, Mojtaba representa uma continuidade política, mas pode levar anos até consolidar uma autoridade semelhante.
“Ele será uma voz importante, mas não necessariamente decisiva”, disse Vatanka. “Ele precisa provar que é uma voz confiável, forte e dominante. O regime como um todo terá de decidir qual caminho pretende seguir.”
Uma das fontes próximas ao círculo do líder afirmou que imagens de Khamenei podem ser divulgadas em um ou dois meses, e que ele poderá aparecer em público quando as condições de saúde e segurança permitirem.
Especulações e o Sistema Teocrático Iraniano
A ausência do líder supremo tem sido amplamente discutida nas redes sociais iranianas e em aplicativos de mensagens, quando o acesso à internet permite. Teorias da conspiração sobre o estado de saúde e sobre quem realmente governa o país circulam online, com um meme popular mostrando uma cadeira vazia com a frase: “Onde está Mojtaba?”.
Apoiadores do governo, entretanto, argumentam que manter o líder fora do público é uma medida necessária diante da ameaça de novos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel, que já atingiram parte da liderança iraniana. “Por que ele deveria aparecer em público? Para virar alvo desses criminosos?”, escreveu Mohammad Hosseini, integrante do Basij, uma milícia voluntária ligada à Guarda Revolucionária, na cidade de Qom.
No sistema teocrático iraniano, o líder supremo concentra o poder máximo do Estado. O cargo é ocupado por um clérigo xiita escolhido por uma assembleia de 88 aiatolás, que supervisiona o presidente eleito e comanda instituições paralelas, incluindo a Guarda Revolucionária.
Fontes iranianas já haviam dito à Reuters que Mojtaba Khamenei não possui o mesmo nível de autoridade absoluta de seu pai. Durante a guerra, a Guarda Revolucionária, que apoiou sua ascensão, assumiu um papel central nas decisões estratégicas.
Embora seja visto como alinhado à linha dura do regime por seus vínculos com os militares, especialistas afirmam que ainda há poucas informações públicas sobre a visão política do novo líder supremo. Sua primeira comunicação aos iranianos ocorreu em 12 de março, por meio de uma mensagem escrita lida na televisão estatal, onde afirmou que o Estreito de Ormuz deveria permanecer fechado e alertou países da região para encerrarem bases militares americanas.
Desde então, o gabinete de Mojtaba Khamenei divulgou apenas breves comunicados escritos. Pronunciamentos sobre a guerra, diplomacia, negociações de cessar-fogo e política interna têm sido feitos por outras autoridades, reforçando a percepção de um governo que opera sob uma liderança enigmática e distante do público.