Surpreendente: Descubra por que o Rio Grande do Sul é o maior importador de pelo de porco do Brasil e qual sua função essencial no seu dia a dia

O protagonismo gaúcho nas importações de cerdas suínas revela uma complexa cadeia produtiva, impulsionada pela demanda por pincéis e desafios na criação local.

O Rio Grande do Sul se destaca no cenário nacional por um motivo peculiar: é o estado que mais importa pelo de porco no Brasil. Em 2025, os gaúchos foram responsáveis pela aquisição de 167,8 mil toneladas do produto do exterior, o que corresponde a impressionantes 64,7% do total importado pelo país.

Mas, afinal, para que serve o pelo de porco e por que o estado sulista concentra tamanha demanda por essa matéria-prima? A resposta está ligada a uma indústria específica e aos desafios da produção suína local.

Entenda os motivos por trás dessa liderança e o papel crucial do pelo de porco em produtos que fazem parte do nosso cotidiano, conforme informações divulgadas pelo G1.

O Uso Principal do Pelo de Porco no Brasil

O pelo de porco é utilizado, principalmente, na fabricação de pincéis. Notavelmente, ele é fundamental para os pincéis imobiliários, aqueles usados para a pintura de paredes, por exemplo. Rafael Loose, gerente de Desenvolvimento de Produtos da Pincéis Atlas, explica essa aplicação.

“A gente chama de trincha, tecnicamente, mas é pincel tanto de pintura artística, quanto de pintura imobiliária. Eles são originalmente de pelos naturais”, afirma Loose. Ele complementa que, entre os vários tipos de pelos naturais usados em pincéis, o pelo do porco é um dos mais comuns devido à sua capacidade de retenção de tinta.

A importação dessas cerdas ocorre majoritariamente da China. Elas já chegam separadas e prontas para o processo de fabricação dos pincéis. Rafael Loose detalha que a cerda ideal deve vir com a “raiz”, também conhecida como “pé do pelo”, apresentando um formato cônico que afina em direção à ponta.

Por Que o Rio Grande do Sul Lidera as Importações?

Um dos principais motivos para o Rio Grande do Sul concentrar a maior parte das importações de pelo de porco no país é a instalação de fábricas que utilizam o produto para a confecção de pincéis. A presença dessas indústrias cria uma demanda significativa pela matéria-prima.

Outra causa importante reside na preferência do estado pelas cadeias produtivas de proteína animal. O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de suínos do Brasil, mas, paradoxalmente, é o segundo que mais exporta carne suína. Essa vocação para o abate impacta diretamente a disponibilidade de pelo de porco de qualidade para pincéis.

O Desafio da Produção Nacional de Cerdas

O rebanho de suínos gaúchos é majoritariamente destinado ao consumo de carne. Isso impede que os porcos se desenvolvam a ponto de crescerem pelos firmes e resistentes, ideais para a fabricação de pincéis. Rogério Kerber, presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), esclarece essa questão.

“Não é todo o pelo do suíno que é apropriado para a fabricação de pincéis. Alguma parte do pelo do couro tem as cerdas mais fortes e resistentes, mais adequadas em questão de comprimento”, explica Kerber. Ele ressalta que o suíno abatido hoje ainda é um animal muito jovem, com um pelo mais macio que não teve tempo de se consolidar.

O comprimento é o principal fator considerado na separação das cerdas. Um animal mais velho, com um pelo mais alto, produz uma cerda mais cara e de maior qualidade, conforme complementa Rafael Loose. Essa discrepância entre a produção local e a demanda industrial impulsiona a necessidade de importação.

Custos Elevados e a Ascensão do Sintético

A importação de cerdas de suínos tem se tornado mais cara, e a razão está ligada ao país de origem, a China. O sucesso econômico chinês tem levado trabalhadores a buscar outras profissões, resultando na falta de mão de obra para a separação dos pelos, o que eleva os custos.

Essa alta nos custos tem provocado uma reação no mercado. Para baratear a produção, muitas empresas têm migrado para o uso de cerdas sintéticas. No entanto, o produto sintético não consegue replicar a mesma qualidade do pelo natural.

Rafael Loose enfatiza que o pelo de porco possui características únicas que outros tipos de cerdas naturais e sintéticas não têm. “A principal é que, quimicamente e morfologicamente, ele consegue reter mais tinta do que um fio sintético. Não é possível copiar”, afirma. Ele compara a estrutura do pelo de porco ao cabelo humano, com sua textura escamada e pontas bifurcadas, que otimizam a retenção de tinta.

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