Avanço israelense no sul do Líbano busca eliminar ameaça de mísseis e controlar faixa estratégica até o rio Litani, reacendendo temores de invasão em larga escala na região
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou que Israel está expandindo sua zona de segurança em território libanês, uma medida que visa eliminar a ameaça de mísseis antitanque e garantir a proteção de seus cidadãos. A declaração intensifica a escalada militar na fronteira, gerando preocupação internacional.
A ação, que já inclui operações terrestres e a destruição de infraestruturas estratégicas, tem como objetivo principal criar uma faixa de controle que, segundo autoridades israelenses, é crucial para a segurança de Israel. Contudo, essa iniciativa é vista pelo Líbano e pelo Hezbollah como uma ameaça existencial e uma violação de sua soberania.
A movimentação israelense ecoa eventos históricos na região, especialmente a invasão de 1982, e levanta questões sobre o futuro do conflito e suas implicações humanitárias, conforme informações divulgadas pelo g1.
Israel Expande Zona de Segurança e Mira Dissolução do Hezbollah
Em uma publicação na rede social X, Benjamin Netanyahu foi enfático ao afirmar que Israel está “expandindo essa zona de segurança para eliminar a ameaça de mísseis antitanque”. Ele acrescentou que o país está “simplesmente criando uma zona tampão maior”, e que “a questão da dissolução do Hezbollah está diante de nossos olhos”, indicando uma meta de longo prazo para o grupo extremista.
A fala do primeiro-ministro surge um dia após o ministro de Defesa israelense, Israel Katz, ter declarado que Israel pretende controlar uma faixa de cerca de 30 quilômetros no sul do Líbano, estendendo-se até o rio Litani. Segundo Katz, o principal objetivo é estabelecer uma “zona de segurança” permanente na região após destruir pontes sobre o rio, que seriam utilizadas pelo Hezbollah.
Katz detalhou que “todas as cinco pontes sobre o rio Litani que o Hezbollah usava para transportar terroristas e armas foram destruídas, e as Forças de Defesa de Israel controlarão as rotas restantes na zona de segurança até o Litani”. Essa estratégia visa cortar as linhas de suprimento e movimentação do grupo.
Operação Terrestre e a Resistência Libanesa
Israel retomou a guerra contra o grupo extremista libanês Hezbollah nos primeiros dias de março e já realiza uma operação terrestre no país vizinho, que, até o momento, é descrita como “limitada”. No entanto, a demolição de pontes e a intenção de controlar uma vasta área levantam temores de uma invasão em larga escala.
O governo libanês acusou Israel de querer criar uma “zona-tampão” no sul do país, uma faixa de território destinada a separar forças hostis. Em resposta, o Hezbollah afirmou à agência de notícias Reuters que o grupo lutará para impedir que Israel crie essa “zona-tampão” e que a ocupação israelense no sul do Líbano é uma “ameaça existencial” ao Estado libanês.
A importância do rio Litani no conflito é destacada por uma resolução da ONU de 2006, que determinou que o Hezbollah deveria se retirar de áreas no sul do Líbano, usando o rio como referência. Israel acusa o Hezbollah de não cumprir essa resolução, justificando suas ações.
O Fantasma da História e o Custo Humano do Conflito
A situação atual remete os libaneses a 1982, quando Israel invadiu toda a região durante a guerra civil e manteve uma zona-tampão de 10 a 20 quilômetros de profundidade até sua retirada completa em 2000, sob pressão do movimento pró-Irã Hezbollah. A memória desses eventos históricos alimenta a apreensão na região.
O ministro israelense, Israel Katz, voltou a acusar o governo do Líbano de não cumprir o compromisso que havia firmado para desarmar o Hezbollah, o que, para ele, justificaria a criação da “zona de segurança” em território libanês para garantir a segurança dos cidadãos israelenses no norte do país.
Desde que o Hezbollah, apoiado pelo Irã, arrastou o Líbano para a guerra regional, Israel realizou centenas de ataques no país vizinho. Segundo as autoridades, esses ataques causaram mais de mil mortes e deslocaram mais de um milhão de pessoas, evidenciando o alto custo humano do conflito.
Nesta terça-feira, bombardeios israelenses mataram cinco pessoas no sul do Líbano e outras três em uma área residencial perto de Beirute. Abbas Qasem, de 55 anos, descreveu a devastação: “Minha casa foi completamente destruída. Não sobrou nada, tudo queimou”. Ele questionou, chorando: “O que eu fiz para merecer? Sou apenas uma pessoa comum”.
Nesse ataque específico, em Bchamoun, uma menina de quatro anos morreu e outras quatro pessoas ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde. O fato de Bchamoun não ser um reduto do Hezbollah ilustra a amplitude e a imprevisibilidade dos ataques, aumentando a preocupação com a segurança dos civis e a escalada da violência na região.