Prefeito Ricardo Nunes: ‘Não tem nenhum centavo da prefeitura em atraso’
A cidade de São Paulo foi palco de uma paralisação inesperada de motoristas de ônibus nesta terça-feira, 9 de janeiro, que afetou milhões de passageiros e gerou um caos no trânsito. A ação, motivada por um suposto atraso no pagamento do 13º salário, levou o prefeito Ricardo Nunes a se manifestar com veemência contra as empresas de transporte.
Nunes afirmou que as empresas de ônibus de SP não possuem qualquer justificativa para adiar o pagamento do benefício, garantindo que os repasses da prefeitura estão rigorosamente em dia. A postura do prefeito é de intolerância diante da situação, prometendo medidas drásticas contra as companhias que não honrarem seus compromissos.
A crise no transporte público resultou em terminais lotados e um congestionamento recorde, com passageiros buscando alternativas e enfrentando longas esperas. A administração municipal reforça a responsabilidade das concessionárias no cumprimento de suas obrigações trabalhistas, conforme informações divulgadas pelo g1.
Prefeitura garante repasses e ameaça empresas
O prefeito Ricardo Nunes foi categórico ao declarar que a prefeitura não tem nenhum centavo em atraso com as empresas de ônibus. Ele enfatizou que a paralisação foi uma atitude irresponsável que prejudicou milhões de pessoas e que não ficará impune. A administração municipal está tomando as devidas providências.
“Não vamos admitir em hipótese alguma que uma atitude irresponsável dessa prejudique milhões de pessoas e fique impune. Aquela empresa que não fizer o pagamento em dia terá processo administrativo para intervenção e rescisão do contrato. Não quero empresa no sistema que não respeite seus trabalhadores”, declarou o prefeito, segundo o g1.
Nunes explicou que um documento apresentado pelas empresas ao sindicato, pedindo a prorrogação do pagamento do 13º salário devido a uma questão “quadrienal”, foi o estopim para o tumulto. Ele reforçou que esse motivo não tem relação alguma com os repasses públicos, desmentindo qualquer alegação de falta de verba municipal.
O prefeito também revelou que, após a circulação do documento, um dirigente sindical, conhecido como “Caixa”, enviou um áudio aos motoristas, afirmando que o 13º salário estaria atrasado e pedindo o recolhimento dos ônibus. Nunes classificou a ação como um crime contra a ordem pública e informou que sua equipe registrou um boletim de ocorrência, buscando a responsabilização criminal do envolvido.
Caos na cidade: Trânsito recorde e terminais lotados
A paralisação dos motoristas de ônibus causou um cenário de caos na capital paulista. Muitos veículos foram vistos entregando passageiros nos terminais e retornando para as garagens, deixando milhares de pessoas sem transporte. A situação se agravou no final da tarde, resultando em um trânsito recorde para o ano.
Às 19h, São Paulo registrou impressionantes 1.486 km de congestionamento, superando o recorde anterior e afetando a mobilidade em diversas regiões. O aplicativo Cittamobi estimou que metade da frota de ônibus da capital deixou de circular, evidenciando a gravidade da interrupção do serviço essencial.
A falta de ônibus levou ao aumento exorbitante dos preços de corridas por aplicativo, que chegaram a custar quatro vezes mais. A Prefeitura de São Paulo, em resposta à crise, suspendeu o rodízio de veículos para tentar aliviar o fluxo nas ruas e avenidas.
Terminais como o Santo Amaro, Campo Limpo e Dom Pedro II ficaram completamente lotados, com passageiros aguardando o retorno dos ônibus sem sucesso. A TV Globo registrou ônibus voltando para a garagem da Viação Sudeste, na Avenida do Cursino, na Zona Sul, e plataformas do Terminal Tucuruvi igualmente cheias.
Josicleison, morador da Zona Leste, expressou sua revolta no Terminal Dom Pedro: “Tentei embarcar uma hora atrás. Cheguei no Dom Pedro, sem ônibus, essa greve surpresa, complicou a vida da gente. A única coisa é que a gente quer voltar para casa e não consegue. Fiquei uma hora tentando entrar na estação da Sé, não consegui nem passar na catraca, super lotado. Não sei o que fazer, não tem o que fazer. Infelizmente, na maior cidade da América Latina, o trabalhador paulistano não tem o direito de voltar para casa”, desabafou.
O que dizem os sindicatos e as empresas
O Sindimotoristas, sindicato que representa os motoristas de ônibus, informou que o protesto ocorreu porque as empresas de ônibus teriam prometido pagar o 13º salário e o vale-refeição das férias até o dia 12, mas recuaram da decisão nesta terça-feira. Segundo o sindicato, tentativas de negociação não tiveram diálogo.
Por outro lado, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) declarou que as empresas associadas “não estão poupando esforços para honrar com suas obrigações trabalhistas”, e que solicitaram um maior prazo para o pagamento do 13º salário, “em conformidade com o que a legislação estabelece”.
A SPUrbanuss também mencionou que as empresas têm mantido diálogos constantes com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte para finalizar os acertos da revisão quadrienal dos contratos de concessão, buscando recompor o equilíbrio econômico-financeiro do sistema e evitar paralisações futuras. Algumas empresas recolheram seus ônibus, enquanto outras mantiveram a operação normal:
- Empresas que recolheram ônibus: Express, Viação Metrópole Ambiental, Via Sudeste, Viação Grajaú, Mobibrasil, Campo Belo, Gatusa, KBPX, Transppass, Transunião, Movebuss.
- Garagens com operação normal: Spencer, Norte Buss, Upbus, Allibus, Pêssego, SPTrans D10 e D11, A2 Transportes, Auto Bless, Alfa Rodobus, Gato Preto, Santa Brígida, Transwolff.
Prefeitura reafirma compromisso e solidariedade aos passageiros
A Prefeitura de São Paulo reforçou que os repasses às empresas de ônibus estão em dia e que o pagamento do 13º salário dos trabalhadores é de responsabilidade exclusiva das concessionárias. A gestão municipal reitera seu compromisso com a população e com a manutenção da ordem pública.
A pedido do prefeito Ricardo Nunes, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana/Transportes e a SPTrans registraram um boletim de ocorrência contra as empresas que aderiram à paralisação sem aviso prévio. Essa ação é considerada uma grave violação da legislação, conforme as autoridades.
A gestão se solidariza com todos os usuários que dependem do transporte público e que foram afetados pelo que classificou como “descaso, irresponsabilidade e falta de compromisso dessas companhias com a população”. A prefeitura busca garantir que a situação seja resolvida e que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados.